Arquivo da categoria: Ilha da Madeira

Tem coisas que só 1 viagem a Portugal faz pra você!

A hospedagem de 2ª categoria!

Este estabelecimento merecia um destaque no Trip Advisor por conta de sua honestidade e transparência.

Eu sei que o termo “de 2ª” é largamente utilizado em Portugal, mas achei curioso a forma como esta pensão (super bem localizada no centro antigo do Funchal) dá o recado.

Eu tenho certeza de que eles sabem mesmo gerenciar as expectativas dos hóspedes. Afinal, em caso de algum inconveniente, lembre-se: “Esta pensão é de 2ª categoria!”.

Olha só, pela cara e pela “cara de pau”, tenho certeza de que não há na mesma localização melhor relação custo x benefício.

Preta, preta, pretinha…
Se eu um dia vier a abrir um café, eu vou dar o nome de “Pretinha do Café”. Adorei o nome. Simpático, criativo e curioso. Mas no meu café, vou contratar atendentes que façam jus ao nome do lugar.

Assim que vi a placa deste café, eu corri pra ver a cara da atendente lá dentro. Pois é, entendi que “O careca do café” ou “O bigode do café” não teriam mesmo muito apelo no mercado…

Putos e Cia

É isso mesmo. Bati uma segunda foto pra comprovar o nome que deixou as coleguinhas de berçário da Clara ruborizadas. A loja de brinquedos e roupas infantis, logo atrás da Sé do Funchal leva mesmo esse nome. Eu queria tanto ter comprado uns presentes para os putinhos dos meus amigos, mas a loja já estava fechada… pena!

Anúncios

Ilha da Madeira: Câmara de Lobos e Cabo Girão. Que nomes são esses?

    cabo-girao.jpg

Você sabe quem foi João Gonçalves Zarco?
(Se você for brasileiro, a chance de não saber é enorme!)

E o Pedro Álvares Cabral? Já ouviu falar?
(Se você for português, a chance de não saber também é bem grande 🙂)

Pois então, o João foi o navegador luso que primeiro navegou pelas águas da Madeira. Ele é o Pedro Álvares Cabral dos madeirenses.

camara-de-lobos-passeio-pelas-tabernas.jpg

Eu acabei conhecendo o Zarco logo na primeira praça que passamos no Funchal, mas acabei indo um pouquinho mais fundo na história dele porque fiquei curioso em descobrir a origem de nomes curiosos como a da vila de Câmara de Lobos e do cabo Girão.

O que se diz é que o Zarco chamou de Câmara de Lobos a enseada tranqüila onde ele encontrou uma numerosa população de lobos marinhos. Lobos que, aparentemente, só ficaram registrados no nome da vila, eu não vi nenhum sinal de lobo do mar pelas redondezas.

camara-de-lobos-homens-ao-bar-ii.jpg

Pouco a frente, o cabo Girão marca a parada final do primeiro “girão” que o primeiro navegador deu na ilha. Será que dá pra acreditar nisso?

Seja lenda ou História, não importa mais, o mérito acaba por ser sempre de quem chegou primeiro e o que importa, hoje, é que o Girão e a Câmara são os passeios off-Funchal mais fáceis de fazer, por nós, navegadores em férias.

camara-de-lobos-homens-ao-bar.jpg

Câmara está a 15 minutos de distância do Funchal e ao chegar ali, eu compreendi exatamente o que meus amigos luso-cibernéticos João Paulo e Margarida Nobre diziam sobre o interior da ilha guardar os melhores passeios da Madeira.

Câmara de Lobos deve ser hoje o que o Funchal era há 30 anos atrás. É o resumo mais emblemático da Madeira.
Linda, pitoresca, quase escondida, pequenina e iluminada. Durante as festas de fim de ano, o presépio é mesmo aqui.
Assim como todas as outras vilas da Madeira, a vila de Câmara fica espremida entre as altas encostas, o cabo Girão e o mar.

presepio-camara-de-lobos-ii.jpg

De um lado está o braço de mar que os pescadores usam para ancorar seus barcos onde, no passado, os lobos do mar possivelmente se abrigavam.

Do outro lado, subindo pelas encostas, estão as parreiras que produzem o insumo do delicioso vinho Madeira, tão bom e quase tão famoso quanto o primo Porto do continente.

E por todos os lados está o cabo Girão. Gigante e pontilhado de casinhas brancas iluminadas, o cabo completa a imagem de presépio de Câmara de Lobos.

cabo-girao-vista-das-fajas.jpg
Vista do alto do Cabo Girão para as Fajãs

O dia a dia é tranqüilo. Durante o dia, o comércio da vila parece ser território das mulheres. Os homens podem estar no mar ou talvez estejam cuidando da agricultura. Porém, no final da tarde, são eles que tomam conta do centrinho e lotam as tabernas que se alinham lado a lado pela entrada do ancoradouro.

    bar-e-bilhar.jpg

As mulheres desaparecem pontualmente com o por do sol, todas juntas, mas não há com o que se preocupar, o ambiente continua tranqüilo, o clima é familiar, afinal, aqueles homens não estão ali por acaso, eles carregam a responsabilidade de serem, também, personagens do presépio da vida real que é Câmara de Lobos.

