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Praia Jabaquara, Seychelles

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Eu descobri as Seychelles há uns 10 anos na capa de uma revista Terra, linda!

Bem grande, na capa, havia uma foto de pedras gigantes de granito juntinho da praia com uma vegetação exuberante por trás. Bastou aquela foto para que o arquipélago das pedras de granito passasse a fazer parte do meu imaginário turístico.

A Tati é louca para conhecer Seychelles. Eu também, lógico. Infelizmente, essa é uma viagem que ainda não aconteceu mas, sem querer, a gente descobriu que esse paraíso estava mais perto de casa do que a gente pensava…

E não, não foi a Emirates que nos mostrou isso 🙂 .

(O esforço de marketing dessa companhia que opera vôos diretos entre SP e Dubai é tão forte no meio turístico que qualquer um agora já sabe: chegar às Seychelles com a Emirates é mais rápido que chegar ao Freeport de Ilhabela no Reveillon!).

Foi no final de agosto quando a Tati tomou a sábia decisão de passar uma semana com a Clara e os avós em Ilhabela, para “celebrar” o final da licença maternidade em grande estilo, que a gente descobriu a praia Jabaquara, na costa norte da ilha.

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Que praia! Alguém diz por essa foto que era inverno? Nós estávamos hospedados na ótima praia do Viana e o tempo estava limpo, mas com vento tão forte que não dava pra pensar em entrar no mar. É que na face da ilha que está virada para o continente o vento fica canalizado, perfeito para os amantes dos esportes de vela, mas não para nós que queríamos apenas tomar um banho de mar sem frio.

Como o papai aqui só desceu a serra nos finais de semana de folga do trabalho, deixamos os avós (que passaram a semana toda lá com elas) disputando a Clara na pousada e saímos meio que sem destino de carro. Não vestimos roupa de banho, nada, o objetivo era apenas apreciar a paisagem, parecia até um pouco frio para entrar no mar.

Ao “sobrevoar” a praia Jabaquara ou Seychelles-paulista, sentimos na pele que o clima ali era de verão: não havia vento, nem nuvens, o tempo estava lindo e, na primeira caminhada, vimos os granitos no canto direito da praia.

Imediatamente, a Tati lembrou das fotos de Seychelles. Ela tinha toda razão!

Que vontade de nadar!!!

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Putz, mas sem roupa de banho? Vamos voltar para o meio da praia e tomar uma caipirinha.

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Bastou meia caipirinha e a constatação de que a praia estava deserta para voltarmos para o canto seycheliano da praia, esconder quase todas as peças de roupa entre os granitos e tchibum!!!!

Que delícia foi mergulhar em Seychelles!

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Travessia Lençóis-Jeri: da Ilha do Caju à Jeri, via Parnaíba.

Ao final de nossa estada na Ilha do Caju, uma voadeira contratada com a Clipecoturismo viria nos buscar em um horário qualquer a ser determinado pela maré, seguiríamos para Parnaíba onde dormiríamos e no dia seguinte, nosso jipe, fretado também com a Clip, nos levaria à Jeri.

Era pra ser só isso, mas foi muito mais! Nesse trechinho de viagem, tivemos a maior surpresa positiva da nossa viagem. Nós nos hospedamos na Casa Ingleza (sim, com Z mesmo, do Português do Brasil Colônia).

O que aconteceu foi que a Ingrid Clark (a herdeira da ilha do Caju) havia oferecido nos hospedar na pousada que ela mesma tem em Parnaíba e que fica na casa onde ela mora.

Por um momento titubeamos, mas o pessoal da própria Clip falou: “Dona Ingrid convidou, então vá, vocês não vão se arrepender”. Confesso que achei estranho precisar de convite para me hospedar em uma pousada. Se o lugar é tão legal, por que é que não está no Guia Brasil?

Eu ainda não sei bem dizer se a Pousada de Ingrid em Parnaíba é uma pousada ou não. É uma pousada porque ela cobra diária e oferece todos os serviços de hotel, não é como se hospedar na casa de alguém. Você tem total privacidade, serviços e conforto que só um hotel pode te dar. Por outro lado, a pousada não recebe divulgação alguma, fica dentro do casarão colonial onde a família mora em Parnaíba e todos os hóspedes parecem ter sido indicados ou convidados.

A Casa Ingleza foi fundada por um comerciante inglês que chegou à Parnaíba para abastecer a região com tudo aquilo que ainda não se produzia no Brasil e que precisava vir da Europa (maquinário, tratores e toda sorte de produtos industrializados da época). A região de Parnaíba vivia uma fase próspera e havia mercado para tudo que viesse da nossa Metrópole (que naquela altura era a Inglaterra 😛 ).

A história está até no site hoje, mas transcrevo aqui. James Clark veio da Inglaterra para trabalhar na Casa Ingleza e formou a família mais rica de todo o Piauí. Em paralelo ao comércio, os Clark prosperaram de tal forma com a cera de carnaúba que contribuíram com estradas de ferro e as primeiras instalações elétricas que moveram os negócios da família e iluminaram a região.

O casarão colonial que abrigava o comércio desde o início do século XIX foi crescendo na medida em que os Clark enriqueciam. A parte superior virou a casa sede da família e um pátio interno ao melhor estilo lusitano foi construído dentro do casarão. Depois, mais um piso foi levantado, onde hoje vive a família de Ingrid Clark.

Você se lembra do ditado: “Pai rico, filho nobre, neto pobre”. Não me pareceu bem uma verdade com os descendentes dos Clark, mas ao que indica, os descendentes nobres migraram para o Rio de Janeiro e a fortuna da família foi meio diluída entre dezenas de herdeiros. Ao que consta na cidade, a Casa Ingleza ficou anos e anos fechada, caindo pelos pedaços, invadida por mendigos, sendo corroída pelo tempo e pela falta de manutenção e cuidado.

Ninguém da família se interessava nem pela Ilha do Caju e nem pela Casa Ingleza até que Ingrid resolveu deixar o Rio para viver em Parnaíba.

