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Trekking em Cinqueterre

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Vernazza, a preferida do Gira Mundo

Apesar de todos os vilarejos que compõem a Cinqueterre serem facilmente alcançados por trem (há uma estação em cada vilarejo), a forma mais interativa de percorrer a Cinqueterre é a pé. Não existe passeio melhor para quem aprecia uma caminhada leve.

A trilha que percorre o Parque Nacional foi batizada de Via dell´Amore e pode ser feita por qualquer um que tenha o mínimo de condicionamento físico e goste de trekking leve.

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Eu acho mais bacana fazer o percurso do fim para o começo, porque as três vilas do final ficam mais próximas entre si, então você começa o dia andando menos e vendo mais e, se resolver desistir, já terá percorrido o trecho mais interessante da Via.
No nosso caso, pegamos o trem em Rapallo direto para Rio Maggiore, a última parada do trem que percorre a Cinqueterre (o trem no sentido contrário vem de La Spezia e, então, Rio Maggiore será a primeira parada. Entretanto, como o fluxo de turistas é bem maior a partir de Levanto, Rapallo e Gênova costuma-se dizer que Rio Maggiore é a última parada).

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Rio Maggiore é bem íngreme. A vista do mar dali, bem alto, é linda. A Via dell´Amore começa (ou termina) ali, bem pertinho da estação do trem. No início é bem organizada, com proteção, informações, placas, etc. Ao longo do caminho, a Via vai ficando um pouco menos sinalizada, mais radical (!) e, em alguns momentos, vira apenas uma trilha entre pedras. Ainda assim, não dá para se perder, o trecho completo é movimentado e basta seguir o caminho junto ao mar que não tem erro. Uma hora ou outra você chega à próxima vila.

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A primeira visão de Manarola

A interação com os outros andarilhos é bem legal. O espírito coletivo dos viajantes aflora, todo mundo se oferece para tirar foto para todo mundo, informa como está o caminho à sua frente, quanto tempo até a próxima “terra”, troca dicas, muito bom. Achei muito legal as famílias que levam as crianças pequenas na trilha para caminhar. O pai precisa ser bem disposto para carregar as crianças em alguns trechos quando os pequenos se cansam mas, de maneira geral, achei um belo programa para famílias.

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Manarola

Manarola, a próxima parada, fica bem próxima de Rio Maggiore, uns 30 minutos de caminhada leve. É uma ótima parada para um “gelato”, um café, descansar um pouco. Sua disposição é perfeita para apreciar o mar. A vista mais legal do próprio vilarejo é a partir da continuação da trilha que segue para a próxima parada: Corniglia. Até lá, leva-se cerca de 1 hora.

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Corniglia, lá do alto da trilha

Importante é não esquecer de comprar uma garrafinha de água antes de começar cada trecho da trilha.

Corniglia é bem densa, cheia de becos onde não é difícil se perder. Fica numa pequena península, mas não chega a cair sobre o mar. Quem vem de barco tem um longo percurso escada acima para chegar ao centrinho. É interessante que a partir do vilarejo não é muito fácil encontrar o mar com os olhos. Ainda assim, muita gente vai te falar que Corniglia é a mais encantadora das Cinqueterre. É linda mesmo, mas a minha favorita é próxima.

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Corniglia e Manarola, na mesma foto. Lindas!!!

Vernazza é, na opinião deste que vos escreve, a mais linda das Cinqueterre. E eis aqui um dilema: o trecho entre Corniglia e Vernazza da Via dell´Amore é um pouco mais longo que os anteriores e tem trechos bem íngremes. Pode ser um pouco cansativo. É lógico que o visual é incrível lá de cima, mas se gasta fácil 1 hora e meia de caminhada. Talvez o mais indicado (e o que eu não fiz) seja tomar um barco em Corniglia até Vernazza e apreciar um pouco da paisagem a partir do mar mas, se você fizer isso, você não vai encontrar Vernazza através do ângulo que vimos ao chegar através da trilha. A vista que está na primeira foto deste post foi a que me deixou completamente extasiado por Vernazza e certo de que a caminhada valeu a pena. Simplesmente espetacular! Chegamos à Vernazza no meio da tarde de um sol lindo. Ficamos ali, bebericando espumante, tomando café, sorvete, molhando os pés no mar, que delícia… Nós já estávamos muito satisfeitos e não queríamos mais nada.

