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Rio de Janeiro: de Cadillac em Ipanema

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O carrinho de “viagem com bebês” da Clara ganhou um nome! Cadillac!

A madrinha da caranga é a “Filigrana” Majô, que imediatamente lascou o nome quando viu o carrinho de bebê da Clara estacionado no piso inferior da Livraria da Travessa em Ipanema.

A Humanidade ainda não se acostumou ao contato virtual. Nós e a Majô achávamos que não nos conhecíamos só porque nunca havíamos nos encontrado pessoalmente. A verdade é que já faz um bom tempo que a gente visita a sala de bate papo onde o mundo em português discute planos de viagens: o VNV do Ricardo Freire.

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Cadillac com teto solar fechado!

Foi entre um café, uma água com gás e uma sopinha de legumes – que a Clara traçou ali no nosso colo – que a gente concluiu o óbvio: nós e a Majô já nos conhecíamos, de longa data.

A gente tem certeza de que a Clara achou a mesmíssima coisa. Depois de blábláblá pra cá e pra lá, ela pegou no sono no colo da Majô. Um feito inédito, pois a Clara raramente dorme no colo de quem quer que seja.

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Mas vamos começar pelo começo? Por que é que alguém vai ao Rio e segue direto pra uma livraria?

Se eu conseguisse ler tanto quanto visito livrarias, tanto quanto folheio livros, eu já estaria “lido” pro resto da vida… Afora a disposição ao gosto carioca dos livros nas estantes, a questão é que em todo lugar, a gente adora ver se os livros de lá gorjeiam como os de cá :)

Não, nem eu, nem a Tati e muito menos a Clara planejávamos comprar livros, embora, no final, a gente tenha comprado alguma coisa. Parar na Livraria da Travessa simplesmente faz parte do “programa maior” que é caminhar por Ipanema.

Outras escalas poderiam ser as esquinas de sucos naturais, as especialíssimas lojas de roupa de praia, ou mesmo os bares geladíssimos. Opção é o que não falta.

Nosso passeio de Cadillac havia começado no Bazaar (Rua Barão da Torre, 538), um restaurante bem bacana quase na Lagoa. Foi uma escolha rápida (estávamos morrendo de fome) e certeira. O serviço é notável, o ambiente impecável, os ingredientes são especiais. Com tudo isso de bom a verdade é que a gente esperava um pouquinho mais de “tempero especial” dos pratos, mas, de novo, os pratos eram apenas parte do “programa maior”, entende?

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Ipanema mais ao longe e um pedacinho do Leblon

Os prédios anos 50- 70 – disputados ao preço do metro quadrado mais caro do Brasil – não têm recuo, você lembra disso quando um pingo de água saído dos onipresentes aparelhos de ar condicionado cai na sua cabeça. Por sua vez, as calçadas são recheadas de árvores. Os porteiros ficam nas calçadas. É como se você entrasse um pouquinho na casa de cada um. Nem parece um bairro tão exclusivo.

Outra delícia é observar as pessoas vestidas como quem vai à praia ou a um casamento, todos na mesma calçada, ou seria no mesmo calçadão? Melhor ainda, na mesma avenida!

Sim, porque o ponto alto do passeio está na avenida, na praia. Que cidade tem uma paisagem assim ali, do lado de onde as pessoas vivem, trabalham, estudam? Eu não consigo me conformar, é simples assim, você dobra uma esquina e… Olha o cartão postal!

Em feriados e domingos, uma das faixas da Vieira Souto (Ipanema) e Delfim Moreira (Leblon) são fechadas… Está ali o circuito perfeito pra pilotar Cadillacs com bebês. A Clara adorou.

E se você tiver a companhia de uma carioca “sangue bom”, como a Majô, que vai te contando histórias, chama a atenção para os detalhes… Mais do que apreciar a vista, você ganha um upgrade e passa a compor a paisagem carioca de cartão postal.

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Afinal, naquele final de tarde, a gente era apenas um grupo de amigos de longa data passeando com uma bebê no final de tarde. Tem programa de viagem melhor?