Ao que me pareceu com todos que conversei na cidade, os locais reconhecem o trabalho de restauração que Ingrid tem feito tanto na Ilha quanto na Casa Ingleza. Ela trouxe móveis, fotografias e documentos históricos da família e reconstituiu o casarão colonial que ela agora quer tombar para que se transforme num marco histórico da cidade. O casarão carrega a história daquela região do Piauí. Sem querer bajular a falante Ingrid, é louvável que ela receba estudantes da região em sua casa museu, auxilie artesãs na criação de peças de bom gosto aos olhos dos turistas, adicionando valor às suas obras. Ficamos bem impressionados.

O casarão foi totalmente reconstituído com peças da época. Ficou um espetáculo. A sala de estar gigante está permanentemente aberta ao pátio interno da casa. As cinco suítes são decoradas com objetos da família, fotos, etc. Tudo o que pôde foi modernizado para dar conforto do século XXI aos hóspedes. As casas de banho foram adaptadas para dar água corrente e quente aos hóspedes respeitando às condições que o Patrimônio Histórico exige para tombar o casarão. A casa toda está recheada de utensílios e objetos coloniais garimpados das casas dos herdeiros do Rio de Janeiro. Nós jamais pensávamos que Parnaíba guardaria essa surpresa para nós.

A dois quarteirões dali, está o Porto das Barcas, o principal ponto turístico de Parnaíba. Estávamos na baixa temporada e durante a semana, então estava tudo meio fechado e havia apenas dois restaurantes onde poderíamos jantar.

Escolhemos o que tinha mesas ao lado do rio. Precisei voltar à Casa para buscar repelente, pois os mosquitos da cidade não estão em equilíbrio com a natureza como seus primos da ilha do Caju. Em Parnaíba, eles queriam nos jantar.

O jantar foi delicioso, barato e gostoso. À beira do rio, descobrimos que o garçom havia trabalhado no restaurante Portucho, em São Paulo, onde a Tati costuma almoçar. Na mesa ao lado, turistas portugueses… Em Parnaíba? Os dez milhões de portugueses realmente redescobriram o Brasil!

Fomos dormir em nosso casarão (de novo, éramos os únicos hóspedes) colonial, eu me senti o próprio James Clark olhando pela enorme janela do nosso quarto e a Tati a “sinhá de Parnaíba”.

No dia seguinte, um banquete no café da manhã. Provamos todos os sucos de frutas típicas da região que eu achei que já tivesse conhecido, comemos biju, provamos todos os bolos que a quituteira da Casa Ingleza quis nos servir. Valeu por um almoço.

Em seguida, nosso jipe contratado pela Clip foi nos buscar na pousada. A própria agência fica ali ao lado. Demos uma volta pela cidade para nos despedir da simpática Parnaíba.

A estrada asfaltada que percorre o litoral do PI até a divisa com o CE indicou que este trecho de litoral precisa de investimentos para não ser apenas um balneário para o pessoal de Teresina. Não tem nada de infra-estrutura e o que tem não me agradou.

Já no Ceará, passamos por Camocim, outra cidade do interior bem simpática. Tentei achar um caixa eletrônico, mas se em Parnaíba que é a segunda cidade do Piauí só tinha Banco do Brasil e Bradesco, não seria em Camocim que eu encontraria um Banco 24 Horas, não é verdade? Bom, eu queria apenas ficar mais precavido, porque eu já estava carregando cash suficiente para minha estada de uma semana em Jeri, onde eu estava ciente de que cartões de crédito e cheques estavam sendo amplamente aceitos.

Ao cruzar a foz do rio em Camocim que nos levaria à Tatajuba e depois a Jeri, fomos sentindo o afastamento da civilização novamente.

Cruzamos mais algumas balsas até que Jeri foi aparecendo ao longe e eu não podia acreditar naquilo que eu estava vendo.
Um fato que havia nos encantado em nossa primeira visita à Jeri é que a vila crescia para dentro, não ocupando a faixa de praia, preservando a paisagem praticamente intocada. E não é que agora parecia que havia uma construção sendo levantada entre as palmeiras, em cima das pedras bem na ponta do vilarejo. Fiquei com muita raiva ao descobrir que era “a nova sede do IBAMA”. Ah, lamentável, além de não cuidar de Jeri, eles tinham que construir ali? Não dá!!!!

Bom, eu estava com medo de não gostar tanto de Jeri na segunda vez, mas não foi assim não. Jeri estava deliciosa, com mais opções de conforto, mais opções gastronômicas, melhores pousadas e com a mesma beleza natural.

Se você for a Jeri na baixa temporada e fora de qualquer feriado, você vai curtir e concluir que poucos lugares oferecem um ambiente tão despojado, simpático, lindo e com tantas opções de conforto para comer e dormir. Até a próxima.

Travessia Lençóis-Jeri: a Ilha do Caju

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Cavalgar da praia até a sede da fazenda onde fica a pousada da Ilha do Caju foi só o começo do choque de natureza a que eu e a minha passageira-que-dorme-com-o-guia Tati seríamos expostos durante os três dias que ficamos lá.

A Ilha do Caju é selvagem! Mas nem sempre foi assim tão selvagem. Ela já foi mais explorada do que é hoje quando na virada do século XX era explorada como fazenda de gado e bem antes ainda, na fase áurea da carnaúba que atraiu milhares de europeus para este canto do Brasil. Aquele foi o tempo em que o “petróleo” jorrava do Piauí e Maranhão!

Hoje, a ilha é integralmente uma reserva ambiental privada onde delicados ecossistemas de manguezais, dunas, campos alagados e matas são preservados.

A ilha do Caju é uma propriedade particular. Sim, tem dono, mas o dono cuida do local e isso me deixou mais tranqüilo. Aliás, é uma dona, Ingrid Clark, a simpaticíssima e falante proprietária da pousada da Ilha do Caju e de toda a ilha propriamente dita, compreende a riqueza do patrimônio que herdou. Ela recuperou a pousada, cuida para que a ilha seja mantida preservada, promove o estudo e recebe pesquisadores e estudantes interessados em descobrir e cuidar das espécies do Caju.