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Vernazza

Eu sabia que o trecho até Monterosso era o mais longo e difícil. Foi consenso do nosso grupo (estávamos em 4 pessoas) topar cancelar a caminhada até Monterosso e nos esticarmos pelos cafés de Vernazza até que o sol baixasse.

Se eu voltasse a Cinqueterre hoje e tivesse mais um dia, eu seguiria o conselho da colega blogueira Carla e iria até Portovenere que parece linda e é acessível por barco a partir de qualquer dos 5 vilarejos, mas continuaria pulando Monterosso.

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Itália: Parque Nacional de Cinqueterre

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Manarola

Eu estava comentando outro dia com um amigo que trabalha comigo, o Giuseppe Raimondo (um italiano com nome de cearense), sobre a minha tese de que as favelas da Zona Sul do Rio de Janeiro serão para a Humanidade daqui a 500 anos o que Cinqueterre ou, quem sabe, a Costa Amalfitana representam hoje.

Primeiro, ele me olhou e negou veementemente. Depois, ele pensou e concluiu que a tese faz sentido. Os fatos mostram que os primeiros passos nessa direção estão aí. As favelas vieram para ficar e, pouco a pouco, a infra-estrutura vem chegando. Já existem os favela-tours e a hospedagem alternativa do Favelinha… Essa profecia ainda vai se realizar um dia.

Tomara que dê certo no caso do Rio e que, assim como aconteceu com a Cinqueterre, somente sejam mantidas aquelas características que a tornaram um lugar tão precioso: as construções sobre os precipícios, a vista inacreditável dos vilarejos pendurados sobre o lindo mar azul turquesa. As chagas de outrora foram eliminadas: o excesso de habitantes, a falta de mínima infra-estrutura e de condições sanitárias.

A Cinqueterre é hoje um Parque Nacional. Um trecho de cerca de 8 quilômetros que se pronuncia sobre o mar entre La Spezia e Genova e que compreende as 5 famosas localidades que constituem o parque. São elas: RioMaggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterosso.

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Vernazza

Talvez alguém note que eu descrevo as 5 vilas na ordem contrária ao padrão do parque, mas é porque eu entendo que é nessa seqüência que se aproveita melhor a Cinqueterre e eu vou explicar no próximo post.
Não se chega de carro à região, mas ainda assim, o acesso é facílimo. Dá para chegar de trem em todos 5 vilarejos a partir de Genova e das cidades que dão suporte à Cinqueterre: Rapallo e Santa Marguerita Ligure.

Se não é difícil de chegar, mais legal ainda é saber que esta região da Ligúria fica bem no caminho entre Lombardia, Piemonte e a Toscana, ou seja, é perfeito para quem está fazendo aquele giro de carro pela Itália que eu acho JÓIA.

Hospedar-se ou não em Cinqueterre é uma decisão que deve envolver o tempo de permanência, perfil, orçamento e o roteiro de cada viajante. Se você tiver apenas 1 ou 2 dias para explorar, não recomendo a hospedagem nos vilarejos. Fará mais sentido montar base em Rapallo ou Santa Marguerita Ligure que são simpaticíssimos balneários. Um lugar gostoso para conhecer o dia a dia de uma autêntica cidade da Ligúria. Nem de longe há aqui a relação Mestre com Veneza. Rapallo e Santa Marguerita são passeios gostosos em si e podem ser sua base também para explorar outro recanto imperdível da região conhecido pelos seus preços altos: Portofino. Ou seja, o viajante econômico consegue montar uma base e escolher um bom hotel para estacionar o seu carro e sua bagagem sem precisar ficar trocando de hotel com freqüência, o que é bem chato.

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Corniglia

A hospedagem dentro da Cinqueterre é limitadíssima e relativamente cara pelo que oferece. Não é fácil conseguir reservar um quarto com banheiro que valha a pena por menos de 100 Euros. Se você viajar com muita bagagem então, vai ter que caminhar vila acima e abaixo até encontrar sua hospedagem. Não é nada fácil. Diferentemente de Capri – onde eu acho que é tão gostoso curtir a noite quanto o dia e por isso sempre recomendo que se durma ao menos uma noite lá – na Cinqueterre você pode pegar o trem em qualquer das 5 estações até a meia noite de volta para Rapallo e assim não se perde nada.

No próximo post, continuo na Cinqueterre descrevendo a caminhada pela Via dell’Amore, a trilha que liga os 5 vilarejos e que é a melhor forma de se conhecer a região.

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