Arquivo da categoria: Blue List Gira Mundo

Atrações imperdíveis

Viena: Você acha que carrega o mundo nas costas?

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É porque você não foi a Biblioteca Nacional Austríaca em Viena.

Dá uma olhada no cidadão carregando o mundo nas costas desde os tempos do Barroco!

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Foi de longe o prédio que mais me impressionou em Viena! Uma Catedral para livros erguida pelos Habsburgos para ser a biblioteca da família!!! Fica num anexo do Palácio Imperial Hofburg.

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E quem passa pela rua e observa a singela portinha é incapaz de imaginar tamanha beleza interior 🙂

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Só no Rio de Janeiro tem vôo panorâmico grátis!

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Vôo panorâmico grátis! Confira essa mega-promoção permanente nos sites da Gol e da TAM.

(Promoção válida para bilhetes comprados de e para o Rio de Janeiro, aeroporto Santos Dumont).

Não dá pra competir. Não existe outra cidade que te receba assim como o Rio de Janeiro. Ao menos não num Boeing ou num Airbus!

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Só uma cidade segura de si e do seu merecido título “Maravilhosa” se mostra assim para seus visitantes, antes mesmo que eles possam “tocá-la”.

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Clara ansiosíssima para conhecer o Rio!

Como fotógrafo, eu não passo de um turista com boa vontade. Minha câmera é automática e o tempo nem estava grandes coisas (havia acabado de chover no Rio quando chegamos) e, ainda assim, essa primeira foto da janela do avião me lembra muito aquele cartão postal tradicional que a gente vê mundo afora quando encontra uma imagem do Brasil.

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Se você for ver bem, o Galeão nem é tão longe assim. Para quem vai à Zona Sul (por exemplo), através da Linha Vermelha e com o Túnel Rebouças aberto, dá QUASE para pensar que você faz um bom negócio ao economizar uns tostões no bilhete para chegar ao Rio via Ilha do Governador.

Mas a verdade é que você perde o vôo panorâmico grátis! Pronto, o que era mais barato, acabou de ficar caro.

O vôo de helicóptero que parte da Urca é inacreditável. Especialmente o giro em torno do Cristo Redentor, é lindo demais. Recomendadíssimo! Mas em 8 minutos custa quase o bilhete da ponte aérea! Chegando ao Rio pelo Santos Dumont, você ganha uma barrinha e um vôo panorâmico!

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Arcos da Lapa

E quem diria, a julgar pelo quadro de informações de vôos do aeroporto, descer no Santos Dumont é um privilégio quase exclusivo para paulistas. Mais de 95% de todos os vôos que chegam e partem do Santos Dumont tem como origem e destino São Paulo.

Ô gente! O negócio é aproveitar porque pensando bem, a ponte aérea tá é barata!

Travessia Lençóis-Jeri: da Ilha do Caju à Jeri, via Parnaíba.

Ao final de nossa estada na Ilha do Caju, uma voadeira contratada com a Clipecoturismo viria nos buscar em um horário qualquer a ser determinado pela maré, seguiríamos para Parnaíba onde dormiríamos e no dia seguinte, nosso jipe, fretado também com a Clip, nos levaria à Jeri.

Era pra ser só isso, mas foi muito mais! Nesse trechinho de viagem, tivemos a maior surpresa positiva da nossa viagem. Nós nos hospedamos na Casa Ingleza (sim, com Z mesmo, do Português do Brasil Colônia).

O que aconteceu foi que a Ingrid Clark (a herdeira da ilha do Caju) havia oferecido nos hospedar na pousada que ela mesma tem em Parnaíba e que fica na casa onde ela mora.

Por um momento titubeamos, mas o pessoal da própria Clip falou: “Dona Ingrid convidou, então vá, vocês não vão se arrepender”. Confesso que achei estranho precisar de convite para me hospedar em uma pousada. Se o lugar é tão legal, por que é que não está no Guia Brasil?