Enquanto os cientistas e estudantes acampam na praia e pegam carona nas voadeiras fretadas pelos turistas para chegar até lá, os hóspedes ficam instalados em charmosos chalés onde não há ar-condicionado, nem TV ou água quente, mas a cama é gigante e o colchão e os travesseiros são melhores do que muito hotel bacana por aí.

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Este lugar é um parque temático para eco turistas graduados, ambientalistas e radicais defensores da natureza em geral que disponham de algum dinheiro. A combinação isolamento + conforto não é muito barata, uma diária não sai por menos de R$ 180,00, sem os passeios na ilha.

É uma delícia curtir o isolamento… como foi bom saber que por 3 dias, o mundo poderia acabar e nós não seríamos informados. Como foi gostoso saber que éramos os únicos hóspedes daquele paraíso e que ninguém iria nos incomodar ali. O fato de estarmos numa ilha ajudou a criar a sensação de que estávamos desembarcando em um outro tempo, mais ou menos uns dois ou três séculos atrás quando existiam ainda muitos recantos para se descobrir na nossa costa. Foram três dias acordando e dormindo com a natureza. Não precisávamos de relógio para nada, acordávamos quando o sol nascia, dormíamos quando o sol baixava, um pouco antes da revoada dos guarás…

O legal é que você não precisa dormir em barraca, ficar sem tomar um bom banho ou comer mal para curtir tudo isso. A pousada é bem confortável. Como estávamos sozinhos, todos os 10 funcionários estavam ali em nossa função. Os horários em que os funcionários acordavam, montavam o café da manhã, o almoço e o jantar eram determinados pelos nossos passeios, no nosso horário de acordar, de passear de cavalo, de ver a revoada dos guarás, do cochilo da tarde, etc. O tipo do bolo do café da manhã, os pratos do almoço e do jantar, o horário, tudo estava em função do nosso gosto, do nosso paladar, fomos os donos da fazenda por 3 dias! Quando você vê o isolamento do lugar, você entende que não é muito barato manter tudo aquilo. O custo alto faz algum sentido.

Num lugar tão isolado e sem outros hóspedes, passamos muito tempo em contato com os funcionários. Sim, porque a moça que limpa o quarto é a que ajuda a preparar o pão no café da manhã e esposa do rapaz que te leva como guia nos passeios… Por tudo isso, adoramos o contato com o pessoal da ilha, é uma delícia ficar na rede depois do jantar batendo papo com eles. A Tati ajudou a fazer o pão que comemos no café da manhã no dia seguinte. Fomos todos para a cozinha! Como é diferente a vida e a rotina de pessoas que vivem em função e no ritmo da natureza. Eles também são muito curiosos sobre a nossa vida na cidade grande. Boa parte dos hóspedes é estrangeira e por isso não é com todos os hóspedes que eles conseguem se comunicar. Os brasileiros, quando vão ao Caju, acabam não gostando da rusticidade do lugar. Os estrangeiros adoram!!! No dia em chegamos, partiam duas curitibanas que odiaram o lugar. Nós odiamos elas!!!! Ainda bem que elas sumiram logo.

Eu preciso lembrar você que lê este relato de que você precisa estar muito preparado para visitar a Ilha do Caju. Se você ficar apenas um dia, não vai dar tempo de perceber o lugar especial em que você desembarcou, se você não for com o espírito certo de aventura, uma boa dose de bom humor e bem equipado seguindo as instruções do pessoal, você não vai gostar!!!!! E é por essas e outras que é muito difícil conseguir chegar à Ilha do Caju.

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Não pense que a pousada viva lotada, nem que é tão difícil chegar lá a partir de Parnaíba, mas é que é difícil convencer a equipe de Ingrid Clark de que você está pronto para conhecer um lugar tão selvagem. É quase como se você mandasse um e-mail solicitando a reserva e eles respondessem: “Tem certeza?”

Sim, eles querem ter certeza de que você sabe onde está se metendo. Quando você manda um e-mail solicitando uma reserva, eles avisam que vão pedir o adiantamento de 100% e que só devolverão se você avisar com 30 dias de antecedência. Eles ainda te mandam uma lista de dicas e recomendações de 7 páginas que precisa ser assinado pelo hóspede, mais um check list com itens que devem ser levados e adquiridos em lojas de esportes e aventura, tipo Decathlon. Sério, eles te avisam tudo, até que vai ter uma baby perereca no seu banheiro, que existem bichos não catalogados, que não tem soro antiofídico, que tem mosquitos, moscas, marimbondos, cobras, não há TV, pode chover forte e alagar parte da ilha, não há música, não há telefone, não há como ser contactado, o acesso em emergências é limitadíssimo, etc, etc, etc. São mais de 50 instruções. A Ingrid disse que toda vez que ouve uma reclamação de algum hóspede surpreso com alguma peculiaridade do Caju, ela adiciona à lista o item comentado. As dicas estão no site. É só conferir.
Quando desembarcamos na ilha do Caju e vimos os cavalos nos esperando para nos levar até a casa sede da fazenda onde fica a pousada, eu demorei a acreditar que aquilo era verdade!! Vamos esperar um pouco, o jipe vai aparecer… Que nada!!!!
Havia um carro na ilha, um único jipe e havia gasolina, o carro não estava quebrado, o único motivo pelo qual nenhum dos funcionários da ilha não havia ido nos buscar era porque nenhum deles era capaz de ligar e guiar um jipe pela trilha até a praia. Caramba!
Carteira de habilitação nesses lugares é diploma universitário! Motorista é profissional altamente qualificado por essas bandas.

