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“Uma semana na Provence”

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Bem mais sucinto do que o famoso livro, este post é para quem tem uma semana ou apenas alguns dias na Provence. Vale para todos os mortais, com exceção do Peter Mayle.

Montei uma lista de vilarejos e cidades mais legais para colocar num roteiro entre Vaucluse e Bouches-DU-Rhone.

Dica especial para os vilarejos pequenos é visitá-los no dia e horário da feira. Estará mais cheio, mas será bem mais animado.

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• Les-Baux-de-Provence – Feira às quintas. O mais famoso vilarejo da Provence. Menos por conta da bauxita, mais pela pedra calcária, o vilarejo tem um tom bege quase branco. Muito lindo. Visite as ruínas do castelo e não deixe de conhecer a principal das atrações: Cathedrale d´Images.

• St Remy de Provence – Feira às quartas, mas como St Remy já é uma cidade maiorzinha você pode ir em qualquer dia da semana. Funciona como parada para quem vai a Les-Baux-de-Provence.

• Aix en Provence – A maior cidade da região. Ótimo astral. Melhor comércio da região é um lugar gostoso para ver lojas, especialmente as de alimentos. Ótima para dar uma variada quando cansar dos vilarejos e aldeias. Melhor opção de hospedagem se viajar sozinho.

• Gordes – Feira às terças. Linda vila medieval sobre uma montanha. Bem pequenininha, então, vá no dia da feira. Não deixe de apreciar a vista da cadeia de montanhas do Luberon lá de cima. E se você for durante o verão, não deixe de passar na Abbaye de Sénanque que fica bem perto. Lá, os campos de lavanda foram fotogenicamente plantados para você tirar aquela foto!

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• Lourmarin – Feira às sextas. A feira desta vila é das mais famosas da região. Vem muita gente de longe. Fica bem ao meio das montanhas do Luberon. Cenário de cinema. Bem animada. Fique para almoçar. Lourmarin é o vilarejo favorito do Gira Mundo.

• Isle-sur-la-Sorgue – Feira aos sábados. A especialidade da feira são as antiguidades. Nada muito barato, mas faz muito bem aos olhos. A cidadezinha é toda cortada por canais e o centro fica numa ilhota sobre o rio. Entendeu o nome agora? Francês é bico! Literalmente.

• Roussillon – Feira às quintas. Este vilarejo é todo ocre, extraído dali mesmo. Bem diferente de todas as outras vilas da região!!!! Será? Nem tanto, assim como os outros, também fica sobre uma montanha. Lógico! Visite no final de tarde quando a luz dá um efeito mais legal no tom ocre das construções.

Acho que encerro o Giro pela Provence aqui. Até a próxima, na Borgonha.

Les Baux de Provence: Cathedrale d´Images

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Trata-se de uma idéia simples: o idealizador, Albert Plécy foi um jornalista que se dedicou à fotografia e o uso da imagem para transmitir o seu trabalho.
Ele passou anos fazendo estudos sobre fotografia, estimulando novos profissionais e fazendo mostras ao redor do mundo até que teve a grande e simples idéia de utilizar uma antiga pedreira de bauxita e pedra calcária ao lado de Les Baux de Provence para projetar imagens e criar o que ele batizou de Cathedrale d´Images.

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Este é o melhor programa pago de toda a Provence. E é uma dica exclusiva do Gira Mundo. Sim, sem modéstia nenhuma, pois este lugar está aberto ao público há 30 anos e eu não me conformo de não ter visto em nenhum guia ou revista de viagens uma matéria indicando este lugar como ele merece.

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Dentro desse espaço de 4000m2 e com paredes de 12m de altura, há uma mostra diferente a cada ano. O tema de 2006 foi a obra de Cézanne em homenagem aos 100 anos de sua morte. A entrada da pedreira foi fechada para que lá dentro a escuridão fosse total. A apresentação começa e reinicia a cada 30 ou 40 minutos, sempre ao som de boa música erudita, mas você passa facilmente 2 horas lá dentro, vendo e revendo sempre impressionado com a beleza dessa idéia tão inusitada. Os seus olhos não querem mais ir embora.