Eu ainda não sei bem dizer se a Pousada de Ingrid em Parnaíba é uma pousada ou não. É uma pousada porque ela cobra diária e oferece todos os serviços de hotel, não é como se hospedar na casa de alguém. Você tem total privacidade, serviços e conforto que só um hotel pode te dar. Por outro lado, a pousada não recebe divulgação alguma, fica dentro do casarão colonial onde a família mora em Parnaíba e todos os hóspedes parecem ter sido indicados ou convidados.

A Casa Ingleza foi fundada por um comerciante inglês que chegou à Parnaíba para abastecer a região com tudo aquilo que ainda não se produzia no Brasil e que precisava vir da Europa (maquinário, tratores e toda sorte de produtos industrializados da época). A região de Parnaíba vivia uma fase próspera e havia mercado para tudo que viesse da nossa Metrópole (que naquela altura era a Inglaterra 😛 ).

A história está até no site hoje, mas transcrevo aqui. James Clark veio da Inglaterra para trabalhar na Casa Ingleza e formou a família mais rica de todo o Piauí. Em paralelo ao comércio, os Clark prosperaram de tal forma com a cera de carnaúba que contribuíram com estradas de ferro e as primeiras instalações elétricas que moveram os negócios da família e iluminaram a região.

O casarão colonial que abrigava o comércio desde o início do século XIX foi crescendo na medida em que os Clark enriqueciam. A parte superior virou a casa sede da família e um pátio interno ao melhor estilo lusitano foi construído dentro do casarão. Depois, mais um piso foi levantado, onde hoje vive a família de Ingrid Clark.

Você se lembra do ditado: “Pai rico, filho nobre, neto pobre”. Não me pareceu bem uma verdade com os descendentes dos Clark, mas ao que indica, os descendentes nobres migraram para o Rio de Janeiro e a fortuna da família foi meio diluída entre dezenas de herdeiros. Ao que consta na cidade, a Casa Ingleza ficou anos e anos fechada, caindo pelos pedaços, invadida por mendigos, sendo corroída pelo tempo e pela falta de manutenção e cuidado.

Ninguém da família se interessava nem pela Ilha do Caju e nem pela Casa Ingleza até que Ingrid resolveu deixar o Rio para viver em Parnaíba.

Ao que me pareceu com todos que conversei na cidade, os locais reconhecem o trabalho de restauração que Ingrid tem feito tanto na Ilha quanto na Casa Ingleza. Ela trouxe móveis, fotografias e documentos históricos da família e reconstituiu o casarão colonial que ela agora quer tombar para que se transforme num marco histórico da cidade. O casarão carrega a história daquela região do Piauí. Sem querer bajular a falante Ingrid, é louvável que ela receba estudantes da região em sua casa museu, auxilie artesãs na criação de peças de bom gosto aos olhos dos turistas, adicionando valor às suas obras. Ficamos bem impressionados.

O casarão foi totalmente reconstituído com peças da época. Ficou um espetáculo. A sala de estar gigante está permanentemente aberta ao pátio interno da casa. As cinco suítes são decoradas com objetos da família, fotos, etc. Tudo o que pôde foi modernizado para dar conforto do século XXI aos hóspedes. As casas de banho foram adaptadas para dar água corrente e quente aos hóspedes respeitando às condições que o Patrimônio Histórico exige para tombar o casarão. A casa toda está recheada de utensílios e objetos coloniais garimpados das casas dos herdeiros do Rio de Janeiro. Nós jamais pensávamos que Parnaíba guardaria essa surpresa para nós.

A dois quarteirões dali, está o Porto das Barcas, o principal ponto turístico de Parnaíba. Estávamos na baixa temporada e durante a semana, então estava tudo meio fechado e havia apenas dois restaurantes onde poderíamos jantar.

