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Passeio de bebê = passeio de adulto! E vice-versa.

Pela inclusão dos bebês na vida social dos pais, eu reitero: para os bebês, o que importa é estar com os pais!

Basta alguma adaptação e pronto, todo bom programa de viagem é um bom programa para a família toda!

É só dar uma olhada…

Nos restaurantes, sempre tem espaço para os pequenos!

Mas se houver alguma emergência, basta correr no drive-thru para bebês!

A regra é: cada um na sua e todos no mesmo programa.
(Mais um pouquinho que o papai e a mamãe bebessem no Reveillon e a Clara trocaria a mamadeira pelo espumante!)

Algumas vezes, são os filhos que levam os pais para passear de carrinho.

Bebês adoram ver os peixes!

Papais adoram aquários!

E as pequenas surpresas são inesquecíveis para os dois!
“Papai, acho que vi um tubarãozinho!”

No Museu dos Coches, todo mundo se diverte!

E o Cadillac da Clara é bem mais bacana…

Com um nome desse, dá até pra pensar em levar o bebê para o bar, mas só se for pra tomar uma bica!
🙂 🙂

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Tem coisas que só 1 viagem a Portugal faz pra você!

A hospedagem de 2ª categoria!

Este estabelecimento merecia um destaque no Trip Advisor por conta de sua honestidade e transparência.

Eu sei que o termo “de 2ª” é largamente utilizado em Portugal, mas achei curioso a forma como esta pensão (super bem localizada no centro antigo do Funchal) dá o recado.

Eu tenho certeza de que eles sabem mesmo gerenciar as expectativas dos hóspedes. Afinal, em caso de algum inconveniente, lembre-se: “Esta pensão é de 2ª categoria!”.

Olha só, pela cara e pela “cara de pau”, tenho certeza de que não há na mesma localização melhor relação custo x benefício.

Preta, preta, pretinha…
Se eu um dia vier a abrir um café, eu vou dar o nome de “Pretinha do Café”. Adorei o nome. Simpático, criativo e curioso. Mas no meu café, vou contratar atendentes que façam jus ao nome do lugar.

Assim que vi a placa deste café, eu corri pra ver a cara da atendente lá dentro. Pois é, entendi que “O careca do café” ou “O bigode do café” não teriam mesmo muito apelo no mercado…

Putos e Cia

É isso mesmo. Bati uma segunda foto pra comprovar o nome que deixou as coleguinhas de berçário da Clara ruborizadas. A loja de brinquedos e roupas infantis, logo atrás da Sé do Funchal leva mesmo esse nome. Eu queria tanto ter comprado uns presentes para os putinhos dos meus amigos, mas a loja já estava fechada… pena!

Ilha da Madeira: Câmara de Lobos e Cabo Girão. Que nomes são esses?

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Você sabe quem foi João Gonçalves Zarco?
(Se você for brasileiro, a chance de não saber é enorme!)

E o Pedro Álvares Cabral? Já ouviu falar?
(Se você for português, a chance de não saber também é bem grande 🙂)

Pois então, o João foi o navegador luso que primeiro navegou pelas águas da Madeira. Ele é o Pedro Álvares Cabral dos madeirenses.

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Eu acabei conhecendo o Zarco logo na primeira praça que passamos no Funchal, mas acabei indo um pouquinho mais fundo na história dele porque fiquei curioso em descobrir a origem de nomes curiosos como a da vila de Câmara de Lobos e do cabo Girão.

O que se diz é que o Zarco chamou de Câmara de Lobos a enseada tranqüila onde ele encontrou uma numerosa população de lobos marinhos. Lobos que, aparentemente, só ficaram registrados no nome da vila, eu não vi nenhum sinal de lobo do mar pelas redondezas.

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Pouco a frente, o cabo Girão marca a parada final do primeiro “girão” que o primeiro navegador deu na ilha. Será que dá pra acreditar nisso?

Seja lenda ou História, não importa mais, o mérito acaba por ser sempre de quem chegou primeiro e o que importa, hoje, é que o Girão e a Câmara são os passeios off-Funchal mais fáceis de fazer, por nós, navegadores em férias.

