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Bath: City-tour assim, eu “recomeeeeindo”!

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Olha a equipe do “Receptivo”: Guias GiraMundo!

Não gosto de city tour! Está inclusive nos meus mandamentos de viagem. Simplesmente não combina com meu jeito de viajar, mas visitar uma cidade nova em companhia de amigos que conhecem bem o lugar…Taí um city tour que eu fecho na hora e faço com gosto!

Foi assim que eu conheci Bath. Num city tour relâmpago e com tempo péssimo! Mas com 2 guias só pra mim.

Quando meu amigo do trabalho, Handy-Andy, se ofereceu para me levar à Bath, eu topei na hora. A simpática esposa dele, Lou, é de lá e eles viveram 15 anos na cidade. Ao saber disso, eu sabia que não poderia perder o programa. Era a minha chance de conhecer algo Além-Heathrow… Mudei meu bilhete de retorno de sexta para o sábado só pra fazer city tour.

Combinei com o Andy que a gente se encontraria na estação de trem próxima da casa dele em Winchester. Uma localidade “high class-beautiful people” a sudoeste de Londres. De lá, eles me levariam à Bath e me deixariam em Heathrow na volta. Pô, city tour + traslado, isso é quase um pacote!

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2000 anos de História em 5 curtos parágrafos!

Contam os livros de História ingleses que Bath foi fundada pelos Celtas da tribo Dobunni que descobriram as fontes termais. Eles acreditavam que as fontes eram sagradas. Diz o folclore inglês que um príncipe dessa tribo (Bladud) havia contraído lepra e foi curado com aquelas águas. Lenda ou não, assim como hoje, tudo o que não podia ser explicado era atribuído a Deus e/ou sua equipe, então, desde sempre, Bath foi um lugar sagrado para todos os povos que conquistaram a região.

Os Romanos chegaram e sempre muito pragmáticos, conquistaram o novo território, dominaram o povo e… acharam melhor não mexer com a crença do povo nativo, afinal era assim que eles faziam. Assim, os Romanos respeitaram os costumes e crenças dos Celtas (Também não sabiam explicar a origem das fontes) e confirmaram a atribuição aos Deuses para não arrumar mais encrenca… O negócio deles era o trabalho explorado, os recursos, o comércio, etc)

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O que os Romanos não podiam abrir mão era de trazer a “infra”. Sim, disso eles entendiam.
Recém chegados do clima ameno do Mediterrâneo, eu imagino que eles viram as fontes ali “underdeveloped” e pensaram:

“Isso aqui daria um ótimo spa! Mão na massa, escravos!”

Foi daí que surgiram as termas mais “quentes” que o Império construiu fora de Roma!

Os Romanos foram colocados pra correr pelos povos Bárbaros da Irlanda, Escandinávia e do norte da Grã Bretanha e, mais recentemente já em tempos Victorianos, a família Real mandou construir um monte de coisa sobre as ruínas Romanas, porque eles se achavam os tais e precisavam de uma infra mais atualizada para curtir as águas quentes.

Através de 2000 anos, mudaram-se os atores, mudaram-se os cenários, mas a História se repete sempre igual. Eita, Evoluçãozinha lenta!

Veja só, eu soube de tudo isso ainda no carro, antes de chegar à Bath. Quando chegamos, a História ficou bem pessoal.

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A História que vale um city tour

Fazia anos que o Handy-Andy e a Lou não visitavam a parte histórica e central de Bath e assim que o passeio começou, notei que aquilo estava funcionando quase como uma regressão para eles… Ao virar a cada esquina, histórias e mais histórias passaram a ser lembradas e os papéis se inverteram, o passeio era deles, já não era mais meu. Eu era um simples Brazilian excuse.

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Casa onde a Lou cresceu em Bath. Ela ficou feliz por eu ter batido a foto e enviado pra ela. Em visita turística pela cidade, você bateria uma foto dessas?

Mas é aí que o passeio fica mais legal. Eu não teria gostado tanto de Bath se não tivesse ouvido, visto e dado risada com as histórias deles. A igreja onde o Andy tocava violão na porta pra levantar uns pounds, o pub onde eles se conheceram, o rio onde eles nadavam depois das aulas e tantos outros lugares não teriam sido tão especiais se não tivesse uma história de fundo tão interessante para se ouvir. Foi um barato!