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A mostra de 2007 é de imagens de Veneza. E eu preciso dizer que mais uma vez, nós só descobrimos este lugar porque este é um dos lugares favoritos da Annette Forest do Le Mas des Etoiles.

Provence: Os restaurantes do Luberon

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Final de tarde em Gordes. Hora de pensar no jantar.
Se você já se hospedou no Le Mas des Etoiles e escolheu o quarto dos Anjos, agora é hora de escolher onde comer. Este post também só pode existir porque foram o François e a Annette que nos indicaram estes quatro restaurantes que foram testados e aprovados com louvor pelo Gira Mundo e três deles também pelo quase tão reconhecido Guide Michelin!

Falando mais uma vez no Le Mas, o François descobriu o post que fiz para ele aqui no Gira Mundo antes que eu pudesse enviá-lo. Ele colocou o link na página principal do site deles traduzido em Francês e Inglês. Que surpresa bacana! Não sei dizer quem ficou mais surpreso com quem. Ele me mandou um email dizendo o quanto eles haviam ficado felizes com a menção do Le Mas em tão distinto blog e eu fiquei mais ainda quando vi meu texto na página principal do site deles. Essa blogosfera tem me pregado cada peça!!!

Durante o dia os passeios no Luberon serão bem contemplativos e você não gastará muita grana, então acho que vale a pena você deixar de comprar aquele souvernirzinho que você viu em Gordes ou em Aix en Provence e investir num bom e memorável jantar. Os restaurantes não são pechinchas, mas eu acho mesmo que pela experiência que você vai ter, fica até em conta.

Nos passeios diurnos você vai encontrar bons lugares para comer, mas é difícil encontrar lugares especiais. O circuito dos restaurantes especiais fica em pequenas aldeias fora do circuito diurno de passeios. Lembro a você que cada jantar precisa ser planejado. Reservas são essenciais. Não há bem uma regra: um pode fechar nas quintas, um outro não abre nas quartas, etc.

Bom, mas como eu dizia antes sobre o dia perfeito na Provence, o mais gostoso será se você não se cansar demais durante o dia para aproveitar o roteiro gastronômico à noite no Luberon. Quem sabe um cochilo antes do jantar? Acho altamente recomendável!

Um bom jantar aqui vai completar aquela sensação de viagem inesquecível. Cada jantar dura pelo menos umas duas horas (viu porque é bom não chegar exausto?) e você não vai pular nada, combinado? Tome um biotônico Fontoura se não estiver com muito apetite. O atendimento nesses lugares costuma ser tão personalizado que as reservas são todas feitas mais ou menos para o mesmo horário e as mesas não giram. Cada mesa atende apenas um cliente por noite.

Em todos os bons lugares, o chef vai mandar uma pequena entradinha junto com o couvert. Normalmente, é algo que o chef está preparando ou experimentando e quer dividir com os clientes. Depois, seguirão a entrada, o prato principal (nunca há massas), os queijos, a sobremesa e o café com mais alguns doces.

Le Vieux Bistrot: é o menorzinho da lista e o preferido do Gira Mundo. São pouquíssimas mesas, ambiente bem descontraído e o menu tem poucas opções. Mas isso é ótimo, sinal de que tudo será feito com primor. Ótima carta de vinhos, o sommelier – e proprietário – é uma figura! Pedimos um Condrieu (vinho branco, particular da Região do Ródano, elaborado com a uva Viognier). Espetacular! O restaurante fica numa pequena aldeia chamada Cabrières d´Avignon, ao lado da igrejinha principal. Delicioso lugar, o Vieux Bistrot ganhou uma menção no Guia Michelin pela ótima relação custo x benefício.