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Câmara está a 15 minutos de distância do Funchal e ao chegar ali, eu compreendi exatamente o que meus amigos luso-cibernéticos João Paulo e Margarida Nobre diziam sobre o interior da ilha guardar os melhores passeios da Madeira.

Câmara de Lobos deve ser hoje o que o Funchal era há 30 anos atrás. É o resumo mais emblemático da Madeira.
Linda, pitoresca, quase escondida, pequenina e iluminada. Durante as festas de fim de ano, o presépio é mesmo aqui.
Assim como todas as outras vilas da Madeira, a vila de Câmara fica espremida entre as altas encostas, o cabo Girão e o mar.

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De um lado está o braço de mar que os pescadores usam para ancorar seus barcos onde, no passado, os lobos do mar possivelmente se abrigavam.

Do outro lado, subindo pelas encostas, estão as parreiras que produzem o insumo do delicioso vinho Madeira, tão bom e quase tão famoso quanto o primo Porto do continente.

E por todos os lados está o cabo Girão. Gigante e pontilhado de casinhas brancas iluminadas, o cabo completa a imagem de presépio de Câmara de Lobos.

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Vista do alto do Cabo Girão para as Fajãs

O dia a dia é tranqüilo. Durante o dia, o comércio da vila parece ser território das mulheres. Os homens podem estar no mar ou talvez estejam cuidando da agricultura. Porém, no final da tarde, são eles que tomam conta do centrinho e lotam as tabernas que se alinham lado a lado pela entrada do ancoradouro.

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As mulheres desaparecem pontualmente com o por do sol, todas juntas, mas não há com o que se preocupar, o ambiente continua tranqüilo, o clima é familiar, afinal, aqueles homens não estão ali por acaso, eles carregam a responsabilidade de serem, também, personagens do presépio da vida real que é Câmara de Lobos.

Ilha da Madeira: Reveillon para bebês!


Vídeo feito da parte alta da cidade. Provavelmente a 600m de altitude.

O “gancho” que a gente precisava

Pra mim, todas as viagens têm que ter um “gancho”. Aquela desculpa que a gente arranja para justificar o estouro no cofrinho e sair correndo para o aeroporto. Sabe como é?

O gancho da viagem à Madeira foi o famoso Reveillon do Funchal. O maior espetáculo pirotécnico da Terra, segundo o Guinness 2007.

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Funchal, vista do porto.

Minha mãe, que é lusitana, sempre diz toda orgulhosa que os portugueses são famosos pelas festas com fogos de artifício. Eu sempre achei que havia algum exagero da parte dela até porque a única tradição portuguesa com fogos que eu conhecia eram as festas juninas da Portuguesa, no Canindé.

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Feliz Natal e Bom Ano Novo em Câmara dos Lobos

Confesso, também, que achei suspeitíssimo o prêmio Guinness, especialmente porque eu sempre achei que Copacabana merecia um prêmio desse porte e porque eu nunca havia lido ou visto referência sobre o Reveillon do Funchal, o que prova que o Brasil não tem mesmo muita informação sobre a Madeira (nem o Guinness sobre o Brasil!).

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Presépio de um restaurante do Funchal.

O fato é que as imagens da virada do ano de 2007 que a gente havia visto na RTP, logo no início de janeiro de 2007, não saíam da cabeça e esse virou um assunto recorrente durante o ano todo.

Como se vê, a viagem foi quase que por necessidade. Se a gente já tinha vontade conhecer a Madeira, agora a gente precisava conferir esse mega-evento de perto.

Para reforçar a desculpa e distrair o escorpião que toma conta do meu bolso, o argumento usado foi que nunca havíamos investido numa viagem bacana de Reveillon (vou descontar Copacabana que foi quase grátis) e que seria legal fazer isso na nossa primeira virada de ano com a Clara.