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E se não fosse por eles, eu também não teria conhecido o Café Rouge, um legítimo restaurante de cadeia de sangue inglês com tema francês que é Bom-Bonito-Barato. Eles me falaram que os franceses acham um crime uma cadeia inglesa de restaurantes “tipo francês”, mas eu achei ótimo, o atendimento é ótimo, as refeições são deliciosas e o preço bem acessível. O mínimo que eu poderia fazer era pagar o almoço pra eles.

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Curiosamente, a última parada do city tour foi no lugar mais turístico de Bath, as Termas Romanas! Meus guias me deram o ingresso, um livrinho e ainda alugaram o aparelho para eu ouvir toda a História do lugar com detalhes. Isso é que são guias!!! (Eles devem ter mesmo gostado do tour que fiz pra eles no Rio e SP quando estiveram no Brasil).

Não posso deixar de dizer que as Termas são realmente tudo aquilo que eu ouvia falar e que valem a viagem. Curti demais!

E teve mais, teve passeio extra! Sem custo adicional, meus guias passaram por Stonehenge, mas o tempo estava inglório, nada convidativo.

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Eles pararam o carro, eu desci e com o pé cheio de lama e muito vento frio de verão inglês na cara, consegui constatar que Stonehenge só vai me interessar mesmo se em algum dia, algum amigo bem entendido do assunto OVNIs e ETs voltar a me levar lá 🙂 . Do jeito que eu vi ali, todo mundo em ônibus de excursão seguindo o guia com guarda-chuva e bandeirinha, eu tô fora!

Viagem a trabalho: Compromisso saideira!

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    típica “sala de reunião” londrina concorridíssima depois das 18hs

Quando chega a sexta feira, aquela vontade de relaxar começa a imperar e à medida que o dia caminha para o fim, cada vez menos coisas são resolvidas.
Para muitos povos, isso costuma acontecer às quintas feiras, eu sei, mas o sentimento é sempre igual onde quer que se esteja independente de raças, culturas e crenças.
É dada a hora de celebrar o descanso, seja num bar, à mesa para uma refeição ou numa oração.

Em Londres não seria diferente, ainda mais no verão. Mesmo que a estação “quente” deste ano esteja fraca para eles, basta a temperatura estar acima de 20ºC, com ou sem garoa, para que eles corram para o lado de fora para celebrar!

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Verão londrino!!!

Na manhã do meu último dia de trabalho, eu ainda consegui resolver bastante coisa importante, mas para o período da tarde, eu já antecipava que profissionalmente eu não conseguiria tirar muita coisa da cartola, então, decidi que aquele era o momento de fazer uma visita a aqueles colegas que passo um tempão falando por telefone ou trocando emails e que raramente vejo pessoalmente. Afinal, não é todo dia que tenho a oportunidade de estar em um dos escritórios principais da empresa.

Passar para falar um oi, tomar um café e perguntar como estão as coisas. Simples assim. Além de prazeroso, isso ajuda muito no trabalho. Não há e não haverá nada que substitua o contato pessoal. É no retorno que o investimento de uma viagem a trabalho é recuperado. O comprometimento entre as equipes fica mais forte e um ambiente amistoso de trabalho só ajuda, não é mesmo?

Tudo começou assim, comedidamente. Passei no escritório de um, tomei um chá, depois passei na mesa de outro, tomei um café. Com a tarde avançando, fui para outro endereço e tirei um amigo de dentro do escritório para tomar um capuccino no café ao lado o que já foi uma pausa mais longa… Até que no final da tarde, com o expediente encerrado, já no pub mais próximo, o “compromisso” virou cerveja.

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E sabe o que foi mais legal? Parece até brincadeira, mas no meio de tudo isso, rolou um “tour”.

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Da Casa do Canário (Canary Wharf) eu peguei o DLR (Docklands Light Rail). Um metrôzinho de superfície construído para facilitar o deslocamento exclusivamente entre os dois centros financeiros de Londres: a antiga e sempre prestigiosa City e as novíssimas instalações de Canary Wharf. Liga ainda, o centro financeiro ao aeroporto “business” de Londres: City Airport.

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Entre estes dois pontos, o upgrade é geral. A região de docas do leste de Londres está no meio de um mega boom imobiliário. Tudo está sendo reconstruído, reformado e antigos espaços vazios estão agora sendo ocupados. Curti a região. Perto do trabalho e junto ao centro de Londres.

