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Travessia Lençóis-Jeri: de Caburé à Ilha do Caju

Maio 20, 2007 · 10 Comentários

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Depois de uma magnífica noite em Caburé, partimos para a parte mais selvagem da nossa travessia: o trecho entre Caburé até a Ilha do Caju, último ponto de nossa viagem em terras maranhenses.

A melhor pousada do Caburé é a Porto Buriti, mas ela vive lotada até durante a baixa temporada. Mesmo reservando com meses de antecedência, eu só consegui me hospedar na Pousada do Paturi.

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Ainda assim, a noite em Caburé foi memorável. Jantamos ali com uma família francesa e uma outra de São Paulo e fomos dormir assim que o gerador foi desligado, por volta das 21horas. Quando as luzes se apagam, o céu cheio de estrelas dá um show e você vai dormir pensando por que é que você não faz esse tipo de viagem com mais freqüência?…Por que é que você não vai dormir quando o sol se põe e acorda quando ele nasce?…Bom, entre esses e outros ótimos pensamentos, dormimos ali em nosso quarto aberto para a brisa que vinha do mar naquele estreito trecho de areia entre a foz do Rio Preguiças e o mar.

Antiga vila de pescadores, hoje o Caburé é basicamente um conjunto de pousadas que dá suporte ao turismo na região. Os nativos, entretanto, vivem do outro lado da margem do rio onde o vento é mais tranqüilo e não soterra as casas com a areia trazida do mar.

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Nós estivemos na outra margem do rio em Mandacaru e Atins. Mandacaru hospeda um farol de onde se tem uma vista bacana da região. Em seguida, fomos a Atins para ver o por do sol, outro espetáculo cinco estrelas! O barco chega a parar em um banco de areia formado exatamente na foz do Rio com o Oceano. Forma-se ali uma praia bem no meio do mar para você aproveitar as ondas e apreciar o fantástico por do sol no oceano.

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Vale lembrar a importância do Rio Preguiças e da vegetação da sua margem. Explicar o ciclo da natureza aqui ajuda a entender como os Lençóis se formaram e continuam a crescer.
A vegetação ao longo do rio Preguiças criou uma barreira natural para o vento que vem do Oceano e o fluxo de seu curso d’água atenua em sua foz o forte movimento das famosas e poderosas marés do Maranhão.
É isso que garante um pequeno trecho de terra salvo de marés e tempestades de areia onde os nativos habitam: Mandacaru e Atins.
Sem o Rio Preguiças, tudo seriam dunas e não haveria a divisão de Pequenos e Grandes Lençóis.
É do alto do avião que você entende que o Rio Preguiças forma um corredor verde entre as dunas chegando até o mar.
O movimento fortíssimo das marés e dos ventos continua a levar areia mais e mais para o interior e assim mais dunas são formadas cada vez mais longe e a área do parque continua crescendo. A combinação marés e ventos fortes é a explicação para um cenário de praia a 50 kms do oceano. Como esta região está longe de ser um deserto e chove regularmente durante seis meses do ano, a água se acumula entre tantas dunas.

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Foi essa combinação especial da natureza que formou os Lençóis Maranhenses. E olhando a foto acima, a gente entende o nome Lençóis…
O movimento das marés é tão forte contra a foz do rio que o curso de água chega a inverter o sentido na maré alta, fazendo com que o rio, kms acima da foz, pareça parado durante as marés altas. E assim, batizou-se o rio de Preguiças…

Ao amanhecer, o nosso bugueiro já estava nos esperando para tomar café. O horário do traslado é marcado pela mãe natureza e nem eu e nem o bugueiro podemos definir o horário. Dá para se ter uma idéia do horário com uns 3 dias de antecedência, mas só a tábua de marés é que permite a definição do melhor momento que o bugue poderá circular pelo trecho de praia entre o Caburé e Paulino Neves, no caminho de Tutóia.

Este é um dos trechos mais desertos do litoral brasileiro. Durante quase 1 hora e meia no bugue, não cruzamos com nenhuma alma viva. Ninguém!!!! Nenhuma casa, nada. Seguíamos a marca dos pneus do nosso próprio bugue em seu caminho à Caburé. Eu achei demais esse trecho!!!!

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Pertinho de Paulino Neves, passamos por um trecho dos Pequenos Lençóis e, em seguida, chegamos à cidade e paramos na casa do bugueiro para abastecer, conhecer a família, descansar um pouquinho do bugue, etc. Tudo pronto, cruzamos o riozinho que divide Rio Novo dos Lençóis de Paulino Neves. (na prática, a mesma cidade) e seguimos por um trecho mais habitado próximo ao mar por mais 1 hora até Tutóia, no extremo leste do MA.

