Arquivo da categoria: Roteiro Gastronômico

Gira Mundo em Destemperados

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Entendo só de comer, mas não resisto a dar uns pitacos gastronômicos! Mais uma vez, tomei a liberdade de atacar de “Destemperado” e deixei uma contribuiçãozinha no blog gastronômico que está ganhando o mundo!

A foto aí de cima é do Moinho de Pedra aqui em SP. Um restaurante natureba de primeira onde mesmo carnívoros e simpatizantes, como eu, conseguem se divertir. Tá lá no Destemperados!

Diogo, Diego, valeu por mais esta oportunidade! Já tem algum tempo que carrego uma máquina pra quase todo canto, imaginando como vocês fazem. No início, eu achava meio louco ficar batendo fotos de pratos de comida, mas agora estou achando divertido!!!

Viagem a trabalho: Caçando o jantar em Mayfair

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Eu não costumo pular refeições, fico mal humorado com fome e normalmente as refeições são um dos principais programas nas minhas viagens.

Assim, durante os meus safáris turísticos noturnos, eu precisava conciliar uma caminhada legal com uma boa refeição. Felizmente, na região onde eu estava hospedado não era difícil encontrar boas opções. Mais uma vez, ainda bem que escolhi bem o endereço do meu hotel.

Mayfair é um bairro “de bacana”. Uma mistura de Recoleta com Gramercy. Achou muita frescura essa definição? Pois é isso aí mesmo.

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Em Mayfair, assim como em todas as partes de Londres, há muitos, muitos imigrantes. A diferença aqui é que eles são ricos ou diplomatas. As origens são as mesmas, são indianos, paquistaneses, árabes, alguns africanos, mas em comum, todos parecem (e devem ser mesmo) muito ricos!

Toda vez que eu saía por Mayfair, eu tentava encontrar o pub Red Lion indicado pelo meu amigo Giuseppe. O tal pub é de um amigo dele. Ele falou que eu iria gostar e que era perto, apesar de bem escondido. Bom, o resultado é que eu precisei de vários dias para caçar o Red Lion!

Toda noite eu acabava ancorando em algum outro lugar. Era até engraçado. De manhã, o Zé perguntava:
– E aí, foi ao Red Lion?
– Não encontrei, me perdi, achei outro lugar. Sempre tinha alguma coisa…

No primeiro dia, na recepção do hotel, eu havia arrumado um mapa e a informação de um lugar chamado Shepherd Market que fica bem perto do hotel.

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Shepherd Market

Não deu outra, na primeira noite, eu estava bem cansado e quando vi animação, logo ali pertinho, resolvi que era ali que eu iria jantar. Nem pensar em procurar o Red Lion.

O pessoal por ali estava mais para um booze do que para jantar, eu estava mais para jantar do que para beber, então percebi que não havia tantas opções quanto parecia. Até que um lugar me chamou a atenção: Bistrô L’Autre. Um lugar com nome francês, chamado bistrô que oferece uma combinação de cozinha polaca com mexicana. O que poderia ser aquilo?

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Eu sei que os poloneses estão invadindo Londres, poderia até ser que aquilo era somente um bistrô francês onde o assistente de cozinha é mexicano e o garçom, polonês… Sei lá, com fome, uma noite bonita daquelas e animação na esquina, resolvi conferir.

Não foi caro, não foi especial. O pedaço de lombo que eu comi tinha “gravy” que eu adoro e era macio como o garçom havia dito, mas também era o lombo mais cheio de gordura que eu já comi. Explicava-se assim a maciez da carne. Na verdade, o prato não parecia mexicano, nem polonês (se é que eu entendo disso), o prato era bem inglês. Não gostei, só valeu pelo ambiente. Nem o vinho era bom, antes tivesse pedido uma cerveja.

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Em outra noite, saí caminhando por Mayfair em direção norte, meu objetivo era achar o Red Lion e chegar até a Oxford Street. Segui caminhando com um olho na rua e outro no mapa e vi que havia uma praça bem grande no meu caminho. Mirei nela e segui.

Ao chegar à praça: surpresa! É ali que fica a Embaixada dos EUA. Eta gente espaçosa e mal resolvida com a vizinhança! Cortaram meu barato, a praça estava toda fechada e fiquei desmotivado de atravessar pelo outro lado, resolvi mudar meu destino e seguir pela direita.