Dá para entender o motivo que levou o funcionário motorista a desistir do emprego na Ilha do Caju. O isolamento ali que é programa para turista, vira um martírio para quem não tem o perfil correto para trabalhar por lá. Felizmente, muitos têm. Dos 10 funcionários que conhecemos na pousada, todos gostam muito de viver lá e claro, sentem muita falta do continente de tempos em tempos. A gerente da pousada é uma moça de 22 anos, maduríssima. Ela comanda os outros funcionários e gerencia os mantimentos, os passeios, sabe lidar com os animais. Ela toma conta de tudo é o braço direito de Ingrid na ilha.
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Fiquei surpreso em saber de um rapaz que fazia as vezes de guia, tratador de animais e garçom que ele estava feliz por ter se mudado o Caju porque lá ele finalmente havia encontrado o sossego e segurança. Ele tinha 23 anos quando estivemos lá. Você pode achar que ele havia se mudado do Rio ou São Paulo para lá, mas ele é originalmente de uma cidade do interior do Maranhão, não tão longe dali. Lá na cidade dele, ele dizia que não tinha tranqüilidade ou segurança! Como assim? Mais um choque de realidade para a gente, a maior parte dos funcionários vieram de lugares do interior do PI e MA onde não existe ordem, nem lei e qualquer briga num arrasta-pé pode terminar em sangue e ninguém fica nem sabendo ou dando conta de nada. Coisas do Brasil que não se vê no Jornal Nacional.

Não há rádio, não há TV, não há telefone, não há água quente (não precisa), não há celular. Há um rádio para comunicação com o continente que também é utilizado para acessar a internet, a única forma de contato com o mundo exterior. O programa dos moradores-funcionários da pousada é dormir na praia e passar a noite catando caranguejo. Ver o sol nascer, cantar.

O transporte de Parnaíba até lá não é freqüente, é caro, mas funciona. A cada dois dias, mais ou menos, chega um barco com mantimentos para suprir a despensa da pousada, o combustível do gerador… O barco também leva e traz toda a roupa de cama e banho da pousada que é lavada em Parnaíba. O lixo produzido na ilha é todo levado para Parnaíba. Tudo precisa ser planejado para não desperdiçar os mantimentos.
Por isso que eles pedem 100% das reservas antecipadas. Não é a toa que eles precisam ter certeza de que você vai mesmo e de que vai gostar. A Ingrid disse que os brasileiros são os que menos apreciam a Ilha do Caju. Americanos e europeus adoram o que para eles é quase o cúmulo do exotismo. Têm portugueses que passam a lua de mel lá. Aí já é demais, faz tanto calor que “aquilo” fica até um pouco comprometido 😛

Dos passeios que fizemos, os mais gostosos foram as caminhadas à praia para ver a revoada dos guarás vermelhos. No caminho, cobras, rãs e muitos caranguejos vermelhos que supostamente deram a cor aos guarás, seu principal predador.

Um passeio pelos ecossistemas do Caju é bem longo e super cansativo. Nós nos fantasiamos de Indiana Jones e sob um sol de 35º graus, lá estávamos de Kit-Decathlon: camisa comprida e calça para não que não fossemos atacados pelos mosquitos e pudéssemos nos proteger do sol. Passamos pelos campos alagados, pela mata, pelo manguezal. Subimos as dunas puxando os cavalos e chegamos no mar. Cavalgamos pela beira do mar, na face Atlântica do Caju até o ponto em que nosso jipe nos resgataria, mas não sem antes tomar um refrescante banho de mar em nossa praia exclusiva. Que delícia! Sem roupa de banho apropriada, mas mortos de calor, entramos no mar com nossas roupas de baixo… Cena presenciada apenas pelos guarás.

As minhas fotos mais bonitas do Caju e do Delta estão todas em filme. Eu teria que desmontar meu mural para fazer o scan, mas eu achei fotos profissionalíssimas que serão capazes de convencer a qualquer um a mover montanhas para ir à Ilha do Caju. Veja no site do Alex Uchoa lindas fotos da região. O álbum desse cara é demais!!!

Fiquei com saudade da Ilha do Caju! Este post ficou tão grande que vou precisar de mais um para chegar a Jeri, mas ok, esta viagem não é mesmo para ser feita com pressa nenhuma!

Travessia Lençóis-Jeri: de Caburé à Ilha do Caju

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Depois de uma magnífica noite em Caburé, partimos para a parte mais selvagem da nossa travessia: o trecho entre Caburé até a Ilha do Caju, último ponto de nossa viagem em terras maranhenses.

A melhor pousada do Caburé é a Porto Buriti, mas ela vive lotada até durante a baixa temporada. Mesmo reservando com meses de antecedência, eu só consegui me hospedar na Pousada do Paturi.

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Ainda assim, a noite em Caburé foi memorável. Jantamos ali com uma família francesa e uma outra de São Paulo e fomos dormir assim que o gerador foi desligado, por volta das 21horas. Quando as luzes se apagam, o céu cheio de estrelas dá um show e você vai dormir pensando por que é que você não faz esse tipo de viagem com mais freqüência?…Por que é que você não vai dormir quando o sol se põe e acorda quando ele nasce?…Bom, entre esses e outros ótimos pensamentos, dormimos ali em nosso quarto aberto para a brisa que vinha do mar naquele estreito trecho de areia entre a foz do Rio Preguiças e o mar.

Antiga vila de pescadores, hoje o Caburé é basicamente um conjunto de pousadas que dá suporte ao turismo na região. Os nativos, entretanto, vivem do outro lado da margem do rio onde o vento é mais tranqüilo e não soterra as casas com a areia trazida do mar.

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Nós estivemos na outra margem do rio em Mandacaru e Atins. Mandacaru hospeda um farol de onde se tem uma vista bacana da região. Em seguida, fomos a Atins para ver o por do sol, outro espetáculo cinco estrelas! O barco chega a parar em um banco de areia formado exatamente na foz do Rio com o Oceano. Forma-se ali uma praia bem no meio do mar para você aproveitar as ondas e apreciar o fantástico por do sol no oceano.

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Vale lembrar a importância do Rio Preguiças e da vegetação da sua margem. Explicar o ciclo da natureza aqui ajuda a entender como os Lençóis se formaram e continuam a crescer.
A vegetação ao longo do rio Preguiças criou uma barreira natural para o vento que vem do Oceano e o fluxo de seu curso d’água atenua em sua foz o forte movimento das famosas e poderosas marés do Maranhão.
É isso que garante um pequeno trecho de terra salvo de marés e tempestades de areia onde os nativos habitam: Mandacaru e Atins.
Sem o Rio Preguiças, tudo seriam dunas e não haveria a divisão de Pequenos e Grandes Lençóis.
É do alto do avião que você entende que o Rio Preguiças forma um corredor verde entre as dunas chegando até o mar.
O movimento fortíssimo das marés e dos ventos continua a levar areia mais e mais para o interior e assim mais dunas são formadas cada vez mais longe e a área do parque continua crescendo. A combinação marés e ventos fortes é a explicação para um cenário de praia a 50 kms do oceano. Como esta região está longe de ser um deserto e chove regularmente durante seis meses do ano, a água se acumula entre tantas dunas.