L´Estellan: quase em frente ao Le Mas des Etoiles na aldeia Les Imberts em Gordes. É um restaurante familiar. O chef é o dono do lugar, a mulher dele trabalha lá e os filhos atendem às mesas. As sobremesas são memoráveis. Também tem estrelinha do Michelin e é muito simpático, apesar de mais formal. Bem espaçoso. Tem um menu maior, disponível na internet.
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Foto do site. É bonito mesmo.

Le Clos de Gustave: este fica bem na vila de Gordes. É maior e disputado, pois o custo não é muito alto. Casual. O destaque é o atendimento muito simpático. Nossos pratos demoraram bastante, pois todo mundo chega mais ou menos no mesmo horário (vale dizer que o brasileiro prefere jantar um pouquinho mais tarde, mas não há essa possibilidade nessa região!). Mesmo assim, achamos delicioso. O atendimento compensou com muita atenção.

Le Mas Tourteron: o lugar é lindíssimo. É o restaurante mais famoso deste canto do Luberon. Tem uma chef famosa (Elisabeth Bourgeois) e o atendimento mais requintado entre os quatro mencionados aqui. O marido da Elisabeth coordena o atendimento dando um toque mais informal ao ambiente sofisticado. O menu está disponível na internet e as reservas na temporada são disputadas. Fica perto do Le Mas do François.

Ah, vale dizer que, em todos eles, você vai se divertir com a comunicação. Não se fala outra língua que não o Francês. Vale um pouco de mímica! Mas deixe estar, por mais que você peça algo que você não tenha a menor idéia do que seja, VAI SER BOM! Na noite que jantamos no Le Mas Tourteron, eu quis pedir carne de boi para variar e havia uma palavrinha que não entendia no menu das entradas e o maître não conseguia me explicar…Arrisquei e descobri que se tratavam das partes baixas do animal. Pobre boi, sim, pobre dele, porque estava muito bom.

Provence com as dicas do Gira Mundo

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Abbaye de Senanque. Foto de William Shen extraída de http://www.france-for-visitors.com tirada no verão. Próximo de Gordes, somente no verão as flores de lavanda ficam iguais a foto.

Eu ouvi outro dia do “Jão”, colega de trabalho da Tati, a seguinte pergunta: “Mas afinal, o que é que tem para se fazer na Provence?”.

Fiquei com essa pergunta na cabeça uns dois dias e concluí que não há nada mesmo para se fazer na Provence. Não há nada obrigatório, nenhum programa em si é imperdível. Você vai à Provence para curtir, aproveitar. Filosofando no botequim um pouquinho, o melhor programa da Provence é montar um conjunto equilibrado de atividades para que você chegue ao final do dia com os todos os seus sentidos igualmente satisfeitos! Não é uma coisa racional, não é um destino vim-vi-e-venci. Se eu fosse americano, eu já teria usado a expressão da moda “experiência” para tentar explicar, mas eu prefiro utilizar um termo mais baiano, o negócio é curtir o ficar à toa.

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Antes de continuar a descrever o roteiro Gira Mundo pela Provence, eu precisava “resolver” essa questão. Assim, completando o raciocínio, um dia perfeito na Provence é:

• Acordar cedinho para um café da manhã tranqüilo;
• Sair para passear com uma agenda pouco programada para que se tenha tempo livre para apreciar a paisagem do campo entre uma cidade e outra;
• Rodar os vilarejos com calma, entrar onde der vontade, parar onde der vontade, sentar no café que der vontade, nem que seja para ficar ali de bobeira olhando a vida passar;
• Almoçar ou fazer um lanche quando der vontade, sempre que possível em áreas externas;
• Se tiver perfil esportista ou aventureiro, fazer um passeio de bicicleta ou de balão. Correr nas estradinhas, caminhar;
balao dois
• Intercalar um dia de vilarejo com um dia numa cidade maiorzinha para variar;
• Tirar um cochilo no final de tarde para ficar bem descansado para o jantar;
• Dormir muito bem e não muito tarde todas as noites, mas sempre dar uma checada nas estrelas e/ou na lua antes de escovar os dentes para dormir. O céu é limpo uns 300 dias do ano em média;
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• Procurar os bons lugares para comer. Pesquise um roteiro eno-gastronômico para todas as noites;
• Visitar os vilarejos no dia de feira (marché). Informe-se no seu hotel onde será a feira no dia seguinte. Os vilarejos ficam muito mais animados no dia de feira.