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A Embaixada que invadiu a praça!

Achei um pub que me chamou a atenção: Audley’s. Apesar de parecer posh (meio termo entre “cool” e “chic” no inglês da Inglaterra), o lugar era mesmo BBB. Gastei pouquinho e comi bastante e bem. Jantei experimentando uma cerveja St. John’s. Não sou nada entendido, mas achei que combinaria bem e… ficou ótimo. E lá se foi a segunda tentativa de encontrar o Leão Vermelho!

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Dali, segui caminhando e encontrei o restaurante do Gordon Ramsey (chef e astro de reality shows de gastronomia), conferi o cardápio, admirei o Hotel Claridge’s e continuei caminhando. Só teria graça se eu estivesse bem acompanhado.

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Quando cruzei a Regent St, vi que eu tinha cruzado uma fronteira. Dali pra frente, estava o SoHo e à noite, o lugar não fica lá muito bem freqüentado não. Os mais bêbados já estavam usando a rua como banheiro. Era melhor nem continuar. De dia, vale o passeio, o bairro mistura lojas legais, bons restaurantes, junta-se com West End, é bacana. Mas naquele horário…resolvi voltar de metrô. Acabei encontrando o Piccadilly.

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Regent St

Na terceira tentativa de matar o leão, eu saí decidido a não desviar pra lugar nenhum, mas ao encontrar o Papagallo, eu não consegui seguir adiante. O cardápio tinha primo piati, secondo piati, ah não deu não. Mas nesse dia o Giuseppe ficou orgulhoso de mim. O Papagallo é um restaurante italiano muito bem conceituado!!!! Jantei espetacularmente bem. Só não era exatamente barato 🙂

Foi só na quarta tentativa que eu encontrei o tal pub. O Red Lion é muito escondido, eu passei muito perto dele em todas as noites que circulei ali e não encontrava.

Fica escondido porque deve ser o único pub pé-sujo de Mayfair. Super tradicional. Muito legal. Comi e bebi bem baratinho. O atendimento é todo brasileiro (viu como é tradicional?), a comida estava ótima, eu me empolguei e pedi até sobremesa. Foi muito gostoso! Altamente recomendável e muito barato também.

Se o pessoal da minha empresa pudesse ler este post ficariam orgulhosos de mim!!!

Confira a série “Viajando a trabalho”:

* Filosofando no metrô de Londres
* Chegando no escritório com bom humor
* Aproveitando o pouco tempo livre
* Onde se hospedar
* Londres-viajando a trabalho

Enquanto a próxima viagem para a França não sai…

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Foto da Andrea “Pastel”, fotógrafa do Gira Mundo.

O jeito é comer macaron! Este doce é uma preciosidade francesa! Em São Paulo é possível conferir no Pain et Chocolat, um endereço de Moema (Rua Canário, 1301) especializado na pâtisserie da terra do Napoleão que, além dos doces, serve um buffet de café da manhã memorável.

Fiz hoje uma contribuição para os Destemperados que me deixou muito honrado. Agradeço ao Diogo e ao Diego pela oportunidade! As fotos e o texto que eu preparei estão lá no blog deles que cobre roteiros gastronômicos. Recomendadíssimo!

Provence: Os restaurantes do Luberon

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Final de tarde em Gordes. Hora de pensar no jantar.
Se você já se hospedou no Le Mas des Etoiles e escolheu o quarto dos Anjos, agora é hora de escolher onde comer. Este post também só pode existir porque foram o François e a Annette que nos indicaram estes quatro restaurantes que foram testados e aprovados com louvor pelo Gira Mundo e três deles também pelo quase tão reconhecido Guide Michelin!

Falando mais uma vez no Le Mas, o François descobriu o post que fiz para ele aqui no Gira Mundo antes que eu pudesse enviá-lo. Ele colocou o link na página principal do site deles traduzido em Francês e Inglês. Que surpresa bacana! Não sei dizer quem ficou mais surpreso com quem. Ele me mandou um email dizendo o quanto eles haviam ficado felizes com a menção do Le Mas em tão distinto blog e eu fiquei mais ainda quando vi meu texto na página principal do site deles. Essa blogosfera tem me pregado cada peça!!!