Só no Rio de Janeiro tem vôo panorâmico grátis!

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Vôo panorâmico grátis! Confira essa mega-promoção permanente nos sites da Gol e da TAM.

(Promoção válida para bilhetes comprados de e para o Rio de Janeiro, aeroporto Santos Dumont).

Não dá pra competir. Não existe outra cidade que te receba assim como o Rio de Janeiro. Ao menos não num Boeing ou num Airbus!

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Só uma cidade segura de si e do seu merecido título “Maravilhosa” se mostra assim para seus visitantes, antes mesmo que eles possam “tocá-la”.

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Clara ansiosíssima para conhecer o Rio!

Como fotógrafo, eu não passo de um turista com boa vontade. Minha câmera é automática e o tempo nem estava grandes coisas (havia acabado de chover no Rio quando chegamos) e, ainda assim, essa primeira foto da janela do avião me lembra muito aquele cartão postal tradicional que a gente vê mundo afora quando encontra uma imagem do Brasil.

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Se você for ver bem, o Galeão nem é tão longe assim. Para quem vai à Zona Sul (por exemplo), através da Linha Vermelha e com o Túnel Rebouças aberto, dá QUASE para pensar que você faz um bom negócio ao economizar uns tostões no bilhete para chegar ao Rio via Ilha do Governador.

Mas a verdade é que você perde o vôo panorâmico grátis! Pronto, o que era mais barato, acabou de ficar caro.

O vôo de helicóptero que parte da Urca é inacreditável. Especialmente o giro em torno do Cristo Redentor, é lindo demais. Recomendadíssimo! Mas em 8 minutos custa quase o bilhete da ponte aérea! Chegando ao Rio pelo Santos Dumont, você ganha uma barrinha e um vôo panorâmico!

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Arcos da Lapa

E quem diria, a julgar pelo quadro de informações de vôos do aeroporto, descer no Santos Dumont é um privilégio quase exclusivo para paulistas. Mais de 95% de todos os vôos que chegam e partem do Santos Dumont tem como origem e destino São Paulo.

Ô gente! O negócio é aproveitar porque pensando bem, a ponte aérea tá é barata!

Bebê Plaza Hotel

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Você conhece o Bebê Plaza Hotel?

Como não? Esta é uma das maiores e mais diversificadas redes de hotéis do mundo!

Presente em todos os destinos de interesse, o Bebê Plaza está de berços e cercadinhos abertos esperando você, bebê moderno e exigente que viaja com seus intrépidos papais e mamães ao redor do mundo!

Entre uma troca de fralda e uma mamadeira, nós descobrimos que nem só de resorts e hotéis-fazenda vive o mundo das viagens com bebês. A resposta é bem simples. Quase qualquer hotel pode se transformar num ambiente hospitaleiro para bebês.

Localização

Comece a escolher o hotel pela localização. Se a cidade for muito grande, pense nas atrações ou passeios que você quer fazer e resuma sua busca por um hotel da região.

Não há prazer maior numa viagem com bebês do que uma simples saidinha do hotel que se transforma no melhor programa do dia.

Invista na localização bem mais do que você investiria normalmente. Menos deslocamentos, menos problemas.

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Acampamento? Não, quarto compacto!

Escolha o SEU berço

Você escolhe o seu berço, porque o do bebê já está escolhido. Ao que me parece e pela experiência dos 4 hotéis onde nos hospedamos com a Clara nestes 6 meses, os berços oferecidos pelos hotéis são sempre iguais. Parecem cercadinhos, são sempre azuis e são mais confortáveis do que parecem. A Clara não estranhou nenhum deles.

A cama dos pais pode ser king ou queen, você define. A do bebê é só solicitar no momento da reserva e você já sabe como será.

Aproveite esse contato com o hotel para tentar sentir como o seu bebê será recebido. Escreva claramente a idade do bebê e pergunte se há algum problema.

Será na resposta do hotel que você perceberá se o seu hotel alvo é ou não um verdadeiro Bebê Plaza Hotel.