Escolhemos o que tinha mesas ao lado do rio. Precisei voltar à Casa para buscar repelente, pois os mosquitos da cidade não estão em equilíbrio com a natureza como seus primos da ilha do Caju. Em Parnaíba, eles queriam nos jantar.

O jantar foi delicioso, barato e gostoso. À beira do rio, descobrimos que o garçom havia trabalhado no restaurante Portucho, em São Paulo, onde a Tati costuma almoçar. Na mesa ao lado, turistas portugueses… Em Parnaíba? Os dez milhões de portugueses realmente redescobriram o Brasil!

Fomos dormir em nosso casarão (de novo, éramos os únicos hóspedes) colonial, eu me senti o próprio James Clark olhando pela enorme janela do nosso quarto e a Tati a “sinhá de Parnaíba”.

No dia seguinte, um banquete no café da manhã. Provamos todos os sucos de frutas típicas da região que eu achei que já tivesse conhecido, comemos biju, provamos todos os bolos que a quituteira da Casa Ingleza quis nos servir. Valeu por um almoço.

Em seguida, nosso jipe contratado pela Clip foi nos buscar na pousada. A própria agência fica ali ao lado. Demos uma volta pela cidade para nos despedir da simpática Parnaíba.

A estrada asfaltada que percorre o litoral do PI até a divisa com o CE indicou que este trecho de litoral precisa de investimentos para não ser apenas um balneário para o pessoal de Teresina. Não tem nada de infra-estrutura e o que tem não me agradou.

Já no Ceará, passamos por Camocim, outra cidade do interior bem simpática. Tentei achar um caixa eletrônico, mas se em Parnaíba que é a segunda cidade do Piauí só tinha Banco do Brasil e Bradesco, não seria em Camocim que eu encontraria um Banco 24 Horas, não é verdade? Bom, eu queria apenas ficar mais precavido, porque eu já estava carregando cash suficiente para minha estada de uma semana em Jeri, onde eu estava ciente de que cartões de crédito e cheques estavam sendo amplamente aceitos.

Ao cruzar a foz do rio em Camocim que nos levaria à Tatajuba e depois a Jeri, fomos sentindo o afastamento da civilização novamente.

Cruzamos mais algumas balsas até que Jeri foi aparecendo ao longe e eu não podia acreditar naquilo que eu estava vendo.
Um fato que havia nos encantado em nossa primeira visita à Jeri é que a vila crescia para dentro, não ocupando a faixa de praia, preservando a paisagem praticamente intocada. E não é que agora parecia que havia uma construção sendo levantada entre as palmeiras, em cima das pedras bem na ponta do vilarejo. Fiquei com muita raiva ao descobrir que era “a nova sede do IBAMA”. Ah, lamentável, além de não cuidar de Jeri, eles tinham que construir ali? Não dá!!!!

Bom, eu estava com medo de não gostar tanto de Jeri na segunda vez, mas não foi assim não. Jeri estava deliciosa, com mais opções de conforto, mais opções gastronômicas, melhores pousadas e com a mesma beleza natural.

Se você for a Jeri na baixa temporada e fora de qualquer feriado, você vai curtir e concluir que poucos lugares oferecem um ambiente tão despojado, simpático, lindo e com tantas opções de conforto para comer e dormir. Até a próxima.

Turim: Museu Nacional do Cinema

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Já que é para desviar o assunto um pouquinho da França dos meus últimos posts para entrar na Itália, achei que faria sentido começar por Turim, a maior cidade italiana antes da fronteira com a França.
Eu nunca pensei em conhecer Turim, mas Turim acabou aparecendo na minha frente e essa é uma outra história que vou contar num outro post.