Com um “gancho” desses, o plano de viagem foi aprovado imediatamente e nem foi preciso apelar para as belezas da ilha, a simpatia do povo, os costumes, tradições e a deliciosa gastronomia madeirense. Isso tudo, a gente já esperava e comprovamos lá. O que a gente não esperava e se tornou um bônus foram duas surpresas que a Madeira guardava para nós.

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Câmara de Lobos

A iluminação de Natal: o gancho deles.

Foi o “gancho” que os madeirenses descobriram para esticar a temporada alta das festas de fim de ano até o final de janeiro. Que 5º Avenida, que nada! Em matéria de iluminação de Natal, nada se compara ao que se vê por lá.

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Sé do Funchal

Os madeirenses capricham. Fazem de toda a ilha um grande presépio iluminado. E mais do que uma atração para os turistas, é uma tradição dos moradores. Os detalhes e o bom gosto na iluminação enchem os olhos desde as ruas antigas do Funchal até o menor dos vilarejos do interior da ilha. Eu não estou exagerando.

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Centro do Funchal

O Reveillon deles é perfeito para bebês.

Os fogos da virada do ano são mesmo um show digno da fama. A geografia particular do Funchal colabora muito com o espetáculo.

A área central do Funchal está localizada numa pequena baía. A partir do centro antigo da cidade, que está junto ao mar e do porto, os bairros sobem os penhascos num formato de meia lua até uns 700m de altitude formando um semicírculo urbano envolvendo a baía.

À meia noite, os navios de cruzeiro dão o aviso que o show vai começar. Havia uns 9 ancorados bem perto do porto. Segundo os madeirenses é do mar que se tem a melhor vista do espetáculo.

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Vista da baía no amanhecer de 31/12/2007. Barcos com fogos em posicionamento para o show.

Os fogos são disparados de TODA a cidade, das montanhas, dos prédios, do mar, do porto. Impossível não conseguir apreciar. Eu penso que os fogos podem ser vistos de qualquer ponto, embora, certamente a visibilidade fique bem comprometida no Lido, um bairro mais novo que fica fora da baía central, já nos limites do Funchal.

Ainda assim, de forma geral, é uma festa pra todo mundo curtir. Todos os navios apitam juntos novamente no fim da queima de fogos. Lindo e emocionante.

Um detalhe: o espetáculo é de cores e sincronia dos lançamentos dos rojões, mas o show é particularmente silencioso. Eles não disparam aqueles ensurdecedores rojões que eu costumava ver quando moleque na Praia Grande. Eu achava que aquela seqüência de 3 tiros fazia barulho demais, mas a verdade é que o barulho contribui muito para a empolgação do espetáculo.

Eu senti falta deles. Mas a Clara, não.

Ela nem acordou. Levamos o Cadillac dela para o terraço do hotel, ficamos quase duas horas lá entre umas 500 pessoas bebendo champagne, comendo uva-passa (a tradição portuguesa diz que você deve comer 12 delas na virada do ano), os fogos estouraram e a pequena sequer se mexeu. Voltou para o berço tão quietinha quanto saiu.

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Terraço do CS Madeira

Se tivéssemos planejado, não teríamos conseguido. O Reveillon do Funchal é mesmo perfeito para bebês. A Clara adorou.

Ilha da Madeira: compre uma viagem e leve duas!

O que passaria na sua cabeça se você encontrasse um anúncio assim?

Compre um bilhete para o Arquipélago da Madeira e ganhe uma viagem a Portugal.

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1) Pra comprar uma viagem e levar duas, tem que haver alguma promoção;

Quantos brasileiros visitam Portugal todos os anos? Quantos incluem a Madeira no roteiro?

Garanto que muitos mais considerariam a viagem se soubessem que um bilhete com a TAP para o Funchal, a partir do Brasil, custa o mesmo preço que para Lisboa ou Porto onde a conexão é obrigatória e a parada pode (e deve) ser feita sem custos.

Desse jeito, fica mais barato incluir a Madeira numa viagem a Lisboa do que fazer um bate-e-volta em Évora ou Coimbra.