Em inglês, o aviso sobre berços costuma ser algo como “baby cot/crib available upon request”.

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Quem precisa de um “Club Sandwich” com um serviço de quarto destes?

Serviço de quarto

Não é essencial, mas se tiver, é bem cômodo. O nosso hotel em Viena tinha um restaurante árabe caprichadíssimo, um dos melhores da cidade. Os mesmos pratos do restaurante eram servidos também no quarto com a mesma qualidade e apresentação, um luxo que valeu a pena!

Quando o hotel não tem serviço de quarto, normalmente a recepção indica um serviço de entrega de restaurantes da região. É uma opção para noites em que não dá pra arriscar jantar fora com o bebê ou quando o jantar-supermercado fica muito recorrente. Ainda por cima, é uma forma surpreendentemente econômica de jantar.

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Jantar a três, faltou fazer a mamadeira da Clara!

Fale com quem entende, os bebês

Ou com os pais deles. Os melhores Bebê Plaza hotéis costumam ser identificados por outros turistas-bebês que já usam fraldas de tamanhos maiores. Procure informações nos comentários de viajantes no Trip Advisor e no Venere.

Use a expressão em inglês “travelling with young children” ou “traveling with babies” acompanhado do nome da cidade pesquisada.

O comentário de uma hóspede americana que viajou com um bebê de 6 meses foi decisivo para escolhermos o Intown em Roma. Jamais pensaria que um hotel daqueles, perfeito para uma viagem a dois, seria tão receptivo com a Clara.

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O sofá virou trocador. A mesinha de centro um tatame para o jantar.

Bebês são espaçosos

Bebê Plaza 5 estrelas que se preze oferece quartos espaçosos. Espaço para você transformar uma mesinha num trocador, para o papai não tropeçar no berço, para você deixar um lado do quarto apagado e outro aceso, para acomodar a banheira-pato Juca com conforto.

Faz uma diferença, foi no último hotel que nos hospedamos na Europa, o Hotel Roemer de Amsterdam, que sentimos falta de mais espaço no quarto. Sendo bem justo, talvez esse seja o único defeito desse hotel que é excepcional.

Baby Shuttle

Que delícia é chegar e ter alguém nos nos esperando com uma plaquinha com meu nome. Numa viagem com bebês, isso é mais um exemplo de algo caro que sai barato. Aliás, nem tão caro assim. Em Amsterdam e Viena, o preço foi bem próximo do táxi comum.

E o benefício não tem comparação. O motorista te dá uma força com as malas, você não precisa se preocupar com uma eventual reclamação de motorista de táxi com o tamanho da sua bagagem. Nada!

E o mais importante. Lembre-se de que além da bagagem extra, tem uma “malinha” que não dá pra apoiar no chão e ocupa um par de braços que seriam fundamentais para ajudar o papai a carregar as malas!!!

Acabou de ficar bem barato, não? Eu diria que ficou quase de graça :)

Viagem com bebês: Jantar à luz de poste!

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- Sssshhhhhhhh! Fala baixinho!

- Você viu o saca-rolhas?

- Acho que está embaixo do queijo pecorino…

- A Clara vai acordar… melhor apagar o abajur também.

- Mas eu já não estou enxergando n-a-d-a.

- Apaga, apaga, ela tá acordada, será que vai chorar?

- Se a luz estiver apagada, não!

- Apaga tudo e abre a cortina.

- Olha como tá bonito aqui fora…

- A cidade foi dormir, só sobrou a gente…

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- Ficou lindo e super romântico!

- Pois é, quem diria. Deu certo. E a Clara continua quietinha.

- Ela vai dormir logo.

- Dormiu já.

- O vinho tá delicioso! Nada como um vinho de supermercado da Via dei Condotti!!!

- E essa mussarela de búfala? O que é isso? Eu preciso me mudar pra Itália.

- Vamos largar tudo e ficar aqui?

- Enche a taça e não fale duas vezes. Ah, como eu adoooooooro estar aqui!!!!!!

- Que pão delicioso!