O grande paradoxo é que para você conseguir “ficar à toa” como se deve na Provence, você precisa de um bom planejamento pré-viagem, listo abaixo as minhas sugestões:

• Hospede-se num lugar pequeno e com personalidade. Olha, eu vi Best Western, Íbis, Formule 1 e outros hotéis de rede de diversas categorias em diversos lugares e digo que são hotéis “ok”, tem bom custo x benefício, mas vale lembrar que esta não é uma viagem “racional” e esse tipo de hotel é totalmente anti-clima. Hospede-se bem e se você escolher direito nem vai ser muito caro. Pesquise bastante. Eu descobri o meu canto: Le Mas des Etoiles.
• Procure ficar nas áreas rurais, você vai entrar mais rápido no clima e lembre-se de que aqui o melhor é a paisagem do campo. Se você viajar em casal, isto é uma regra. Porém, se você viajar sozinho, a regra é a inversa: fique em uma cidade, não se hospede em um vilarejo ou numa área rural e já que você está lendo o meu “pitaco”, eu sugiro Aix-en-Provence para os “singles”;
• Não dá muito para explorar sem um carro. Pense nisso, o roteiro rural só dá pra ser feito de carro;
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• Lembre-se de que não há uma única paisagem inesquecível e específica. Inesquecível é o conjunto da obra;
• Achar os bons lugares para comer não é muito fácil, não é nada óbvio. Mas os bons lugares serão inesquecíveis. Os restaurantes legais não são visíveis, ficam bem escondidos em vilarejos que talvez você não parasse de dia de tão pequenos. Eu ouvi de um francês que os melhores restaurantes da França estão no interior do país e eles nem precisam de estrelas do Michelin. Poucos têm. Então, pergunte, pesquise, os nativos conhecem todos e sabem quando cada restaurante está aberto, ou você acha mesmo que no interior da França o pessoal trabalha tanto assim para abrir restaurante todo dia?
• Capriche nos vinhos. Se ainda você achar caro, lembre-se de que, alguns deles, no Brasil, você jamais compraria. Quando você voltar e encontrar o mesmo vinho numa carta de restaurante na sua cidade, você vai entender o que estou falando;
• Nas paradas durante o dia, troque o café pelos doces. Não adianta, eu não achei nenhum café à altura de um bom café italiano ou ao menos do título “espresso”, então troque logo por um doce porque os deles são imbatíveis e tome com água com gás;
• Tente não trocar muito de hotel, porém tente não rodar muito no mesmo dia. A Provence é grande, então se você quiser ver bastantes lugares fique mais tempo, uns 10 dias, e monte no máximo três bases;
• Se você não tiver muito tempo, não vá por menos de 5 dias, corte toda a parte leste da Provence e vá direto para o Vaucluse e Bouches-DU-Rhône. Não deixe de incluir Les Baux, St. Remy, Aix e ao menos um vilarejo rural, eu recomendo Lourmarin.

(volto com a continuação do roteiro nos próximos posts)

Provence: Luberon e o Le Mas des Etoiles

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O maior sucesso desta viagem à Provence foi, sem sombra de dúvidas, ter conseguido descobrir o Le Mas des Etoiles.