Durante o dia os passeios no Luberon serão bem contemplativos e você não gastará muita grana, então acho que vale a pena você deixar de comprar aquele souvernirzinho que você viu em Gordes ou em Aix en Provence e investir num bom e memorável jantar. Os restaurantes não são pechinchas, mas eu acho mesmo que pela experiência que você vai ter, fica até em conta.

Nos passeios diurnos você vai encontrar bons lugares para comer, mas é difícil encontrar lugares especiais. O circuito dos restaurantes especiais fica em pequenas aldeias fora do circuito diurno de passeios. Lembro a você que cada jantar precisa ser planejado. Reservas são essenciais. Não há bem uma regra: um pode fechar nas quintas, um outro não abre nas quartas, etc.

Bom, mas como eu dizia antes sobre o dia perfeito na Provence, o mais gostoso será se você não se cansar demais durante o dia para aproveitar o roteiro gastronômico à noite no Luberon. Quem sabe um cochilo antes do jantar? Acho altamente recomendável!

Um bom jantar aqui vai completar aquela sensação de viagem inesquecível. Cada jantar dura pelo menos umas duas horas (viu porque é bom não chegar exausto?) e você não vai pular nada, combinado? Tome um biotônico Fontoura se não estiver com muito apetite. O atendimento nesses lugares costuma ser tão personalizado que as reservas são todas feitas mais ou menos para o mesmo horário e as mesas não giram. Cada mesa atende apenas um cliente por noite.

Em todos os bons lugares, o chef vai mandar uma pequena entradinha junto com o couvert. Normalmente, é algo que o chef está preparando ou experimentando e quer dividir com os clientes. Depois, seguirão a entrada, o prato principal (nunca há massas), os queijos, a sobremesa e o café com mais alguns doces.

Le Vieux Bistrot: é o menorzinho da lista e o preferido do Gira Mundo. São pouquíssimas mesas, ambiente bem descontraído e o menu tem poucas opções. Mas isso é ótimo, sinal de que tudo será feito com primor. Ótima carta de vinhos, o sommelier – e proprietário – é uma figura! Pedimos um Condrieu (vinho branco, particular da Região do Ródano, elaborado com a uva Viognier). Espetacular! O restaurante fica numa pequena aldeia chamada Cabrières d´Avignon, ao lado da igrejinha principal. Delicioso lugar, o Vieux Bistrot ganhou uma menção no Guia Michelin pela ótima relação custo x benefício.

L´Estellan: quase em frente ao Le Mas des Etoiles na aldeia Les Imberts em Gordes. É um restaurante familiar. O chef é o dono do lugar, a mulher dele trabalha lá e os filhos atendem às mesas. As sobremesas são memoráveis. Também tem estrelinha do Michelin e é muito simpático, apesar de mais formal. Bem espaçoso. Tem um menu maior, disponível na internet.
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Foto do site. É bonito mesmo.

Le Clos de Gustave: este fica bem na vila de Gordes. É maior e disputado, pois o custo não é muito alto. Casual. O destaque é o atendimento muito simpático. Nossos pratos demoraram bastante, pois todo mundo chega mais ou menos no mesmo horário (vale dizer que o brasileiro prefere jantar um pouquinho mais tarde, mas não há essa possibilidade nessa região!). Mesmo assim, achamos delicioso. O atendimento compensou com muita atenção.

Le Mas Tourteron: o lugar é lindíssimo. É o restaurante mais famoso deste canto do Luberon. Tem uma chef famosa (Elisabeth Bourgeois) e o atendimento mais requintado entre os quatro mencionados aqui. O marido da Elisabeth coordena o atendimento dando um toque mais informal ao ambiente sofisticado. O menu está disponível na internet e as reservas na temporada são disputadas. Fica perto do Le Mas do François.

Ah, vale dizer que, em todos eles, você vai se divertir com a comunicação. Não se fala outra língua que não o Francês. Vale um pouco de mímica! Mas deixe estar, por mais que você peça algo que você não tenha a menor idéia do que seja, VAI SER BOM! Na noite que jantamos no Le Mas Tourteron, eu quis pedir carne de boi para variar e havia uma palavrinha que não entendia no menu das entradas e o maître não conseguia me explicar…Arrisquei e descobri que se tratavam das partes baixas do animal. Pobre boi, sim, pobre dele, porque estava muito bom.