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Foi essa combinação especial da natureza que formou os Lençóis Maranhenses. E olhando a foto acima, a gente entende o nome Lençóis…
O movimento das marés é tão forte contra a foz do rio que o curso de água chega a inverter o sentido na maré alta, fazendo com que o rio, kms acima da foz, pareça parado durante as marés altas. E assim, batizou-se o rio de Preguiças…

Ao amanhecer, o nosso bugueiro já estava nos esperando para tomar café. O horário do traslado é marcado pela mãe natureza e nem eu e nem o bugueiro podemos definir o horário. Dá para se ter uma idéia do horário com uns 3 dias de antecedência, mas só a tábua de marés é que permite a definição do melhor momento que o bugue poderá circular pelo trecho de praia entre o Caburé e Paulino Neves, no caminho de Tutóia.

Este é um dos trechos mais desertos do litoral brasileiro. Durante quase 1 hora e meia no bugue, não cruzamos com nenhuma alma viva. Ninguém!!!! Nenhuma casa, nada. Seguíamos a marca dos pneus do nosso próprio bugue em seu caminho à Caburé. Eu achei demais esse trecho!!!!

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Pertinho de Paulino Neves, passamos por um trecho dos Pequenos Lençóis e, em seguida, chegamos à cidade e paramos na casa do bugueiro para abastecer, conhecer a família, descansar um pouquinho do bugue, etc. Tudo pronto, cruzamos o riozinho que divide Rio Novo dos Lençóis de Paulino Neves. (na prática, a mesma cidade) e seguimos por um trecho mais habitado próximo ao mar por mais 1 hora até Tutóia, no extremo leste do MA.

Tutóia está na foz ocidental do Delta do Parnaíba e é bastante pobrezinha. Diferente de Paulino Neves e Rio Novo que são pequenas cidades muito simpáticas e ajeitadas, Tutóia já é uma cidade grandinha e cheia de problemas de onde se pode, por via asfaltada, chegar à Teresina, Parnaíba e São Luís… Bom, nós estávamos fugindo do asfalto, então, pulamos imediatamente na nossa “voadeira privê” e seguimos para a Ilha do Caju.

O mais legal é que mesmo não conseguindo marcar os horários certinhos por conta da maré, tudo o que você marca com as agências e bugueiros funciona direitinho. Chegamos ao porto de Tutóia no horário estimado pelo bugueiro e lá estava o piloto da minha voadeira me esperando para nos levar à Ilha do Caju. Eles já haviam conversado e de tão acostumados com os horários das marés, eles sabem exatamente o tempo gasto em cada trecho do percurso, sem correria. Em Tutóia, o bugueiro agenciado pela Ecodunas me entregou ao piloto da voadeira agenciada pela Clipecoturismo. Perfeito como eu havia pedido. Foi uma conexão de 10 minutos. Tudo anotado em caderneta, ok, foi caro, mas foi demais!

Chegamos à Ilha do Caju na hora do almoço. Tudo conforme planejado? Bem, quase isso. Depois de 45 minutos na voadeira pelo Delta, chegamos ao píer de desembarque da Ilha do Caju e não havia o jipe que o piloto da voadeira costuma enxergar de longe. Ao contrário, havia quatro cavalos ali nos esperando. O piloto suspeitou que algo estivesse fora do script e estava mesmo. O único homem capaz de guiar um carro na Ilha do Caju havia desistido do emprego naquele dia e voltado ao continente. Para chegarmos à sede da pousada, a 1km da praia, na antiga sede da ilha, tínhamos que ir de cavalo, com as bagagens, debaixo de um sol de 35 graus do meio dia.
Antes de qualquer coisa, vou dizer que a experiência de conhecer a Ilha do Caju foi sensacional e que com exceção do desembarque, todo o resto aconteceu como previsto e foi espetacular. Eu continuo na próxima entre a Ilha do Caju e Jeri.

Travessia Lençóis-Jeri: de São Luís ao Caburé

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Começando com São Luís

Eu fiquei com vontade de abrir um longo parêntesis antes de começar a falar dos passeios nos Lençóis Maranhenses.

Abre parêntesis
(Boa parte dos que viajam aos Lençóis aproveita para conhecer a capital do MA, o que faz todo sentido. São Luís é a base de toda a região. Porém, já ouvi diversos relatos de decepção com esta capital que, para mim, é muito especial.
São Luís é a capital de um Estado que tem uma cultura popular regional muito forte. Tão característica quanto a cultura gaúcha, mineira ou baiana, mas muito menos conhecida. A cultura maranhense não pode ser comparada com o que se conhece da parte mais oriental do Nordeste em PE, PB, RN, AL, CE, por exemplo. No Maranhão, os ritmos, os sabores, a cultura popular, as tradições, tudo é bem peculiar e só por isso eu já havia gostado do MA antes de ir.
Para gostar de São Luís, você precisa saber de tudo isso e se livrar de todos os conceitos formados em suas visitas às outras capitais nordestinas. Se você fizer esta viagem dos Lençóis sem completar a travessia até o Ceará, o que menos você curtirá serão praias, então, alinhe suas expectativas.
São Luís é a própria transição do Norte com o Nordeste. É uma pena que antes mesmo de eu nascer já haviam retirado dos livros e do mapa político do Brasil a referência à região Meio Norte que englobava o Piauí e Maranhão. O clima, o ambiente físico, a vegetação e a cultura desta porção entre Piauí e Maranhão constituem um trecho de transição entre o NE e o Norte.
Na verdade, o mapa político mudou, mas a geografia não.
Resumindo, se você não apreciar o tambor de crioula, não gostar de ver o boi bumbá, nem se interessar pela história da colonização francesa e portuguesa de São Luís ou ainda, não entender o clima, as marés, não provar o Guaraná Jesus e não conhecer os hábitos dos ludoviscenses, você vai me falar que achou São Luís fraquíssima, coisa que já ouvi de muita gente que não observou que a capital do Maranhão não tem o objetivo de oferecer o que Maceió tem de melhor.