Combinamos estourar um pouquinho o orçamento no início da viagem para não errarmos, mas sabíamos de que não daria para manter o fôlego nas paradas seguintes. Ficaríamos uns cinco dias no Luberon e precisávamos descobrir um lugar aconchegante, bem localizado, pequeno, bonito, charmoso que não fosse muito caro. E tinha que ser perto de Gordes, porque ali estava o centro “geodésico” de tudo o que queríamos ver entre o Vaucluse e Bouches-DU-Rhône, exatamente onde está o Luberon. Foi tão difícil que eu não sei dizer como é que chegamos ao site do Le Mas des Etoiles. Eu e minha assistente-passageira-e-esposa Tati rodamos todos os sites conhecidos até chegarmos ao Le Mas. Aliás, Le Mas significa um pequeno sítio em francês da Provence.

O casal Forest (cuidado, não vai falar em inglês, fale “FÓrrestê”.) é excepcional. Eu quero ser como eles quando crescer. Eles já viajaram boa parte do mundo, moraram na Argentina, nos EUA e escolheram o Luberon para enfiar todas as economias e construir a casa onde pretendem passar o resto da vida. Para financiar o sonho, eles construíram dois quartos destacados da casa principal, abriram outros três dentro da casa e assim, passaram a receber gente de tudo quanto é lugar.

A gente já foi um com a cara do outro no processo de reserva, François sempre muito simpático em seus e-mails, comentou que tem primos em Curitiba, que os passeios não seriam muito pesados para uma gestante e com algumas semanas de antecedência, ele me ajudou a preparar tudo sobre a região. Deu instruções exatas de como chegar, falou sobre os restaurantes e atrações, ou seja, fez tudo o que o Concièrge do Ritz de Paris deveria fazer, mas duvido que faça para quem paga quarto Standard.

O quarto “des Anges” foi uma ótima escolha. É o quarto mais bonito da casa. Repleto de recordações da família, livros da Annette, fotos, bem iluminado. Tem um chuveiro excelente, uma cama ótima, um terraço e jardim exclusivos e o melhor, ali você tem total privacidade, você não se dá conta de que está na casa de alguém. Não que você precise se preocupar com isso, o casal Forest é nada inconveniente.

Logo que chegamos, François me emprestou um mapa Michelin. Eu já tinha um Michelin com as estradas de toda a Europa, ainda assim ele me emprestou o mapa de Vaucluse que contém todas as pequenas estradinhas vicinais que na verdade funcionam quase como boulevards no Luberon. A cada dois ou três km, você chega a um novo village e são nesses villages que estão as atrações, os restaurantes, o melhor da Provence!

O François também me entregou uma lista com as atrações preferidas pelos hóspedes separadas por categorias. Os melhores passeios para esportistas, para famílias, os melhores restaurantes por cada faixa de preço, não escapa nada. A Annette fazia as reservas, cuidava para que o café da manhã estivesse pronto no momento em que saíamos do quarto. Ela ainda foi responsável pelo programa mais legal que fizemos em Lês Baux ao qual pretendo dedicar um post exclusivo em alguns dias.

Sem o conforto, a hospitalidade e as dicas dos Forest, não teríamos aproveitado tanto nossa estada na região. No próximo post, passo as dicas dos vilarejos do Luberon e Vaucluse.

Provence: Parc DU Verdon & Moustiers Ste Marie

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Sim, o DU tem que estar em maiúsculo, pois eu adoro escrever esse negócio: “DU”. Acho engraçado. É “DU” Verdon, é “DU” Quebec – como diria a Mari, diretora do Gira Mundo, atual correspondente em Miami e ex-correspondente du Quebec. E o negócio é que o Verdon é mesmo “DU Carrâmba!”.

Lá no passado, quando eu me surpreendi ao descobrir que a Provence estava pertinho do mar, eu não tinha idéia de que, também na Provence, tinha um lugar tão surpreendente quanto o Verdon. O melhor “DU” Verdon é que ele está no caminho “DU” Var e “DU” Vaucluse que, como eu já havia dito em posts anteriores, formam o melhor DA Provence (acho melhor parar por aqui com o “DU”).