- Eu também quero, me passa a faca, por favor.

- Onde será que a faca foi parar?

- Aqui, toma.

- Não tô enxergando direiiiitoooo.

Bash, Bow, Boomp!!!!!!

- Hahahahahaha, caiu a faca. A Clara vai acordar.

- Ssssshhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

- Acordou, não! Olha lá no berço. Agora, só amanhã.

Zzzzzzzzzzzzzzz (participação especial da Clara)

- Melhor assim, vai mais vinho?

Reconstituição fiel dos fatos até onde o vinho nos permitiu lembrar…

“Tio”-filósofo Sócrates ensina a viajar com bebês

De repente, bateu uma insegurança:

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    “Será que nossa coragem em sair mundão afora passeando com a pequena Clara à tiracolo, ainda tão pequenininha, poderia ser explicada pelo nosso total desconhecimento sobre o universo infantil e seus riscos?”

A Clara, a gente sabe, não tem noção de perigo, mas será que os pais dela também não têm? Faz sentido, afinal, somos pais-em-treinamento, a inexperiência é a nossa marca!

Resolvi jogar duas palavrinhas, ignorância e coragem, no Google e achei esta frase forte num texto filosófico que debate as visões de Sócrates e de sofistas e que acabou por me devolver a auto-estima!!!

“Covardia é ignorância do temível, coragem é sabedoria”.

Não fui eu quem disse, foi o filósofo Sócrates! Sim, é verdade. Esse grego já sabia tudo sobre viagem com bebês. Coragem é uma virtude que se aprende com o conhecimento do que está por vir. Eu constatei rapidinho que os passeios que deram mais certo na viagem, foram justamente os mais planejados. Foram aqueles em que a gente sabia de todos os detalhes: a que hora sair, aonde ir, como e quando voltar.

A verdade é que passeios “Alegria, Alegria” normalmente não funcionam com bebês. Caminhando contra o vento, sem lenço sem documento

Em casa, com alguma experiência em viagens, a gente já havia conseguido antecipar várias situações, mas outras a gente aprendeu mesmo “na raça”. Foi a Clara que nos ensinou e mostrou os limites, inclusive para que chegássemos à conclusão de que tudo gira mesmo em torno da:

Lei Universal da Mamada

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    O ciclo de mamadas precisa ser respeitado para conforto do bebê. A vida dos pequenininhos gira em torno de comer, brincar, trocar fraldas (eca de novo!) e dormir.

    Este ciclo se repete várias vezes ao dia. Quando o bebê nasce, o intervalo das mamadas é de cerca de 3 horas e depois vai aumentando pouco a pouco, qualquer pai sabe disso.

    Na teoria, dá pra fazer todo o ciclo, uma ou várias vezes ao dia, fora de casa. Brincar/estimular o bebê é sempre possível e gostoso em qualquer lugar, mas mamar sempre num banco de praça, restaurante ou parque e dormir no carrinho o dia inteiro podem ser cansativos para o bebê e para os pais também. Com isso em mente, surgiram várias idéias:

Idas e vindas

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    Em Roma, qualquer saída do hotel já é um programão!

    É importante que os passeios sejam de curta duração e distância. Assim, entre eles, no hotel, a gente descansa um pouco, troca fralda, coloca o bebê para um cochilo, dá banho, etc.

Passeios sem escalas

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    Passear sem destino com bebês só funciona se o objetivo for esse mesmo, não chegar a lugar nenhum. Isso é uma delícia, devo dizer, mas se há algo que você queira ver, então é melhor ir direto ao ponto sem preliminares.

    O que você quer ver? “Eu quero ver o Coliseu”. Pois bem, então vá direto ao Coliseu com o bebê. Se der, depois de curtir o Coliseu, você estica o passeio dali para outro lugar, mas só se der! Garanta o seu passeio-objetivo original.

    Acho que vale a pena também tentar identificar um “ponto de escape”, um café, restaurante ou algum lugar no caminho ou no destino para usar como base em caso de necessidade. Se a coisa “apertar”, você corre pra lá, pede alguma coisa e se instala para cuidar do bebê. Assim, ninguém perde o passeio.