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Quando desci do DLR, eu me surpreendi com a região e com o escritório. Está tudo novo, havia uma semana que eles haviam mudado e achei o mais interessante dos que já conheci da empresa. Dentro de um complexo de prédios antigos que poderia ter sido uma escola, todo murado e com lindos jardins.
Por dentro foi todo reformado com a melhor infra possível. Demais!!!! Eles não gostam, porque estão se sentindo isolados. (Devia trazê-los para o Brasil).

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A localização é quase turística, ao lado da Torre de Londres, Tower Bridge e especialmente deste lugar escondido que num dia de mais sol seria espetacular. Uma jóia escondida no centro da cidade. Depois de tomar um café no St. Katharine’s Docks, eu pensei em não voltar à Canary Wharf nunca mais.

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A última “reunião” do dia acabou emendada com um happy hour com meu amigo italiano de nome cearense: Giuseppe Raimondo no Southbank.

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Resolvi seguir para este importante compromisso a pé. Fui caminhando pela Tower Bridge e passei pelo prédio da prefeitura de Londres que é a minha construção moderna favorita na cidade. Essa região do Southbank é a minha favorita em Londres.

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Um passeio entre o Butler’s Wharf e a Tate Gallery está na minha lista de “TO DOs”. Beira rio ou no emaranhado de pequenas ruas ao redor, não há como não encontrar bares, restaurantes e um monte de atrações legais.

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O Zé me levou num lugar sensacional. Eleito pelos nativos, como melhor atração turística de Londres para londrinos: o Borough Market. Vou precisar voltar mais cedo para explorar mais antes da cerveja rolar solta e pegar o mercado aberto, mas já gostei do lugar mesmo fechando.

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Eu acho meio sacal o costume de ter que pagar pela bebida a cada rodada, mas ao fazer isso, a vantagem é que você pode ficar do lado de fora ao ar livre e não precisa se espremer dentro do pub (uma alternativa é deixar o cartão de crédito com o caixa).

Um outro hábito etílico local é que cada um que entra para pegar bebida, compra a rodada para o grupo todo e todo mundo quer entrar ao menos uma vez para retribuir, então o número de rodadas aumenta com o número de pessoas no grupo. Se forem dez amigos, serão dez rodadas, se todos entrarem apenas uma vez. Mais uma desculpinha barata para beber mais. Coisas do “jeitinho inglês”!!!!

Ainda que os meus hábitos etílicos sejam moderados, num grupo de três pessoas (o Zé encontrou uma amiga americana lá), ao menos 3 pints para cada um estavam garantidos, ainda que nenhum de nós fosse inglês. Para me manter firme, eu pedi para comermos e migramos para o bar ao lado onde nos servimos de ostras (compradas do mercado em frente) com vinho Chablis e seguimos discutindo uma longa pauta muito importante, que incluiu os planos de Reveillon deles no Brasil.

Foi bastante divertido e eu até achei que estava muito sóbrio, mas a foto que tentei bater deles sem flash me denunciou. Veja só.

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Ficou evidente que era hora de encerrar a reunião e voltar pra casa…

Viagem a trabalho: Caçando o jantar em Mayfair

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Eu não costumo pular refeições, fico mal humorado com fome e normalmente as refeições são um dos principais programas nas minhas viagens.

Assim, durante os meus safáris turísticos noturnos, eu precisava conciliar uma caminhada legal com uma boa refeição. Felizmente, na região onde eu estava hospedado não era difícil encontrar boas opções. Mais uma vez, ainda bem que escolhi bem o endereço do meu hotel.

Mayfair é um bairro “de bacana”. Uma mistura de Recoleta com Gramercy. Achou muita frescura essa definição? Pois é isso aí mesmo.

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Em Mayfair, assim como em todas as partes de Londres, há muitos, muitos imigrantes. A diferença aqui é que eles são ricos ou diplomatas. As origens são as mesmas, são indianos, paquistaneses, árabes, alguns africanos, mas em comum, todos parecem (e devem ser mesmo) muito ricos!

Toda vez que eu saía por Mayfair, eu tentava encontrar o pub Red Lion indicado pelo meu amigo Giuseppe. O tal pub é de um amigo dele. Ele falou que eu iria gostar e que era perto, apesar de bem escondido. Bom, o resultado é que eu precisei de vários dias para caçar o Red Lion!