Tutóia está na foz ocidental do Delta do Parnaíba e é bastante pobrezinha. Diferente de Paulino Neves e Rio Novo que são pequenas cidades muito simpáticas e ajeitadas, Tutóia já é uma cidade grandinha e cheia de problemas de onde se pode, por via asfaltada, chegar à Teresina, Parnaíba e São Luís… Bom, nós estávamos fugindo do asfalto, então, pulamos imediatamente na nossa “voadeira privê” e seguimos para a Ilha do Caju.

O mais legal é que mesmo não conseguindo marcar os horários certinhos por conta da maré, tudo o que você marca com as agências e bugueiros funciona direitinho. Chegamos ao porto de Tutóia no horário estimado pelo bugueiro e lá estava o piloto da minha voadeira me esperando para nos levar à Ilha do Caju. Eles já haviam conversado e de tão acostumados com os horários das marés, eles sabem exatamente o tempo gasto em cada trecho do percurso, sem correria. Em Tutóia, o bugueiro agenciado pela Ecodunas me entregou ao piloto da voadeira agenciada pela Clipecoturismo. Perfeito como eu havia pedido. Foi uma conexão de 10 minutos. Tudo anotado em caderneta, ok, foi caro, mas foi demais!

Chegamos à Ilha do Caju na hora do almoço. Tudo conforme planejado? Bem, quase isso. Depois de 45 minutos na voadeira pelo Delta, chegamos ao píer de desembarque da Ilha do Caju e não havia o jipe que o piloto da voadeira costuma enxergar de longe. Ao contrário, havia quatro cavalos ali nos esperando. O piloto suspeitou que algo estivesse fora do script e estava mesmo. O único homem capaz de guiar um carro na Ilha do Caju havia desistido do emprego naquele dia e voltado ao continente. Para chegarmos à sede da pousada, a 1km da praia, na antiga sede da ilha, tínhamos que ir de cavalo, com as bagagens, debaixo de um sol de 35 graus do meio dia.
Antes de qualquer coisa, vou dizer que a experiência de conhecer a Ilha do Caju foi sensacional e que com exceção do desembarque, todo o resto aconteceu como previsto e foi espetacular. Eu continuo na próxima entre a Ilha do Caju e Jeri.

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10 respostas so far ↓

  • Diogo // Maio 21, 2007 às 1:42 am

    Falaí meu!!!

    Primeiro, obrigado pelos elogios ao filme!!! Só tu, a minha mãe, e a mãe do Diego gostaram, hahaha!

    Cara, putz, a proposta é tentadora… vams avaliar, mas tinha que ter sido avisado com antecedência. De qualquer forma, faremos o possível!

    Forte abraço, e quando fores a outro lugarzinho bacana, manda as fotos pra gente que é sempre um prazer dar uma dica do JB!

    Diogo.

  • Lé - direto da edição // Maio 22, 2007 às 12:24 am

    está fantástico! que orgulho! e que saudades dessas paisagens e momentos…

  • Diogo // Maio 22, 2007 às 12:55 pm

    Show o teu feedback, professor!!!

    Valeu, valeu mesmo. E é importante saber que estamos sendo coerentes e seguindo a mesma linha de raciocínio dos amigos ;)

    Abração, obrigadíssimo.

  • Carmen // Maio 22, 2007 às 4:40 pm

    Si miras la foto del atardecer, unos segundos, y cierras después los ojos verás el sol hasta con los ojos cerrados. La imagen queda fijada en la retina con tal fuerza que parece que mires al propio sol.
    ¡Madre mía! qué paisaje más sublime.
    Me encanta ver las estrellas, pero “infelizmente” en Espanha hay contaminación lumínica.
    Beijos a Clarita.

  • Mô Gribel // Maio 24, 2007 às 12:13 am

    Jorge, o lugar é o Pinguim, não é? Ele é famoso por aqui!
    Já te linkei por lá, também me distraí e passou…
    Ah, RP me estressou desta vez, mó chá de cadeira no aeroporto..rs

  • Fabiano // Maio 25, 2007 às 3:41 pm

    Olá, boa Tarde.
    prazer Fabiano estive visitando seu blog.
    e gostei muito dele. parabéns!
    e queria fazer umas proposta para você, caso venha a se interessar em ouvir as propostas.
    mande me um email.ok
    estou aguardando
    abraço.

    Fabiano

  • CARMEN // Dezembro 27, 2007 às 6:46 pm

    MUI BELO SISTE BESOS DE CARMEN

  • CLAUDIO JOSE CARNEIRO // Fevereiro 19, 2008 às 12:35 pm

    está muito bom é sempre maravilhoso matar a saudade dessas maravilhas da natureza hoje eu moro longe e sempre navego na internet e mato a minha saudade do maranhão

  • GiraMundo com Jorge Bernardes // Fevereiro 19, 2008 às 8:01 pm

    Claudio, de onde você é no MA? Onde vives hoje?

  • Rose // Março 11, 2008 às 11:15 pm

    la é otimo tudo de bom de+
    adorei!!!!!

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