Vou de táxi…

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    Linda vista de Roma a partir do carrinho da Clara.

    Fizemos o uso do táxi sem medo de ser feliz para todos os lugares que não conseguimos chegar “de carrinho”. Algumas vezes fomos “de carrinho” e voltamos de táxi ou vice-versa.

    Táxi em viagem com bebês é o melhor exemplo de algo caro, mas que acaba saindo barato. Foi uma ótima surpresa. Todos os taxistas nos deram uma força com o carrinho, foram super pacientes, nenhum reclamou das curtas distâncias, valeu muito a pena.

    Em Roma, onde usamos mais o táxi, as corridas custaram em média 8 Euros. Bebês adoram passear de carro! É legal tentar entender como funciona o serviço de táxis da cidade antes de usá-lo. Em Amsterdam quase não precisa, mas a gente só arrumou um quando pediu por telefone. Em Viena, usamos pouco, mas é fácil e há pontos espalhados. Em Roma, o serviço de telefone não funciona, há pouquíssimos pontos, mas de forma geral, os carros vazios circulam bastante.

Faça chuva ou faça sol

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    Que tem que levar carrinho, fralda e mamadeira, a gente já sabia. Mas também é fundamental levar uma capa de chuva para carrinho e uma sombrinha (que eu não levei e me arrependo).

    É difícil adivinhar o tempo em cada lugar, a gente não conhece. Em Amsterdam, o tempo estava bom, estávamos numa loja de brinquedos e ficamos uma meia hora lá dentro. De repente, quando saímos, o mundo estava para cair na nossa cabeça. Antes que pudéssemos chegar ao hotel, começou a chover e se não fosse a super-capa-de-chuva-Tabajara-para-carrinho-de-bebês, o nosso passeio teria sido um mega-desastre. Com a capa, a Clara chegou como se nada tivesse acontecido.

    Sem a sombrinha, em alguns dias, eu precisei ficar procurando o lado certo da rua para empurrar o carrinho para desviar do sol forte.

Jante com as galinhas

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    Se nós não fossemos latinos, este item nem precisaria existir mas como, na nossa cultura, o hábito é jantar tarde, eu preciso dizer que é complicado jantar fora com bebês. Normalmente, depois da última mamada, o bebê vai para o berço até o dia seguinte, então, é chato carregar o bebê para um restaurante e depois no “meio da noite” colocar no berço. Nós achamos duas opções que funcionaram:

    1) O famoso “jantar de supermercado” feito no quarto do hotel. Na Europa, é uma solução quase imbatível, um prazer. E é tão econômico quanto conveniente e gostoso numa viagem com bebês. Dá pra arriscar um room service também, se disponível no seu hotel;

    2) Jantar “com as galinhas”: escolha o restaurante e faça uma reserva por volta das 6 da tarde. Avise que você estará com um bebê e sua mesa será especialmente colocada para estacionar o carrinho. Você vai pegar o restaurante antes de encher e quando o jantar terminar, você volta para o hotel, dá de mamar e coloca o bebê para dormir.

Vacina contra antipatia

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Esta senhora, muito simpática, bateu um papão com a Clara, só elas se entenderam… em Alemão…

    Há coisas que só um bebê faz por você e esta é uma delas… Uma das grandes delícias da viagem com bebês é descobrir o quanto você é simpático e não sabia.

    Não há cara amarrada ou mal humor que resista ao sorriso, olhar ou a simples presença de um bebê. Todo mundo dá uma força, você conseguirá ajuda e será bem recebido em todos os lugares.

O Mundo sorri para os bebês.

“La dolce vita” de bebê

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    Segundo o meu pai, aquele seria o meu primeiro dia de férias e eu talvez só soubesse o verdadeiro valor disso quando fosse maiorzinha. Sei lá, eu só sei que, naquele dia, eu queria mesmo era dormir até mais tarde.