Toda noite eu acabava ancorando em algum outro lugar. Era até engraçado. De manhã, o Zé perguntava:
– E aí, foi ao Red Lion?
– Não encontrei, me perdi, achei outro lugar. Sempre tinha alguma coisa…

No primeiro dia, na recepção do hotel, eu havia arrumado um mapa e a informação de um lugar chamado Shepherd Market que fica bem perto do hotel.

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Shepherd Market

Não deu outra, na primeira noite, eu estava bem cansado e quando vi animação, logo ali pertinho, resolvi que era ali que eu iria jantar. Nem pensar em procurar o Red Lion.

O pessoal por ali estava mais para um booze do que para jantar, eu estava mais para jantar do que para beber, então percebi que não havia tantas opções quanto parecia. Até que um lugar me chamou a atenção: Bistrô L’Autre. Um lugar com nome francês, chamado bistrô que oferece uma combinação de cozinha polaca com mexicana. O que poderia ser aquilo?

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Eu sei que os poloneses estão invadindo Londres, poderia até ser que aquilo era somente um bistrô francês onde o assistente de cozinha é mexicano e o garçom, polonês… Sei lá, com fome, uma noite bonita daquelas e animação na esquina, resolvi conferir.

Não foi caro, não foi especial. O pedaço de lombo que eu comi tinha “gravy” que eu adoro e era macio como o garçom havia dito, mas também era o lombo mais cheio de gordura que eu já comi. Explicava-se assim a maciez da carne. Na verdade, o prato não parecia mexicano, nem polonês (se é que eu entendo disso), o prato era bem inglês. Não gostei, só valeu pelo ambiente. Nem o vinho era bom, antes tivesse pedido uma cerveja.

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Em outra noite, saí caminhando por Mayfair em direção norte, meu objetivo era achar o Red Lion e chegar até a Oxford Street. Segui caminhando com um olho na rua e outro no mapa e vi que havia uma praça bem grande no meu caminho. Mirei nela e segui.

Ao chegar à praça: surpresa! É ali que fica a Embaixada dos EUA. Eta gente espaçosa e mal resolvida com a vizinhança! Cortaram meu barato, a praça estava toda fechada e fiquei desmotivado de atravessar pelo outro lado, resolvi mudar meu destino e seguir pela direita.

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A Embaixada que invadiu a praça!

Achei um pub que me chamou a atenção: Audley’s. Apesar de parecer posh (meio termo entre “cool” e “chic” no inglês da Inglaterra), o lugar era mesmo BBB. Gastei pouquinho e comi bastante e bem. Jantei experimentando uma cerveja St. John’s. Não sou nada entendido, mas achei que combinaria bem e… ficou ótimo. E lá se foi a segunda tentativa de encontrar o Leão Vermelho!

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Dali, segui caminhando e encontrei o restaurante do Gordon Ramsey (chef e astro de reality shows de gastronomia), conferi o cardápio, admirei o Hotel Claridge’s e continuei caminhando. Só teria graça se eu estivesse bem acompanhado.

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Quando cruzei a Regent St, vi que eu tinha cruzado uma fronteira. Dali pra frente, estava o SoHo e à noite, o lugar não fica lá muito bem freqüentado não. Os mais bêbados já estavam usando a rua como banheiro. Era melhor nem continuar. De dia, vale o passeio, o bairro mistura lojas legais, bons restaurantes, junta-se com West End, é bacana. Mas naquele horário…resolvi voltar de metrô. Acabei encontrando o Piccadilly.

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Regent St

Na terceira tentativa de matar o leão, eu saí decidido a não desviar pra lugar nenhum, mas ao encontrar o Papagallo, eu não consegui seguir adiante. O cardápio tinha primo piati, secondo piati, ah não deu não. Mas nesse dia o Giuseppe ficou orgulhoso de mim. O Papagallo é um restaurante italiano muito bem conceituado!!!! Jantei espetacularmente bem. Só não era exatamente barato 🙂

Foi só na quarta tentativa que eu encontrei o tal pub. O Red Lion é muito escondido, eu passei muito perto dele em todas as noites que circulei ali e não encontrava.