Ilha da Madeira: Reveillon para bebês!


Vídeo feito da parte alta da cidade. Provavelmente a 600m de altitude.

O “gancho” que a gente precisava

Pra mim, todas as viagens têm que ter um “gancho”. Aquela desculpa que a gente arranja para justificar o estouro no cofrinho e sair correndo para o aeroporto. Sabe como é?

O gancho da viagem à Madeira foi o famoso Reveillon do Funchal. O maior espetáculo pirotécnico da Terra, segundo o Guinness 2007.

centro-do-funchal-visto-do-porto.jpg
Funchal, vista do porto.

Minha mãe, que é lusitana, sempre diz toda orgulhosa que os portugueses são famosos pelas festas com fogos de artifício. Eu sempre achei que havia algum exagero da parte dela até porque a única tradição portuguesa com fogos que eu conhecia eram as festas juninas da Portuguesa, no Canindé.

feliz-natal-e-bom-ano-novo-na-madeira.jpg
Feliz Natal e Bom Ano Novo em Câmara dos Lobos

Confesso, também, que achei suspeitíssimo o prêmio Guinness, especialmente porque eu sempre achei que Copacabana merecia um prêmio desse porte e porque eu nunca havia lido ou visto referência sobre o Reveillon do Funchal, o que prova que o Brasil não tem mesmo muita informação sobre a Madeira (nem o Guinness sobre o Brasil!).

presepio-no-funchal.jpg
Presépio de um restaurante do Funchal.

O fato é que as imagens da virada do ano de 2007 que a gente havia visto na RTP, logo no início de janeiro de 2007, não saíam da cabeça e esse virou um assunto recorrente durante o ano todo.

Como se vê, a viagem foi quase que por necessidade. Se a gente já tinha vontade conhecer a Madeira, agora a gente precisava conferir esse mega-evento de perto.

Para reforçar a desculpa e distrair o escorpião que toma conta do meu bolso, o argumento usado foi que nunca havíamos investido numa viagem bacana de Reveillon (vou descontar Copacabana que foi quase grátis) e que seria legal fazer isso na nossa primeira virada de ano com a Clara.

Com um “gancho” desses, o plano de viagem foi aprovado imediatamente e nem foi preciso apelar para as belezas da ilha, a simpatia do povo, os costumes, tradições e a deliciosa gastronomia madeirense. Isso tudo, a gente já esperava e comprovamos lá. O que a gente não esperava e se tornou um bônus foram duas surpresas que a Madeira guardava para nós.

camara-de-lobos.jpg
Câmara de Lobos

A iluminação de Natal: o gancho deles.

Foi o “gancho” que os madeirenses descobriram para esticar a temporada alta das festas de fim de ano até o final de janeiro. Que 5º Avenida, que nada! Em matéria de iluminação de Natal, nada se compara ao que se vê por lá.

se-do-funchal-iluminacao-i.jpg
Sé do Funchal

Os madeirenses capricham. Fazem de toda a ilha um grande presépio iluminado. E mais do que uma atração para os turistas, é uma tradição dos moradores. Os detalhes e o bom gosto na iluminação enchem os olhos desde as ruas antigas do Funchal até o menor dos vilarejos do interior da ilha. Eu não estou exagerando.

centro-do-funchal-a-noite-iluminacao-ii.jpg
Centro do Funchal

O Reveillon deles é perfeito para bebês.

Os fogos da virada do ano são mesmo um show digno da fama. A geografia particular do Funchal colabora muito com o espetáculo.

A área central do Funchal está localizada numa pequena baía. A partir do centro antigo da cidade, que está junto ao mar e do porto, os bairros sobem os penhascos num formato de meia lua até uns 700m de altitude formando um semicírculo urbano envolvendo a baía.

À meia noite, os navios de cruzeiro dão o aviso que o show vai começar. Havia uns 9 ancorados bem perto do porto. Segundo os madeirenses é do mar que se tem a melhor vista do espetáculo.

porto-do-funchal-no-amanhecer.jpg
Vista da baía no amanhecer de 31/12/2007. Barcos com fogos em posicionamento para o show.

Os fogos são disparados de TODA a cidade, das montanhas, dos prédios, do mar, do porto. Impossível não conseguir apreciar. Eu penso que os fogos podem ser vistos de qualquer ponto, embora, certamente a visibilidade fique bem comprometida no Lido, um bairro mais novo que fica fora da baía central, já nos limites do Funchal.