Hoje, eu quero falar apenas sobre o Museu Nacional do Cinema Italiano que inaugura a categoria “Blue List Gira Mundo”. Sim, eu vou conferir depois, com calma, se o Museo Nazionale del Cinema está no Blue List do Lonely Planet. Se não estiver, merecia estar. E se não estiver, ao menos na minha humilde lista estará. 😛

A primeira coisa legal sobre este lugar é que ele pode ser visto de qualquer ponto do centro de Turim. O museu foi montado na Mole Antonelliana, uma construção que foi originalmente projetada para ser uma sinagoga. Possivelmente, o ímpeto por construir uma grande sinagoga logo após a liberação do culto judaico na Itália reunificada levou o construtor à megalomania, a sinagoga ficou alta demais para sua base e sofreu muito com sua instabilidade ao longo das décadas… Por isso, ou talvez por não haver fiéis suficientes para manter o espaço, tudo o que havia foi convertido no Museu do Cinema Italiano.
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Na primeira ala, estão expostos os materiais óticos utilizados em projeções de slide que foram os pais do cinema mudo. Em seguida, há uma mostra de técnicas primitivas utilizadas no cinema antigo e o visitante participa com sua própria imagem projetada pelos equipamentos. Interativo e divertido.

Há ainda uma coleção imensa de pôsteres de filmes antigos que desembocam numa área com cenários dispostos numa seqüência cronológica que dão uma dimensão da evolução da indústria. Demais!
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Mas, o ponto alto está mesmo no meio do museu onde há um vão de 150 metros entre o chão e a cúpula da construção. Nesse espaço central foram colocadas dezenas de poltronas para que os visitantes possam deitar e assistir a trechos de filmes antigos num telão imenso. Há momentos em que as cortinas da cúpula são fechadas para que o ambiente fique escuro e assim possam ser feitas projeções no teto da cúpula. Um espetáculo! É lógico que eles pensaram no som também, há alto falantes dos dois lados de cada poltrona. Total qualidade de som direto nos seus ouvidos e sem incomodar ninguém que esteja passando ao seu lado.
E mais, da parte central do espaço, sai uma passarela em espiral que percorre as laterais da construção com pôsteres de artistas italianos promovendo seus filmes, algo que minha mãe adoraria ter visto.
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No grand finale, você toma um elevador que sobe pelo meio da construção até a cúpula a 160m de altura. De lá, há um mirante de onde dá para ver toda a cidade de Turim e se a poluição não fosse tão pesada, os Alpes também.

Fantástico, se Turim não fosse tão legal, já valeria a pena ir até lá só para conhecer este museu.

Les Baux de Provence: Cathedrale d´Images

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Trata-se de uma idéia simples: o idealizador, Albert Plécy foi um jornalista que se dedicou à fotografia e o uso da imagem para transmitir o seu trabalho.
Ele passou anos fazendo estudos sobre fotografia, estimulando novos profissionais e fazendo mostras ao redor do mundo até que teve a grande e simples idéia de utilizar uma antiga pedreira de bauxita e pedra calcária ao lado de Les Baux de Provence para projetar imagens e criar o que ele batizou de Cathedrale d´Images.

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Este é o melhor programa pago de toda a Provence. E é uma dica exclusiva do Gira Mundo. Sim, sem modéstia nenhuma, pois este lugar está aberto ao público há 30 anos e eu não me conformo de não ter visto em nenhum guia ou revista de viagens uma matéria indicando este lugar como ele merece.

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Dentro desse espaço de 4000m2 e com paredes de 12m de altura, há uma mostra diferente a cada ano. O tema de 2006 foi a obra de Cézanne em homenagem aos 100 anos de sua morte. A entrada da pedreira foi fechada para que lá dentro a escuridão fosse total. A apresentação começa e reinicia a cada 30 ou 40 minutos, sempre ao som de boa música erudita, mas você passa facilmente 2 horas lá dentro, vendo e revendo sempre impressionado com a beleza dessa idéia tão inusitada. Os seus olhos não querem mais ir embora.

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A mostra de 2007 é de imagens de Veneza. E eu preciso dizer que mais uma vez, nós só descobrimos este lugar porque este é um dos lugares favoritos da Annette Forest do Le Mas des Etoiles.