Nós conhecemos o Verdon quando seguíamos de St Paul de Vence para a parada seguinte em Moustiers-Ste Marie na divisa do Var com Alpes-Haute Provence.

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O rio Verdon forma um canyon de águas esverdeadas, produto do derretimento dos Alpes. Ao longo desse canyon, seguem duas lindas e pequenas estradas, a D71 e D952, uma de cada lado do Canyon e que estão igualmente marcadas em verde pelo Guia Michelin. Se você não conhece, o guia Michelin de estradas marca em verde os trechos das estradas em que o cenário vale a pena. E neste trecho, ambos os lados são dignos de nota. A estrada é alta e bem estreita, com lindos “belvédères”. Infelizmente o tempo não estava bom, mas ainda assim, o Verdon vai ficar na memória. Até porque o final marcava uma surpresa para nós: ao passar pelo trecho mais estreito do canyon, a cor da água ficava mais intensa.

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Ao final, quando a chuva realmente não conseguiu mais esperar nosso passeio terminar para cair, paramos para almoçar na pequena Aiguines que fica já perto de Moustiers, no finalzinho do canyon. E São Pedro avisou que “agora, só amanhã”. O tempo não iria melhorar naquele dia.

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A nossa próxima parada foi num hotel à altura do que havíamos deixado para trás. Eu esperava bastante, pois este não seria um hotel qualquer, mas um hotel gourmet, um hotel comandado por um respeitado chef “da modinha”: Alain Ducasse. Já era então de se esperar que o La Bastide de Moustiers tivesse em seu restaurante um dos pontos altos de toda a região.

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Por isso, já que estava chovendo e o hotel prometia, era melhor mesmo correr para curtir o hotel. Que decisão mais sábia. O hotel havia nos reservado um quarto especial e dormimos “de sonhar” como crianças até a hora do jantar… E que jantar… Aquilo foi uma experiência gastronômica. Todos os meus preconceitos sobre a culinária francesa caíram por terra nesta viagem e o principal deles era sobre a quantidade. O chef dos bons restaurantes sempre manda um “petit” qualquer coisa antes da entrada para abrir seu apetite, pode ser um creme de qualquer coisa, mas caprichadíssimo, de forma que o seu apetite é aberto em grande estilo. Depois, vem entrada, o prato principal, um sortimento de queijos finos (o meu queijo de lavanda era tão bom que passei a questionar se esse negócio de reserva de mercado e subsídio a pequenos agricultores bancados pela União Européia não deveria mesmo ser mantido pelo menos para as tais vacas alimentadas por lavanda), tem a sobremesa e o café que, embora não seja nem de perto tão bom quanto o italiano, vem acompanhado de mais alguns pequenos doces, sempre surpreendentes. Não dá para passar fome e os jantares foram ficando melhores a cada dia.

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E como São Pedro é santo protetor do Gira Mundo, o amanhecer foi espetacular. Um dia de sol e temperatura exata para um passeio neste vilarejo incrustado na montanha. Eu preciso dizer também que o Alain Ducasse não dá a menor bola para café da manhã. Fraquíssimo. Apesar de nos servir num jardim externo bem bonito, o café fica devendo e muito!

Moustiers foi fundada nos tempos das Cruzadas, é linda, pequena, habitada, autêntica, tem um pequeno riacho límpido que a corta e se você gosta de consumir, é o lugar da cerâmica faiança, ou faïence para os frescos e franceses. Nós preferimos mesmo gastar no hotel e no jantar. Levamos apenas uma garrafa de água de Moustiers.

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Ainda um bom passeio, é subir à igreja de Notre-Dame-de-Beauvoir e, como o nome da igreja já indica, vislumbrar os belos campos da Provence por cima de todo o vilarejo. Com minha melhor e única passageira grávida, então de três meses, achei melhor não subirmos para não exagerar no esforço, mas fica dada a dica. Pelo que eu vi ali, se eu fosse você, eu subiria. Eu continuo com Vaucluse e Luberon na próxima.