Ainda assim, de forma geral, é uma festa pra todo mundo curtir. Todos os navios apitam juntos novamente no fim da queima de fogos. Lindo e emocionante.

Um detalhe: o espetáculo é de cores e sincronia dos lançamentos dos rojões, mas o show é particularmente silencioso. Eles não disparam aqueles ensurdecedores rojões que eu costumava ver quando moleque na Praia Grande. Eu achava que aquela seqüência de 3 tiros fazia barulho demais, mas a verdade é que o barulho contribui muito para a empolgação do espetáculo.

Eu senti falta deles. Mas a Clara, não.

Ela nem acordou. Levamos o Cadillac dela para o terraço do hotel, ficamos quase duas horas lá entre umas 500 pessoas bebendo champagne, comendo uva-passa (a tradição portuguesa diz que você deve comer 12 delas na virada do ano), os fogos estouraram e a pequena sequer se mexeu. Voltou para o berço tão quietinha quanto saiu.

vista-do-cs-madeira-terraco-reveillon-ii.jpg
Terraço do CS Madeira

Se tivéssemos planejado, não teríamos conseguido. O Reveillon do Funchal é mesmo perfeito para bebês. A Clara adorou.

Ilha da Madeira: compre uma viagem e leve duas!

O que passaria na sua cabeça se você encontrasse um anúncio assim?

Compre um bilhete para o Arquipélago da Madeira e ganhe uma viagem a Portugal.

ilha-da-madeira-vista-sul-e-norte-do-cabo-de-sao-lourenco.jpg

1) Pra comprar uma viagem e levar duas, tem que haver alguma promoção;

Quantos brasileiros visitam Portugal todos os anos? Quantos incluem a Madeira no roteiro?

Garanto que muitos mais considerariam a viagem se soubessem que um bilhete com a TAP para o Funchal, a partir do Brasil, custa o mesmo preço que para Lisboa ou Porto onde a conexão é obrigatória e a parada pode (e deve) ser feita sem custos.

Desse jeito, fica mais barato incluir a Madeira numa viagem a Lisboa do que fazer um bate-e-volta em Évora ou Coimbra.

casarao-no-centro-antigo-do-funchal.jpg

2) Não me interessa, deixa pra lá, eu nem tenho parentes na Madeira;

É uma pena, mas é verdade. O brasileiro sabe nada sobre a Madeira.

Você conhece algum brasileiro que tenha viajado especialmente à Madeira que não tenha parentes ou origens por lá?

Eu não conheço. Talvez seja por isso que todo mundo ao saber que viajaríamos à Madeira dizia: “Vai levar a Clarinha pra conhecer a família?”.

Muitos devem ainda achar que minha mãe é mesmo madeirense 🙂

cruzeiro-no-funchal.jpg

3) Conhecia a Madeira como uma ilha, não como um arquipélago;

No Brasil, estamos acostumados a ouvir apenas sobre a ilha da Madeira que por ser tão maior e mais importante acabou por batizar todo o arquipélago que também é formado pelas ilhas do Porto Santo (habitada), Desertas e Selvagens.

4) A Madeira pertence a Portugal. Ir à Madeira significa ir a Portugal;

É uma verdade apenas no carimbo do seu passaporte. É interessante perceber o sentimento que o madeirense mantém com o continente. As origens estão lá no princípio da colonização da ilha durante as grandes navegações portuguesas.

A Madeira foi Colônia, não foi Metrópole. Para lá, os portugueses levaram todos os mesmos experimentos de colonizadores: a ilha foi dividida em capitanias, boa parte da vegetação nativa foi substituída por novas culturas nem sempre eficientes, escravos foram transportados, imigrantes foram atraídos. Eu já li essa história em algum outro lugar. 🙂

igrejinha-na-madeira.jpg

O cenário atual, porém, é bem diferente. A Madeira vive essencialmente do turismo. São os ingleses que formam o maior contingente de turistas na ilha onde tudo: paisagem natural, clima, atrações, parecem cair bem ao gosto deles.

A Madeira hoje está totalmente integrada a Portugal continental e ao cenário da União Européia. A redemocratização de Portugal viabilizou o projeto do governo regional com relativa independência do continente e os madeirenses adoram reafirmar sua autonomia.

É curioso que a redemocratização no continente acabou por viabilizar a criação de uma “democracia à madeirense” que mantém no poder o mesmo governador regional por 30 anos. Um assunto pra lá de controvertido por lá.

Seria tudo na ilha mesmo “para inglês ver“? 🙂

Sobre a política, eu nem me atrevo a comentar, mas garanto que há, sim, muito pra todo mundo ver e curtir!
E encaixando assim num pacote “pague uma e leve duas”, fica mais fácil ainda.

Até os próximos posts.