    Enquanto pegava no sono na noite anterior, eu ouvi meus pais conversando sobre o tal jet lag e se eu sentiria isso. Acho que rolou sim porque eu acordei quase às 10 horas da manhã naquele dia e meus pais já estavam em pé, prontos e animadíssimos. Estranho, normalmente quem acorda primeiro em casa sou eu e eles chegam com a maior cara de sono.

    Outra coisa estranha é que meus brinquedos preferidos estavam comigo no berço, mas aquele não era bem o meu berço. Embora fosse bem confortável, achei esquisito dormir no mesmo quarto que os meus pais. Meu pai ronca!

    Eu mamei muuuuuito, minha fralda foi trocada (eca!) e minha mãe me vestiu só com metade das roupas que costumo vestir. Eu achei que ela iria passar Hipoglós no meu rosto, mas era protetor solar! Por quê? Ela falou também que eu conheceria o Verão naquele dia e que eu sentiria calor como ainda não havia sentido na vida. Verdade!

    Roma no Verão é quente mesmo e estava uma delícia. Do meu carrinho, eu podia ver o céu azul mais lindo que já tinha visto. Os meus pais estavam empolgadíssimos em voltar à Fontana di Trevi, o lugar mais marcante que eles visitaram em Roma na viagem que fizeram 10 anos antes. Dava gosto de ver a alegria deles.

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    Mas sabe que, depois de comer e brincar um pouquinho, aquele passeio pelas ruas de paralelepípedo começou a me dar um sono… Um soninho tão bom, aquele calorzinho e… quando cheguei à Fontana di Trevi, eu estava dormindo.

    Dormi fundo com aquele calor gostoso, o barulho das águas da Fontana e da muvuca dos turistas. Os meus pais ficaram um tempão lá. O meu pai parecia japonês batendo foto. Eles estavam tão felizes, pareciam crianças.

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    Depois de passear na Fontana, meu pai falou que queria ir ao Pantheon, eu já estava mais animada, bem acordadona, mas já ficando com fome.

    Imediatamente, meus pais identificaram uma base pra nos instalarmos. O Ristorante Antonio al Pantheon. Fomos super bem recebidos. Todo mundo veio brincar comigo e meu pai ficou logo de olho na salada caprese. Era cedo para almoço de adulto, estava bem vazio. Foi ótimo, fiquei bem à vontade pra mamar e só depois que eu comi é que eu deixei meu pai comer. Minha mãe me levou lá pra fora pra eu dar os meus arrotinhos enquanto meu pai terminava de comer a tal salada caprese dele.

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    No Pantheon eu cheguei acordada. Acordadíssima! Eu podia sentir que aquele era mesmo um lugar especial. Quanta gente veio brincar comigo! Eu era só sorrisos e meu pai era só fotos. Eu podia ver o olhar encantado deles! Adorei ouvir a história do lugar que meu pai me contou. Ele não sabia, ele aprendeu ali :)

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    Voltamos para o hotel quando o sol começou a ficar muito quente no meio da tarde. Foi tão gostoso, meus pais ficaram brincando comigo, depois tirei um cochilo… Acho que eles também….

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    No final da tarde – precisa ver como o sol se põe tarde quando é Verão – a gente saiu de novo. Meu pai tava a fim de um espresso e foi direto no café mais antigo de Roma que ficava bem pertinho do nosso hotel na Via dei Condotti. O Antico Caffé Greco foi fundado no século XVIII e meu pai tomaria muuuuuitos espressos ali comigo naqueles dias enquanto minha mãe olhava as vitrines das lojas.

    Depois desse passeio, minha mãe me deu um banho! Minha banheira de viagem é um pato inflável! Tão legal, ele faz barulho e meu pai não gastou cinco minutos para enchê-lo! Foi presente da vovó GiraMundo.

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    Em seguida, mamar e dormir. Eu quase podia ouvir meus pais jantando a comida entregue de um restaurante ali de perto, mas eu precisava dormir.

    Aprendi outra frase em italiano naquele dia: dolce far niente. Isso é que é vida!