Bom, se você é do tipo que presta atenção aos detalhes ou se você, numa eventualidade, dormir no saguão do aeroporto Tirirical, como eu fiz esperando pela van que me levaria à Barreirinhas, você vai ver que os maranhenses dão esse recado para você logo na chegada. Você nem vai poder dizer que eles não te avisaram.
A História está ali registrada em azulejos no desembarque do aeroporto. 🙂 Para todo mundo ver!
) fecha parêntesis.

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A alta temporada

Assim como na Amazônia, o clima do MA é definido conforme a temporada de chuvas, sendo o inverno o período de chuvas e o verão, o período seco. Chove durante todo o primeiro semestre e as chuvas cessam um pouco antes do início das festas juninas que marcam o início da alta temporada do MA. É nessa época que começa a alta temporada: seca e com muito sol. O pico do verão em São Luís é em julho. Tempo em que todos os maranhenses que vivem em outras bandas querem voltar e se reencontrar. É a temporada das festas de rua e quando a capital fica mais agitada.
Preciso dizer que é quando a temporada de chuvas termina, deixando as lagoas do Parque Nacional cheias de água, que começa o melhor período para visitar os Lençóis? Então, por todos os motivos, vá aos Lençóis em junho ou julho. Dá para ir um pouco antes ou um pouco depois também, mas aí será melhor ligar para as agências locais e perguntar como está o nível das lagoas, como anda a temporada de chuvas, etc. Em tempos de aquecimento global, tudo pode acontecer. 😦
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Chegando a Barreirinhas

Não tem jeito. Barreirinhas, apesar de ser uma cidade nada atraente, é a principal base para visitar os Lençóis. Não dá para escapar.
Na nossa viagem, passamos direto por São Luís que já havíamos visitado e tomamos uma van direto do aeroporto para Barreirinhas. Funcionou super bem, é muito barato, a van é refrigerada (leve um casaco), mas foi um pouco cansativo, pois aterrisamos por volta das 2 e meia da madrugada e esperamos até quase 6 horas da manhã pela nossa van no saguão do aeroporto. Passamos o resto da noite ali no saguão, nós e um senhor com alguns pássaros que esperava um ônibus para uma cidade do interior.
Dá para fazer melhor que isso. Minha sugestão é tentar o que eu tentei, mas não consegui, pois viajamos um pouco antes do início da alta temporada, que é tentar um vôo entre São Luís e Barreirinhas com as empresas de táxi aéreo locais.
Fazendo esse percurso de avião você já economiza aquele que é o passeio mais incrível: o sobrevôo dos Lençóis. Você já chega boquiaberto com a paisagem. É impossível não sobrevoar o Parque quando se chega de São Luís. O lado ruim é que o preço só fica viável se você conseguir montar um grupo de 6 pessoas.

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O que esperar

O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses acaba numa longa faixa de praia junto ao Oceano, mas nem por isso você deverá pensar em praias. Barreirinhas, para dar um exemplo, está a quase 50kms do mar.
O encanto dos Lençóis está nas suas centenas de lagoas formadas pela água que cai com a regularidade das chuvas da primeira metade do ano em meio a um mundo de dunas. Dá para imaginar um lugar assim? Não é um deserto, não é um mangue, não é uma lagoa só, não é…. não é nada igual. Você nunca viu nada igual e pronto. Espere algo que você nunca viu na sua vida. É isso! Não dá para explicar.

Todos os passeios são ecológicos, com bastantes caminhadas e não há infraestrutura de apoio durante os passeios. Ou seja, você não vai descansar nos Lençóis. Não vai!!!
Aproveite para entrar numa lagoa sozinho. Aproveite para ouvir o mundo natural em silêncio. Você não conhece o que é silêncio até estar dentro de uma lagoa sozinho nos Lençóis Maranhenses. A experiência mais impressionante que tivemos foi poder ouvir minha mulher mexendo os pés na água de uma outra duna a 20m acima e uns 50m de distância. Ao mesmo tempo, ela ouvia o estalo do meu pé. Por estar longe do mar e muitas vezes protegido dos ventos pelas próprias dunas e lagoas, os Lençóis foram o primeiro lugar em que conhecemos o silêncio total num ambiente aberto, natural. Se o grupo que você estiver for grandinho, espalhem-se um pouco. Tem lagoa para todo mundo por ali. Distancie-se e aproveite.
Não há nenhuma foto que descreva a beleza dos Lençóis. Também não há outra paisagem no mundo igual ou mesmo parecida com essa. Precisa de mais algum motivo para conhecer este lugar?

Hospedagem

Se puder, fique no Porto Preguiças Eco Resort em Barreirinhas. Fica 1km distante do centro da cidade e é muito confortável. De longe, a melhor opção da região, com o melhor restaurante. Um recanto em harmonia com a natureza do lugar. Nós adoramos a piscina com fundo de areia. Em Atins e Caburé, é melhor perguntar para o pessoal da Ecodunas quem está com a melhor hospedagem. Os preços são parecidos e o padrão também. Tudo muito simples, mas muito simpático.

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O sobrevôo dos Lençóis

Se você não conseguir chegar a Barreirinhas de avião, então não deixe de fazer o sobrevôo do Parque a partir do aeroclube de Barreirinhas. Vale cada centavo. O vôo dura 30 minutos, faz um calor danado dentro do aviãozinho e você pode ver de tudo. O piloto leva você até a foz do Rio Preguiças, sobrevoa Atins, Caburé, a faixa de praia do parque junto ao mar. É demais! Não perca! Nós fizemos o sobrevôo com o nosso próprio guia da Ecodunas. Havia sobrado um lugar no avião e pedimos ao piloto para levar o “gringo”: um rapaz quase brasileiro, mas americano de fato que é primo do Joca da Ecodunas e que se mudou para os Lençóis para ajudar o primo. Ele desceu tão boquiaberto como nós!