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2) Não me interessa, deixa pra lá, eu nem tenho parentes na Madeira;

É uma pena, mas é verdade. O brasileiro sabe nada sobre a Madeira.

Você conhece algum brasileiro que tenha viajado especialmente à Madeira que não tenha parentes ou origens por lá?

Eu não conheço. Talvez seja por isso que todo mundo ao saber que viajaríamos à Madeira dizia: “Vai levar a Clarinha pra conhecer a família?”.

Muitos devem ainda achar que minha mãe é mesmo madeirense 🙂

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3) Conhecia a Madeira como uma ilha, não como um arquipélago;

No Brasil, estamos acostumados a ouvir apenas sobre a ilha da Madeira que por ser tão maior e mais importante acabou por batizar todo o arquipélago que também é formado pelas ilhas do Porto Santo (habitada), Desertas e Selvagens.

4) A Madeira pertence a Portugal. Ir à Madeira significa ir a Portugal;

É uma verdade apenas no carimbo do seu passaporte. É interessante perceber o sentimento que o madeirense mantém com o continente. As origens estão lá no princípio da colonização da ilha durante as grandes navegações portuguesas.

A Madeira foi Colônia, não foi Metrópole. Para lá, os portugueses levaram todos os mesmos experimentos de colonizadores: a ilha foi dividida em capitanias, boa parte da vegetação nativa foi substituída por novas culturas nem sempre eficientes, escravos foram transportados, imigrantes foram atraídos. Eu já li essa história em algum outro lugar. 🙂

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O cenário atual, porém, é bem diferente. A Madeira vive essencialmente do turismo. São os ingleses que formam o maior contingente de turistas na ilha onde tudo: paisagem natural, clima, atrações, parecem cair bem ao gosto deles.

A Madeira hoje está totalmente integrada a Portugal continental e ao cenário da União Européia. A redemocratização de Portugal viabilizou o projeto do governo regional com relativa independência do continente e os madeirenses adoram reafirmar sua autonomia.

É curioso que a redemocratização no continente acabou por viabilizar a criação de uma “democracia à madeirense” que mantém no poder o mesmo governador regional por 30 anos. Um assunto pra lá de controvertido por lá.

Seria tudo na ilha mesmo “para inglês ver“? 🙂

Sobre a política, eu nem me atrevo a comentar, mas garanto que há, sim, muito pra todo mundo ver e curtir!
E encaixando assim num pacote “pague uma e leve duas”, fica mais fácil ainda.

Até os próximos posts.

Conexões TAP Portugal: use com moderação

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foto extraída deste endereço.

Para voar e ser feliz com a companhia que oferece o maior número e a mais variada oferta de vôos entre o Brasil e a Europa é preciso conhecer alguns truques.

Das minhas duas experiências em menos de um ano com a TAP, de conversas com funcionários durante os vôos e em terra e lendo outros relatos de passageiros, eu aprendi que:

• Ao voar TAP para destinos além Portugal é sempre recomendável optar por uma parada em Lisboa (ou Porto, conforme o caso) do que por uma conexão direta, a companhia de bandeira portuguesa não é das mais pontuais. Horário de partida para a TAP serve apenas como indicação 🙂 .

• Se não houver intenção de parada em Portugal, ao fazer a reserva, confira o horário da próxima conexão e se não houver um próximo vôo num intervalo razoável, considere voar com outra companhia.

• Perdem-se mais conexões os passageiros no sentido Brasil-Europa do que no sentido inverso. A razão é simples. A TAP costuma segurar em Lisboa os vôos com destino ao Brasil até que todos os passageiros procedentes de outros destinos na Europa cheguem, pois normalmente há apenas um vôo por dia para cada destino brasileiro.

• Os aviões da TAP permanecem em terra no Brasil pelo mínimo tempo necessário, normalmente umas 2 horas. Um atraso na partida de Lisboa acarreta num atraso na decolagem do Brasil de volta a Portugal. São os passageiros desses vôos que mais perdem conexões em Lisboa.