Fica escondido porque deve ser o único pub pé-sujo de Mayfair. Super tradicional. Muito legal. Comi e bebi bem baratinho. O atendimento é todo brasileiro (viu como é tradicional?), a comida estava ótima, eu me empolguei e pedi até sobremesa. Foi muito gostoso! Altamente recomendável e muito barato também.

Se o pessoal da minha empresa pudesse ler este post ficariam orgulhosos de mim!!!

Confira a série “Viajando a trabalho”:

* Filosofando no metrô de Londres
* Chegando no escritório com bom humor
* Aproveitando o pouco tempo livre
* Onde se hospedar
* Londres-viajando a trabalho

Viagem a trabalho: Filosofando no metrô de Londres

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Depois de alguns dias sozinho, longe da esposa e da filha, sem ninguém para conversar no meu idioma, eu tive um dia instrospectivo. Por algum tempo, passei a questionar tudo! Foi o cartaz acima que me despertou para isso numa dada manhã de sei lá que dia…

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Uma pergunta que não queria calar: Mas afinal, por que será que aqui eles não respeitam a mão inglesa? 🙂

Entre várias coisas não muito importantes que parei para prestar atenção, notei, finalmente, algo óbvio que estava ali todos aqueles dias sem que eu notasse. Há agora muito policiamento nas estações. Imagino que afora os postos policiais dentro das estações, novidade para mim até então, deve haver dezenas de policiais a paisana circulando também.

Além do tradicional “Mind the gap”. Ouvem-se também pelos alto-falantes dos trens e das estações os avisos sobre objetos suspeitos deixados em todos os cantos, como nos aeroportos. Mas, não há histeria, mesmo no dia seguinte em que um carro-bomba havia sido desmantelado perto da estação Piccadilly, o clima era normal, a única diferença era que o trem havia chegado à minha estação (a primeira depois de Piccadilly) mais cheio do que o costume, pois aquela estação havia sido fechada.

(Breve parêntesis: andam me falando que eu atraio esse tipo de coisa. No dia seguinte, um outro carro havia sido descoberto na avenida do meu hotel. No momento que seguia para Heathrow para vir embora, o Exército estava chegando também e vistoriando os carros, pois havia acabado de explodir um carro no aeroporto de Glasgow. Na última vez que eu havia estado em Londres, houve um grande blecaute suspeitíssimo. Eu estava em Downtown NY no dia 11/09… Caramba, mais um pouco, vão achar que sou um sujeito suspeito).

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Eu fiquei pensando no propósito deste aviso deixado em todas as estações da linha Piccadilly em um dos dias em que passei por lá. Será que o propósito deste aviso não era também deixar a população mais tranqüila de que não havia acontecido nada “ameaçador”? Seja lá como for, achei um ótimo exemplo de respeito ao cidadão. Muito bacana.

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Como sou um sujeito positivo e escaldado, esqueci esses assuntos nada agradáveis e terminei concluindo que circular pelo metrô de Londres é uma forma de conferir ótimas dicas de viagens. Nestes quadrinhos que distraem os passageiros nas intermináveis escadas rolantes, você pode aproveitar de tudo um pouco para sua viagem: os novos shows, os melhores passeios fora da cidade, as melhores tarifas de seguro de viagem, as melhores ofertas de passagens low-fare… Quer ir à Calgary por 115 Libras, confere no metrô! 🙂

Veja, também, na série Viagem a trabalho:

* Chegando no escritório com bom humor
* Aproveitando o pouco tempo livre
* Onde se hospedar
* Londres-viajando a trabalho

Viagem a trabalho: chegando no escritório com bom humor

Eu curto apreciar a vida e o dia a dia dos nativos toda vez que viajo. Acho interessante observar os hábitos, entender como as pessoas se comportam, essas coisas. Viajando sozinho então, fica fácil se distrair observando os outros!

Em Londres e a trabalho, eu poderia não somente observar, mas também viver como um nativo por alguns dias, como num “reality show”. (Um pequeno parêntesis: tem tanta câmera CCTV vigiando Londres que muitas vezes, você acha mesmo que vive num reality show, mas isso é outra história).

