Se você não é do Sul do Brasil, talvez você só conheça a Serra Catarinense como aquele lugar onde são registradas as temperaturas mais baixas do Brasil. É capaz também de você associar o nome São Joaquim imediatamente.
Mesmo quem é do Sul do Brasil e já ouviu falar da Serra Catarinense não conhece bem o que realmente está escondido por ali.
Esse trecho de Santa Catarina esconde o destino mais bacana e menos explorado de toda a Região Sul (segundo o Gira Mundo, que é super isento).

Foto de Márcio Jahns do alto da Serra do Rio do Rastro em noite de lua cheia
O trecho de serra entre Urubici e a divisa com o Rio Grande é uma extensão dos campos de planalto gaúchos e da Serra Geral. Mesmos campos, mas mais altos. Há dezenas de canyons inexplorados onde, diferentemente do Parque Nacional dos Aparados da Serra, que tem cercas de proteção na maior parte das suas trilhas, ainda hoje, bois e vacas escorregam de seus pastos para o suicídio em dias de neblina.
Duas estradas funcionam literalmente como “escada” para a região: a Serra do Corvo Branco e a um pouquinho mais conhecida Serra do Rio do Rastro, que é radical não só por suas curvas, mas pelo intenso tráfego de ônibus e caminhões numa serra muito íngreme e estreita. A do Corvo Branco é mais incrível, pois é tão íngreme e alta quanto a do Rio do Rastro, mas nem asfalto, sinalização ou proteção lateral tem. Ambas são imperdíveis.
Uma coisa que você precisa lembrar é de esquecer a cidade de São Joaquim. As principais atrações documentadas e com alguma infra-estrutura estão entre os municípios de Urubici e Bom Jardim da Serra.
São Joaquim não tem nada demais e só é mesmo famosa, pois sua área urbana é das poucas da região onde alguma neve é capaz de ficar depositada no inverno. Há ali um fotogênico termômetro instalado por algum prefeito introduzido ao marketing que facilita a vida do pessoal da TV para entrar ao vivo no inverno proclamando ao Brasil tropical as temperaturas de país temperado da região. Acredite, é só isso.
O próprio Parque Nacional de São Joaquim nem pertence ao famoso município, mas deve ter tido o nome escolhido possivelmente por um burocrata do IBAMA relacionado com a prefeitura de São Joaquim (assim nascem as lendas
) que viu o potencial da região e resolveu dar ao parque um nome mais comercial, digamos assim.
Como o Parque Nacional é virgem e existe somente no papel, ele só pode ser visitado com o auxílio de guias da região que abrem as porteiras das fazendas ainda não desapropriadas pela União. O outro lado dessa moeda é que você terá o parque só para si. Muito pouca gente visita essa região. Quase todos os passeios são exclusivos.
Um dos passeios mais legais da região é o do Canyon Laranjeiras. Os guias da região levam você de jipe 4×4 pelas estradinhas através das fazendas, indicam as trilhas, acompanham os viajantes mais abusados que querem ter uma experiência mais radical à beira de um penhasco de mais de 700m. Ao final, eles agendam com alguma família da região um lanche campestre onde você tem a oportunidade de conhecer um pouco da vida do povo dessa região.
Mais fácil é visitar o Morro da Igreja em Urubici, o ponto culminante do Sul do Brasil onde fica o Sindacta que controla os vôos de São Paulo para baixo. Por conta das instalações da Aeronáutica, o acesso desde Urubici é muito fácil. Leve um lanche e curta o Sul do Brasil aos seus pés. Com as nuvens do litoral bloqueadas pelas montanhas, a vista é mais impressionante.
A infra-estrutura de toda a região é ainda bem limitada, lógico, a região ainda está para ser descoberta, mas nem por isso a Serra Catarinense está reservada exclusivamente para os eco turistas de carteirinha. Os adeptos do conforto têm um dos hotéis de serra mais bacanas do Brasil, o Rio do Rastro Eco Resort, bem juntinho do final da Serra do Rio do Rastro.
O lugar é espetacular, já existia há muitos anos, mas só há uns 2 foi reformado e ganhou o investimento para transformá-lo na melhor hospedagem da região. Do Rio do Rastro, eu só não gosto do nome Resort, mas isso é só detalhe. Dentro da propriedade, há até um canyon e os proprietários se esforçam para que os hóspedes fiquem bem à vontade e conheçam bem a região. O atendimento é impecável. Até na ponta da Serra numa noite estrelada, eles nos acompanharam…
Na região também começa a despontar a produção de vinhos. Há ao menos um produtor investindo em grandes instalações. O Villa Francioni quer se transformar em referência entre os vinhos nacionais e já chegou como opção de entrada das cartas de vinho dos melhores restaurantes de São Paulo. Eu deixo para os enólogos de plantão julgar a qualidade do produto. Como guia de viagens, eu sugiro que você tente uma visita. Sim, tente, porque, de novo, viajantes por ali ainda não são muitos e eles recebem ainda por indicação dos amigos da região. Pensando bem, seria melhor se toda esta região continuasse no anonimato.
19 respostas so far ↓
Marcio // Março 26, 2007 às 4:37 am
Jorge,
Imagine um planejamento bem feito para eco turismo nessa região quanto benefício não pode gerar.
Muito legal!!
Abs!
Marcio
LÉ // Março 26, 2007 às 11:40 am
Quero voltar lah! Saudades daquele churrasco tipo “fogo de chão” ao lado da fogueira…
Ah, recomendo aos interessados em se hospedar no hotel que peçam pelos quartos com varandas climatizadas…faz diferença esse ambiente especial!