• Para completar, o aeroporto da Portela em Lisboa é muito desconfortável para operar o hub que a TAP deseja oferecer. Deve ser dos piores de toda a Europa Ocidental. Quase não há fingers, a maior parte das conexões é feita em ônibus. Como se já não bastasse isso tudo, os funcionários de terra da Groundforce são de uma rispidez e falta de atenção nada comuns em Portugal.

• Ainda assim, os aviões são bem equipados e a tripulação muito atenciosa. Sabendo o que esperar e preparado para estes imprevistos quase previsíveis, vale a pena voar com a TAP se o destino for Portugal ou se a cidade de partida não for atendida pela concorrência, como Brasília, Belo Horizonte e as capitais nordestinas.

Passar em Portugal apenas para conexão é correr um risco muito grande de ficar com uma primeira impressão totalmente infundada de um país tão interessante e simpático.

Bratislava: o melhor programa de Viena

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Está tudo pronto para a festa. A decoração do salão está impecável, a divulgação da festa foi de primeira, a música pra estas bandas tem muita tradição, tem comida e bebida de boa qualidade e à vontade, a equipe de apoio distribui sorrisos para todos. Mas onde estão todos?

Só estão faltando os convidados…

É assim que eu resumo Bratislava ou Partyslava como pretende ser conhecida a capital da República Eslovaca. Esta que é a capital mais nova do centro da Europa (o termo leste europeu caiu de moda por lá, não sei o motivo) tem investido tudo o que pode em sua campanha para arrumar a casa e atrair os turistas.

Porém, Bratislava vive um dilema. A proximidade com outras capitais mundialmente conhecidas e visitadas é o principal motivo para, ao mesmo tempo, atrair e afastar os visitantes.

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Só pra ter uma idéia, nos limites de Bratislava encontram-se duas fronteiras: a Áustria está ali, no subúrbio, a menos de 6 km e a Hungria está logo depois de uma curva do Danúbio, a uns 20 km do centro da cidade. A fronteira com a República Checa, por sua vez, pode ser alcançada a menos de 60 km a partir da saída norte da capital.

Você já deve ter entendido o que isso significa. É moleza chegar a Bratislava partindo de Praga (320 km), Budapeste (210 km) e especialmente de Viena (65 km), de onde nós partimos para um bate e volta que deixou gostinho de quero mais.

É tão fácil chegar e tão perto, mas como se fazer notar e atrair turistas competindo com capitais como Viena, Budapeste e Praga? Qual é o apelo?

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Bratislava tem um pouquinho destes três mundos numa miniatura. Embora já tenha sido capital do Reino da Hungria e, posteriormente, anexada ao Império Austro-Húngaro, o sangue de Bratislava é eslavo. Os eslovacos são parentes dos morávios, que ficaram do outro lado da fronteira com os tchecos. Tchecos e eslovacos dividiam o mesmo país até 1993, então é natural esperar que Bratislava guarde mais semelhanças justamente com Praga ainda que seja a mais distante das três capitais.

Bratislava não é grandiosa como Praga, mas tem a simpatia dos vizinhos húngaros e seus bares e cafés são muito mais charmosos e atraentes do que os de Viena.

O centro antigo, a jóia da cidade, foi todo restaurado. Está impecável. Os investimentos se transformaram em novas lojas, restaurantes, cafés e hotéis. O Euro ainda não chegou oficialmente mas, além de correr solto como segunda moeda, já marca sua presença nos preços, pouco mais baixos do que os de Viena, por exemplo.

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Mas o apelo está mesmo na receptividade do povo aos turistas. Sabe aquele lugar onde você, visitante, se sente especial?
A gente se sentiu muito bem na Eslováquia, tanto que concordamos que o bate e volta a Bratislava foi o programa mais gostoso que fizemos durante nossa “viagem com bebês” a Viena.

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A Clara, nossa filha-tripulante, tinha 3 meses de idade quando cruzou a antiga Cortina de Ferro. E ela adorou Bratislava, viu?