Por alguns dias, eu saí correndo atrasado do hotel, carregando meu Daily Telegraph em passadas aceleradas para a estação de metrô mais próxima (Hyde Park Corner), de onde eu seguia até a estação Green Park para uma longa e interminável troca de linhas (Piccadilly e Jubillee). Dali, eu seguia direto para a casa do Canário (Canary Wharf), lendo meu jornal, ouvindo meu Ipod, em pé, observando o povo ao redor. Já na estação onde eu descia, eu comprava meu café da manhã como eles fazem e carregava tudo para minha mesa no escritório, não sem antes pegar um chá com leite…

Uma experiência antropológica interessante é verdade, mas apenas por alguns dias. Com o sol nascendo às 4 horas da manhã, eu havia planejado que se o dia amanhecesse bonito, eu faria um programa diferente antes de ir trabalhar. Eu acordaria uma hora mais cedo e faria o caminho mais longo para chegar ao trabalho…

Sim, eu consegui saltar da cama mais cedo!!!! Quase não muito mais cedo, mas eu havia deixado tudo pronto na noite anterior, feito a barba, separado a roupa, deixado até o cinto na poltrona para não perder tempo. O plano era banho e rua.

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Segui caminhando do meu bem localizado hotel no Hyde Park Corner (no entroncamento do Green Park com o Hyde Park, entre Mayfair e Belgravia), direto pelo Green Park até chegar à casa da minha vizinha mais ilustre, a Rainha e seu humilde palácio.

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Nesse dia, ela com certeza estava em casa, a bandeira estava hasteada e os jornais davam os detalhes de como tinha sido o cerimonial de troca de Primeiro-Ministro menos formal de todos os tempos. (Diferentemente do filme A Rainha, parece que o Gordon Brown não precisou se curvar e beijar a mão da Majestade, azar do Blair que beijou).

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Da casa da Rainha, eu cruzei o The Mall e segui pelo St James Park em direção a Westminster.

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Quando eu vi o Big Ben e percebi que a primeira coisa que eu havia pensado era que estava ficando tarde para minha reunião e que precisava tomar o metrô logo, caí na real e vi que a brincadeira de ser nativo não tinha graça nenhuma, eu queria mesmo era ser turista e poder continuar caminhando e cantando e seguindo a canção do meu mp3… Resignado, mas feliz, peguei o metrô apressadamente ali em Westminster, li meu jornal, em pé, como todo mundo… Como todo mundo?

Não, já não era mais como todo mundo, eu já tinha começado o meu dia com um belo programa e com bom humor!!!

Veja também na série “Viagem a trabalho”:

* Aproveitando o pouco tempo livre
* Onde se hospedar
* Londres-viajando a trabalho

Viagem a trabalho: aproveitando o pouco tempo livre

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Se alguém tivesse me fotografado passeando depois do trabalho, teria feito uma foto minha mais ou menos como esses dois cidadãos aí 🙂

Em Londres, nesta época do ano, o tempo de certa forma ajuda a quem gosta de dar um passeio depois de trabalhar. Sem brincadeira, os dias no final de junho chegam a brilhar até às 22 horas ( Bom, sol brilhar mesmo na Inglaterra é quase força de expressão). É verdade que a temperatura poderia estar um pouco mais alta para colaborar (no mesmo período do ano, no ano passado, durante a Copa do Mundo, o tempo estava quente e seco, conforme os meus amigos do trabalho faziam questão de me lembrar!).

Ainda que este mês de Junho tenha sido o mais chuvoso desde que o serviço de meteorologia começou a registrar os índices, um fato curioso me chamou a atenção: Toda noite, o tempo melhorava.

Durante o dia, eu enxergava somente nuvens e garoa fina, mas no final da tarde, o tempo melhorava, abria um pouquinho e me animava a dar uma volta.

Neste momento do dia quando você já está cansado de trabalhar e a cama do hotel é sua única companhia, você tem duas estratégias a seguir, mas precisará ter lido o post anterior para que ambas sejam mais eficientes:

1) Se você conseguir se desvencilhar do trabalho num horário digno por volta das 18h30min, por exemplo:

Dá para ir para o hotel, tomar um banho, beliscar qualquer coisa, colocar uma roupa mais confortável e sair, mas você precisa ser do tipo empolgado que não ficará com preguiça de sair depois do banho. Caso contrário, você corre o grande risco de terminar sua noite assistindo TV e pedindo uma refeição qualquer no serviço de quarto, pagando um preço tão caro que sua empresa preferiria que você tivesse saído.