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Santo Amaro do Maranhão

Eu não consegui ir, pois fomos em maio e ficou mais difícil de achar quem pudesse rachar o Toyota comigo até lá. Quem foi, garante que vale a pena. Eu acho que vale economizar e pagar para ir mesmo sozinho, faria isso na próxima.
Também acho que é mais fácil conseguir achar parceiros em Barreirinhas do que em São Luís para dividir o custo do passeio, embora Santo Amaro seja acessada por um desvio antes de Barreirinhas para quem vem da capital. Se você conseguir voar até Barreirinhas, vai ficar perfeito conhecer Santo Amaro a partir de lá.

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Os passeios básicos: Lagoa do Peixe, Lagoa Bonita, Lagoa Azul

A ordem e a forma dos passeios dependerão muito do orçamento e da forma que você vai conseguir montá-los. Não dá para fazer passeios-solo nos Lençóis, você sempre precisará de um guia e entrar num pequeno grupo para dividir os passeios. Alguns passeios mais tradicionais têm preço fixo independentemente de quantas pessoas eles conseguirem juntar, então aproveite para diminuir os custos com os passeios básicos. Fora da alta temporada, não é difícil pagar meros R$20,00 e se dar conta de que o passeio será praticamente exclusivo. Aconteceu no nosso caso duas vezes. Prefira os passeios da tarde que ficam até o por do sol, pois é muito mais confortável caminhar nas dunas com o sol baixando e os grupos costumam ser menores.
Outra dica é aproveitar os grupos pequenos e pedir ao guia para mostrar lugares menos tradicionais. Se o grupo estiver bem pequeno, é bem mais fácil para o guia te mostrar alguns trechos incríveis desviando um pouco da trilha tradicional até a Lagoa do Peixe, por exemplo. Vale a pena, especialmente se você não tiver conseguido ir até Santo Amaro.

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Rio Preguiças

É legal, mas não se compara a nenhum passeio nas dunas. O melhor é a parte final em Atins e Mandacaru. O por do sol em Atins é o máximo e dormir lá é uma ótima opção como já destacou o Ricardo Freire, o guru. Eu também faria isso na próxima.
Eu dormi em Caburé e adorei a sensação de estar totalmente isolado no mundo. Quando o gerador é desligado, o céu mostra todas as estrelas que alguém que mora na cidade grande nem lembrava que existiam. Espetacular!!! Dormir em Atins pode ser mais pitoresco do que em Caburé, mas se você pretende seguir a travessia até o Delta do Parnaíba pela praia, saiba que você vai precisar dormir em Caburé e acalme-se, isso não é ruim não. Caburé é muito legal.

No próximo post, eu continuo de Caburé à Ilha do Caju.

Travessia: Lençóis Maranhenses, Ilha do Caju e Jericoacoara

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Desde 1991, eu sonhava conhecer os Lençóis Maranhenses. Naquela época, eu fiz amigos maranhenses e eles falavam dos Lençóis como um lugar que o Brasil ainda não havia descoberto. Pura verdade!

Por um motivo ou por outro, a gente acabava adiando a viagem dos Lençóis e inventando outra. Eu queria ir numa época boa, quando as lagoas tivessem água, com tempo suficiente para não só curtir os Lençóis, mas também para fazer toda a travessia até Jericoacoara, passando pelo Delta do Parnaíba.

Jeri, nós já havíamos visitado durante nossa lua de mel em janeiro de 2001. Queríamos voltar para ficar ao menos uma semana descansando lá. Acho Jeri, fora de temporada, o melhor destino de praia do Brasil. Você descansa em um lugar ao mesmo tempo isolado, lindo e com infra-estrutura para dormir e comer bem, sem frescuras e por bons preços.

São Luís, nós também já havíamos visitado em junho de 2001. Na ótima época das festas juninas locais. Fomos com um amigo maranhense, o Marcos, que nos hospedou e nos mostrou São Luís pelos olhos de um nativo. Foi ótimo, mas ainda não foi daquela vez que conseguimos ver os Lençóis, nós só tínhamos um feriado para curtir a cidade.

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Em 2004, chegamos a emitir bilhetes Smiles para viajarmos com os parceiros Wila e Déa (o casal Pastel), mas acabamos adiando mais uma vez e eles foram sozinhos… e adoraram, lógico!

Bom, em 2005, não iria escapar. Marquei novamente os bilhetes Smiles, mas dessa vez, já suspeitando que minhas milhas pudessem ir para o espaço com a quebra da Varig, reservei classe executiva para torrar tudo de uma só vez. Marquei a ida por São Luís e o retorno por Fortaleza.

Foi a viagem mais bonita e gostosa que já fizemos em terra brasilis!!!

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Embora eu tenha lido o contrário, cerca de duas ou três vezes, em gabaritadas revistas de viagem, eu acho muito, mas muito mais legal fazer esta viagem começando por São Luís e terminando em Fortaleza. Um dos argumentos para começar pelo Ceará era de que as paisagens vão ficando cada vez mais impressionantes e os Lençóis são o “grand finale”, mas eu discordo.

É lógico que os Lençóis são mesmo impressionantes, a paisagem natural mais impressionante que eu já vi, mas a travessia de Lençóis pelo Delta até Jeri é também um passeio um pouco cansativo, o que faz de Jeri um ótimo “grand finale” para descansar! Terminar esse roteiro em Jeri tem tudo a ver.

Eu descobri que essa viagem, do jeito que eu queria fazer, não dava para ser feita pelos pacotes prontos das agências de ecoturismo. Todas elas previam um tempo muito curto em Jeri, incluíam São Luís onde eu não queria investir meus dias de férias e não paravam na Ilha do Caju que eu fazia questão de conhecer. Ou seja, eu precisava montar tudo sozinho.