O jeito mais legal de chegar à Bratislava deve ser pelo rio. Eu queria muito ter conseguido lugar no ferry (chamado hydrofoil) que liga Viena a Bratislava e a Budapeste pelo Danúbio mas com um dia apenas de antecedência e no verão, teria sido muita sorte.

De trem, apesar de não ser tão interessante, é tão simples quanto e mais rápido e barato. Os trens partem da estação sul de Viena em horários bem freqüentes. Dependendo do horário, você pode pegar um trem austríaco (melhor e mais novo) ou eslovaco, que só é bom se você quiser ter uma experiência “Adeus, Lênin”.

Logo que chegamos à estação central de Bratislava tomamos um susto. Só faltava a placa: Bem-vindos ao Terceiro Mundo. A estação central de Bratislava ainda está esperando os investimentos. O trem austríaco moderníssimo destoava de toda a imagem a nossa volta. Tudo muito velho, abandonado, aqueles carros russos… E a gente, ali, dando de mamar à nossa pequena Clara. Sei não, sei não…

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Prevendo o pior, eu havia anotado o nome de um ponto da cidade que, pelos relatos obtidos na internet, me pareceu um porto seguro. Sim, porque chegar numa cidade estranha (num país estranho), com um bebê de 3 meses, para um passeio bate e volta, sem ter noção de onde ir, é arriscar demais o programa. Eu precisava de um lugar-base que fosse, em si, um programa, caso a gente não gostasse de nada.

– “U.F.O.”. Foi tudo o que eu disse (meio com cara de alienígena) para o taxista que, gentilmente, abriu a porta do carro para a Tati, o porta-malas para o Cadillac da Clara e que não falava nada de inglês comigo.

Não precisava. O U.F.O. é um dos principais pontos turísticos de Bratislava e pode ser visto de quase qualquer lugar. Em dois minutos no carro já dava pra vê-lo ao longe, como um disco-voador sobre a ponte que atravessa o Danúbio.

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O U.F.O. é restaurante, bar, café, observatório e que, ainda, se transforma em balada à noite. É sim um lugar internacional mas com simpatia bem eslovaca. Em princípio pensamos que aquele ambiente modernoso e requintado jamais receberia bem um casal de turistas (vestidos como tais) empurrando um carrinho de bebê com uma mini-turista a bordo.

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Pois fomos muito bem recebidos e comemos maravilhosamente bem. Uma delícia de comida internacional acompanhada de um vinho branco eslovaco muito bom. Aproveitamos a super vista para planejar o nosso passeio seguinte, pelo centro antigo da cidade, com a ajuda do nosso garçom bilíngüe que ainda nos contou muito sobre a transformação que a Eslováquia e Bratislava, especialmente, têm sofrido. O bate e volta já teria valido a pena ali.

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(A vista da frente do restaurante é para o castelo e o centro da cidade. A do banheiro masculino, veja detalhe das latas, é para os antigos prédios residenciais comunistas… Haveria aqui uma mensagem subliminar?) 🙂

Ainda assim, atravessamos “de carrinho” o Danúbio e descemos para nos embrenhar pelas ruas da cidade antiga.

A moça da feira de artesanato que nos vendeu um brinquedinho para a Clara parecia chocada ao saber que aquele único casal de turistas que olhava a barraca dela havia vindo do Brasil e que carregava uma brasileirinha no carrinho. Como ela achou a Clara linda, a gente adorou a moça.

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A gente viu diversos restaurantes, bares e cafés bacanas. Prédios lindos. O castelo estava lá no alto, vimos só de longe. Deu vontade de ficar mais para aproveitar aquilo tudo. A gente só tinha uma tarde. Pena.

Por todas as ruas, parecia que tudo havia sido inaugurado naquela semana. Tudo novinho. E todo mundo tão simpático! E tudo tão vazio? Por quê?

Pra onde foram todos?

Para a estação de trem. Todos os poucos turistas estavam lá pra tomar o mesmo trem que nós no final da tarde em direção a Viena. Para todos os turistas, Bratislava ainda é só um bate e volta.

Da próxima vez, o nosso bate e volta será a Viena.