Diogo // Março 26, 2007 às 1:06 pm
Jorge, eu, como gaucho ate debaixo d’agua, me permito deixar uma dica aqui: http://www.paradorcasadamontanha.com.br
Eh simplesmente um dos lugares mais lindos que eu ja fui!!!
Se a confraria em Gramado sair, prometo leva-los pra la!!!
Fica pertinho de onde foste, la no Itaimbezinho, nos campos de cima da serra, so que do lado do RS.
O teu post ta demais, e as fotos, de cinema!!!
Mô Gribel // Março 27, 2007 às 7:21 pm
Oi.
Morei em SC por 18 meses e é um dos passeios mais bacanas que fiz.
E tem razão, S.Joaquim é ruim demais…
Arnaldo - FATOS & FOTOS de Viagens // Março 29, 2007 às 3:39 pm
Que fotos maneiras, hem? parabéns. Aliás, a matéria toda está muito atraente e me deu vontade de voltar a praticar o montanhismo e o treking que eu já larguei há uns 4 anos…
Bem, estou de volta da África do Sul e já tem matéria nova sobre Cape Town, uma cidade (aliás, TUDO o que achei da África do Sul foi o melhor) MUITO interessante.
Correu tudo bem, estou rpeparando uma matéria sobre Family Friendly Game Reserves especialmente para você com opinião pessoal e dicas de montão.
Grande abraço
Arnaldo
GiraMundo com Jorge Bernardes // Março 30, 2007 às 12:07 am
Arnaldo,
Seja muito bem vindo. Vou ficar de olho no seu blog então para ver a matéria. Muito obrigado já antecipado. A família aqui vai agradecer. Que bom que vc curtiu a viagem.
Marcelo Massocco // Março 30, 2007 às 10:47 am
Bom dia jorge, o blog esta cada vez melhor e com ótimas dicas, prometo que agora vou fazer por merecer o cargo de um dos diretores do Blog.
Parabéns
Goitacá // Março 30, 2007 às 7:26 pm
Lindo lugar, só lembro que a Serra não é exatamente catarinense, já que o topo fica no Rio Grande do Sul.
GiraMundo com Jorge Bernardes // Abril 1, 2007 às 7:38 pm
Goitacá: O ponto mais alto do Sul do Brasil fica em Urubici em SC e nesta reportagem estou cobrindo apenas as serras de SC. Pretendo cobrir as serras do RS também.
Ramon // Maio 16, 2007 às 12:26 pm
Alguem falou para procurar hoteis\pousadas com quartos com varandas climatizadas. Alguem recomenda algum hotel\pousada nessas caracteristicas ?
Abraços.
GiraMundo com Jorge Bernardes // Maio 16, 2007 às 12:44 pm
O Rio do Rastro Eco Resort tem varanda climatizada nos quartos mais caros.
Danilo // Julho 24, 2007 às 11:09 am
O ponto culminante do sul do brasil é o Pico Paraná, depois o Boa Vista (SC) em Urubici, e depois o Monte Negro (RG)
Pico Paraná - 1.962
Morro Boa Vista - 1.827
Pico Monte Negro - 1.403
Danilo // Julho 24, 2007 às 11:11 am
Mas que essa primeira foto desse post é linda, é indiscutível. Mais bonita que o Pico Paraná, tranquilamente.
GiraMundo com Jorge Bernardes // Julho 28, 2007 às 12:34 pm
Obrigado Danilo pela informação. O pessoal do Sul diz que o pico mais alto está em seu próprio Estado, vou alterar o post e não fazer referência ao ponto culminante, assim não erro mais, ok? Um abraço
Julio. // Setembro 27, 2007 às 5:24 pm
Pessoal.
O Montenegro é baixo em comparação com a serra de SC (Não é o terceiro do Sul) . A região do topo do Rio do Rastro, Corvo Branco e Campo dos Padres , está acima de 1400. Há varios picos acima de 1700/1800 metros. Já fiz trihas de moto costeando do Itaimbezinho até o Campo dos Padres (Urubici/Bom retiro) e o visual e fascinante. Muito legal também é subir a trilha a pé de Anitápolis (SC) para o Campo dos Padres em cima da serra.
Saudações.
Julio
GiraMundo com Jorge Bernardes // Setembro 27, 2007 às 11:40 pm
Obrigado Julio, finalmente um catarinense para defender meu ponto de vista, veja que eu nem alterei o post mesmo, porque estou confiante na informação que obtive em Urubici
Obrigado!
edivarde costa // Outubro 17, 2007 às 8:30 am
eu soulimdo
Cesário // Novembro 12, 2007 às 8:28 am
O Júlio escreveu: “Muito legal também é subir a trilha a pé de Anitápolis (SC) para o Campo dos Padres em cima da serra.”
Júlio podes ma dar algumas indicações sobre como chegar a esta trilha? Escreva para csimoesATflug.com.br (troque o “AT” pelo arroba…
Obrigado!
Vinícius Sefrin // Dezembro 7, 2007 às 2:37 pm
ola pessoal… será que alguém pod me ajudar…
não estou achando nenhum mapa completo, estou organziando uma viajem agora p/ janeiro, vou sair de Gramado-RS e vou até Tubarão - SC, passando por Lages, São Joaquim… Serra do Rio do Rastro, pois não conheço essa região… s alguém puder me ajudar… agradeço…
abraços a todos
Vinícius
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