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Descobri que é muito fácil montar essa viagem sozinho, você só precisa de 3 indicações:

A Ecodunas é comandada pelo Joca Mattar e fica em Barreirinhas. O Joca é um paulista que se mudou para o Maranhão para abrir sua agência. Eles são super profissionais. Ele organizou toda a parte maranhense do meu “pacote”. Organizou meus passeios, recomendou e reservou o meu hotel (Porto Preguiças Eco Resort – preciso dizer que odeio o nome EcoResort?), meu passeio de avião sobre os Lençóis, uma pousada em Caburé, um buggy para me buscar em Caburé e me levar à Tutóia, na divisa do Maranhão com o Piauí e combinou todos os detalhes com o pessoal da…

Clip Ecoturismo que fica baseada em Parnaíba e ficou encarregada de me levar à Ilha do Caju a partir de Tutóia e de me buscar da Ilha e levar à Parnaíba para depois me entregar em Jeri com um carro 4×4. Eles também tinham reservado um lugar para eu dormir em Parnaíba, mas eu acabei me hospedando na Casa Inglesa, uma surpresa que eu conto nos próximos posts.

A Ilha do Caju é um destino para ecoturista de carteirinha, como já dizia o máster guru Ricardo Freire. Eu achei ESPETACULAR, mas concordo que você precisa estar preparado para ir até lá. Ele fez essa viagem alguns meses depois de mim. Naquele tempo, eu viajava no blog dele e nem sabia como deixar comentários 🙂

No próximo post, falarei sobre os passeios no Parque Nacional e Barreirinhas.

Trekking em Cinqueterre

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Vernazza, a preferida do Gira Mundo

Apesar de todos os vilarejos que compõem a Cinqueterre serem facilmente alcançados por trem (há uma estação em cada vilarejo), a forma mais interativa de percorrer a Cinqueterre é a pé. Não existe passeio melhor para quem aprecia uma caminhada leve.

A trilha que percorre o Parque Nacional foi batizada de Via dell´Amore e pode ser feita por qualquer um que tenha o mínimo de condicionamento físico e goste de trekking leve.

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Eu acho mais bacana fazer o percurso do fim para o começo, porque as três vilas do final ficam mais próximas entre si, então você começa o dia andando menos e vendo mais e, se resolver desistir, já terá percorrido o trecho mais interessante da Via.
No nosso caso, pegamos o trem em Rapallo direto para Rio Maggiore, a última parada do trem que percorre a Cinqueterre (o trem no sentido contrário vem de La Spezia e, então, Rio Maggiore será a primeira parada. Entretanto, como o fluxo de turistas é bem maior a partir de Levanto, Rapallo e Gênova costuma-se dizer que Rio Maggiore é a última parada).

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Rio Maggiore é bem íngreme. A vista do mar dali, bem alto, é linda. A Via dell´Amore começa (ou termina) ali, bem pertinho da estação do trem. No início é bem organizada, com proteção, informações, placas, etc. Ao longo do caminho, a Via vai ficando um pouco menos sinalizada, mais radical (!) e, em alguns momentos, vira apenas uma trilha entre pedras. Ainda assim, não dá para se perder, o trecho completo é movimentado e basta seguir o caminho junto ao mar que não tem erro. Uma hora ou outra você chega à próxima vila.

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A primeira visão de Manarola

A interação com os outros andarilhos é bem legal. O espírito coletivo dos viajantes aflora, todo mundo se oferece para tirar foto para todo mundo, informa como está o caminho à sua frente, quanto tempo até a próxima “terra”, troca dicas, muito bom. Achei muito legal as famílias que levam as crianças pequenas na trilha para caminhar. O pai precisa ser bem disposto para carregar as crianças em alguns trechos quando os pequenos se cansam mas, de maneira geral, achei um belo programa para famílias.

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Manarola

Manarola, a próxima parada, fica bem próxima de Rio Maggiore, uns 30 minutos de caminhada leve. É uma ótima parada para um “gelato”, um café, descansar um pouco. Sua disposição é perfeita para apreciar o mar. A vista mais legal do próprio vilarejo é a partir da continuação da trilha que segue para a próxima parada: Corniglia. Até lá, leva-se cerca de 1 hora.

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Corniglia, lá do alto da trilha

Importante é não esquecer de comprar uma garrafinha de água antes de começar cada trecho da trilha.

Corniglia é bem densa, cheia de becos onde não é difícil se perder. Fica numa pequena península, mas não chega a cair sobre o mar. Quem vem de barco tem um longo percurso escada acima para chegar ao centrinho. É interessante que a partir do vilarejo não é muito fácil encontrar o mar com os olhos. Ainda assim, muita gente vai te falar que Corniglia é a mais encantadora das Cinqueterre. É linda mesmo, mas a minha favorita é próxima.

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Corniglia e Manarola, na mesma foto. Lindas!!!

Vernazza é, na opinião deste que vos escreve, a mais linda das Cinqueterre. E eis aqui um dilema: o trecho entre Corniglia e Vernazza da Via dell´Amore é um pouco mais longo que os anteriores e tem trechos bem íngremes. Pode ser um pouco cansativo. É lógico que o visual é incrível lá de cima, mas se gasta fácil 1 hora e meia de caminhada. Talvez o mais indicado (e o que eu não fiz) seja tomar um barco em Corniglia até Vernazza e apreciar um pouco da paisagem a partir do mar mas, se você fizer isso, você não vai encontrar Vernazza através do ângulo que vimos ao chegar através da trilha. A vista que está na primeira foto deste post foi a que me deixou completamente extasiado por Vernazza e certo de que a caminhada valeu a pena. Simplesmente espetacular! Chegamos à Vernazza no meio da tarde de um sol lindo. Ficamos ali, bebericando espumante, tomando café, sorvete, molhando os pés no mar, que delícia… Nós já estávamos muito satisfeitos e não queríamos mais nada.

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Vernazza

Eu sabia que o trecho até Monterosso era o mais longo e difícil. Foi consenso do nosso grupo (estávamos em 4 pessoas) topar cancelar a caminhada até Monterosso e nos esticarmos pelos cafés de Vernazza até que o sol baixasse.

Se eu voltasse a Cinqueterre hoje e tivesse mais um dia, eu seguiria o conselho da colega blogueira Carla e iria até Portovenere que parece linda e é acessível por barco a partir de qualquer dos 5 vilarejos, mas continuaria pulando Monterosso.