2) Se você sair um pouco mais tarde do trabalho ou for do tipo que não faz questão de tomar um banhinho antes de jantar (hehehe), ou ainda, tem o privilégio de poder trabalhar de jeans e camiseta:

Melhor seguir direto do compromisso para um passeio, mas já sabendo aonde você quer ir e onde pretenderá comer, caso contrário você ficará cansado e com fome logo e não agüentará o passeio. Se eu tiver que ficar rodando muito, procurando onde comer, depois de um dia de trabalho… Não será passeio! Diga aonde você pretende caminhar e peça indicações para seus amigos do trabalho, antes de sair do escritório.

Viagem a trabalho: onde se hospedar

Cheguei a Londres em uma quinta feira pela manhã.

Maior correria, eu já estava atrasado para o meu compromisso, graças aos controladores de Guarulhos que seguraram o vôo por 1 hora na partida.

Eu precisava chegar a Canary Wharf (a leste do centro de Londres) que fica literalmente lá na casa do canário… Como gosto de chamar esse distrito comercial de cerca de 7 anos que rivaliza com a City em número de sedes de grandes empresas na cidade.

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Vista da City (principal centro financeiro da Europa) a partir da margem sul do Tâmisa.

Cheguei um pouco atrasado, mas resolvi meu dia. Não antes de concluir que Canary Wharf está bem melhor do que há 4 anos quando eu havia estado ali pela última vez. Tem mais vida, mais gente, mais opções, parece que está sendo integrado com a cidade.

Este bairro e toda a região de docas a leste do centro da cidade foram reconstruídos por volta da virada do milênio celebrando não só a virada, mas também o jubileu da rainha. A mais nova linha de metrô chama-se Jubillee, no final desta linha está o Millenium Dome. O Reino Unido vivia o auge da era Blair, quando a economia crescia em ritmo chino-europeu. Não, as coisas não estão ruins não, apesar da euforia já não ser tão grande, achei Londres ainda mais próspera desta vez do que da anterior.

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O distrito de Canary Wharf lá ao longe, visto da Tower Bridge.

Canary Wharf é um bairro moderníssimo onde deve estar a média salarial mais alta da cidade. As empresas mais importantes estão sediadas aqui e as que ainda não vieram, estão se mudando. Ainda assim, trata-se de uma “ilha” que poderia estar em qualquer lugar do mundo: Nova Iorque, Bangalore, Tóquio, São Paulo, Cidade do México, etc.

E por isso mesmo, não diz absolutamente nada sobre Londres, sobre a Inglaterra ou mesmo sobre a Europa, apesar de estar junto de uma curva interessante do Tâmisa.

Conclusão: Canary Wharf está para Londres como a Berrini está para São Paulo. Então a pergunta é: você se hospedaria na Berrini se tivesse que vir a São Paulo sozinho para trabalhar?

Ainda que no meu caso eu precisasse estar ali a maior parte do meu tempo, para cumprir o 10º mandamento Gira Mundo, a resposta só poderia ser NÃO.
Eu não quis me hospedar nos ótimos hotéis de Canary Wharf.

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Canary Wharf de perto, da estação do DLR (Docklands Light Rail – trem que o bairro liga à City e ao aeroporto London City)

Se você vai viajar a trabalho e quer poder aproveitar um pouquinho da cidade que vai te receber, você precisa escolher bem o endereço do seu hotel. Na maior parte das vezes, o endereço comercial que você precisa chegar para trabalhar não é o melhor lugar para se hospedar e na maior parte das vezes, vale a pena, ficar mais longe um pouquinho do escritório e não correr o risco de cair no tédio em uma cidade espetacular como é Londres.

As minhas opções eram:

1) Ficar em um hotel no bairro pasteurizado ao lado do escritório e gastar 5 minutos por dia caminhando, ou;
2) Gastar 1 hora e um pouco por dia caminhando, tomando metrô, fazendo longas “baldeações” (termo paulista para conexão no metrô), trocando o confortável café da manhã do hotel pelo trem cheio de todas as manhãs londrinas.

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Fiquei com a segunda, hehehe. Eu procurei um canto em Hyde Park Corner na lista de opções que me foi entregue. Toda empresa tem uma lista de opções, então pegue a lista e procure descobrir onde está “a cidade”. No meu caso, valeu a pena, sente só a vista (acima) às oito horas da noite!!!! Até o tempo estava me ajudando toda vez que eu saía do trabalho, hehehe.