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Ilha da Madeira: Câmara de Lobos e Cabo Girão. Que nomes são esses?

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Você sabe quem foi João Gonçalves Zarco?
(Se você for brasileiro, a chance de não saber é enorme!)

E o Pedro Álvares Cabral? Já ouviu falar?
(Se você for português, a chance de não saber também é bem grande 🙂)

Pois então, o João foi o navegador luso que primeiro navegou pelas águas da Madeira. Ele é o Pedro Álvares Cabral dos madeirenses.

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Eu acabei conhecendo o Zarco logo na primeira praça que passamos no Funchal, mas acabei indo um pouquinho mais fundo na história dele porque fiquei curioso em descobrir a origem de nomes curiosos como a da vila de Câmara de Lobos e do cabo Girão.

O que se diz é que o Zarco chamou de Câmara de Lobos a enseada tranqüila onde ele encontrou uma numerosa população de lobos marinhos. Lobos que, aparentemente, só ficaram registrados no nome da vila, eu não vi nenhum sinal de lobo do mar pelas redondezas.

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Pouco a frente, o cabo Girão marca a parada final do primeiro “girão” que o primeiro navegador deu na ilha. Será que dá pra acreditar nisso?

Seja lenda ou História, não importa mais, o mérito acaba por ser sempre de quem chegou primeiro e o que importa, hoje, é que o Girão e a Câmara são os passeios off-Funchal mais fáceis de fazer, por nós, navegadores em férias.

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Câmara está a 15 minutos de distância do Funchal e ao chegar ali, eu compreendi exatamente o que meus amigos luso-cibernéticos João Paulo e Margarida Nobre diziam sobre o interior da ilha guardar os melhores passeios da Madeira.

Câmara de Lobos deve ser hoje o que o Funchal era há 30 anos atrás. É o resumo mais emblemático da Madeira.
Linda, pitoresca, quase escondida, pequenina e iluminada. Durante as festas de fim de ano, o presépio é mesmo aqui.
Assim como todas as outras vilas da Madeira, a vila de Câmara fica espremida entre as altas encostas, o cabo Girão e o mar.

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De um lado está o braço de mar que os pescadores usam para ancorar seus barcos onde, no passado, os lobos do mar possivelmente se abrigavam.

Do outro lado, subindo pelas encostas, estão as parreiras que produzem o insumo do delicioso vinho Madeira, tão bom e quase tão famoso quanto o primo Porto do continente.

E por todos os lados está o cabo Girão. Gigante e pontilhado de casinhas brancas iluminadas, o cabo completa a imagem de presépio de Câmara de Lobos.

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Vista do alto do Cabo Girão para as Fajãs

O dia a dia é tranqüilo. Durante o dia, o comércio da vila parece ser território das mulheres. Os homens podem estar no mar ou talvez estejam cuidando da agricultura. Porém, no final da tarde, são eles que tomam conta do centrinho e lotam as tabernas que se alinham lado a lado pela entrada do ancoradouro.

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As mulheres desaparecem pontualmente com o por do sol, todas juntas, mas não há com o que se preocupar, o ambiente continua tranqüilo, o clima é familiar, afinal, aqueles homens não estão ali por acaso, eles carregam a responsabilidade de serem, também, personagens do presépio da vida real que é Câmara de Lobos.