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Viagem a trabalho: Filosofando no metrô de Londres

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Depois de alguns dias sozinho, longe da esposa e da filha, sem ninguém para conversar no meu idioma, eu tive um dia instrospectivo. Por algum tempo, passei a questionar tudo! Foi o cartaz acima que me despertou para isso numa dada manhã de sei lá que dia…

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Uma pergunta que não queria calar: Mas afinal, por que será que aqui eles não respeitam a mão inglesa? 🙂

Entre várias coisas não muito importantes que parei para prestar atenção, notei, finalmente, algo óbvio que estava ali todos aqueles dias sem que eu notasse. Há agora muito policiamento nas estações. Imagino que afora os postos policiais dentro das estações, novidade para mim até então, deve haver dezenas de policiais a paisana circulando também.

Além do tradicional “Mind the gap”. Ouvem-se também pelos alto-falantes dos trens e das estações os avisos sobre objetos suspeitos deixados em todos os cantos, como nos aeroportos. Mas, não há histeria, mesmo no dia seguinte em que um carro-bomba havia sido desmantelado perto da estação Piccadilly, o clima era normal, a única diferença era que o trem havia chegado à minha estação (a primeira depois de Piccadilly) mais cheio do que o costume, pois aquela estação havia sido fechada.

(Breve parêntesis: andam me falando que eu atraio esse tipo de coisa. No dia seguinte, um outro carro havia sido descoberto na avenida do meu hotel. No momento que seguia para Heathrow para vir embora, o Exército estava chegando também e vistoriando os carros, pois havia acabado de explodir um carro no aeroporto de Glasgow. Na última vez que eu havia estado em Londres, houve um grande blecaute suspeitíssimo. Eu estava em Downtown NY no dia 11/09… Caramba, mais um pouco, vão achar que sou um sujeito suspeito).

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Eu fiquei pensando no propósito deste aviso deixado em todas as estações da linha Piccadilly em um dos dias em que passei por lá. Será que o propósito deste aviso não era também deixar a população mais tranqüila de que não havia acontecido nada “ameaçador”? Seja lá como for, achei um ótimo exemplo de respeito ao cidadão. Muito bacana.

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Como sou um sujeito positivo e escaldado, esqueci esses assuntos nada agradáveis e terminei concluindo que circular pelo metrô de Londres é uma forma de conferir ótimas dicas de viagens. Nestes quadrinhos que distraem os passageiros nas intermináveis escadas rolantes, você pode aproveitar de tudo um pouco para sua viagem: os novos shows, os melhores passeios fora da cidade, as melhores tarifas de seguro de viagem, as melhores ofertas de passagens low-fare… Quer ir à Calgary por 115 Libras, confere no metrô! 🙂

Veja, também, na série Viagem a trabalho:

* Chegando no escritório com bom humor
* Aproveitando o pouco tempo livre
* Onde se hospedar
* Londres-viajando a trabalho

Viagem a trabalho: chegando no escritório com bom humor

Eu curto apreciar a vida e o dia a dia dos nativos toda vez que viajo. Acho interessante observar os hábitos, entender como as pessoas se comportam, essas coisas. Viajando sozinho então, fica fácil se distrair observando os outros!

Em Londres e a trabalho, eu poderia não somente observar, mas também viver como um nativo por alguns dias, como num “reality show”. (Um pequeno parêntesis: tem tanta câmera CCTV vigiando Londres que muitas vezes, você acha mesmo que vive num reality show, mas isso é outra história).

Por alguns dias, eu saí correndo atrasado do hotel, carregando meu Daily Telegraph em passadas aceleradas para a estação de metrô mais próxima (Hyde Park Corner), de onde eu seguia até a estação Green Park para uma longa e interminável troca de linhas (Piccadilly e Jubillee). Dali, eu seguia direto para a casa do Canário (Canary Wharf), lendo meu jornal, ouvindo meu Ipod, em pé, observando o povo ao redor. Já na estação onde eu descia, eu comprava meu café da manhã como eles fazem e carregava tudo para minha mesa no escritório, não sem antes pegar um chá com leite…

Uma experiência antropológica interessante é verdade, mas apenas por alguns dias. Com o sol nascendo às 4 horas da manhã, eu havia planejado que se o dia amanhecesse bonito, eu faria um programa diferente antes de ir trabalhar. Eu acordaria uma hora mais cedo e faria o caminho mais longo para chegar ao trabalho…

Sim, eu consegui saltar da cama mais cedo!!!! Quase não muito mais cedo, mas eu havia deixado tudo pronto na noite anterior, feito a barba, separado a roupa, deixado até o cinto na poltrona para não perder tempo. O plano era banho e rua.

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Segui caminhando do meu bem localizado hotel no Hyde Park Corner (no entroncamento do Green Park com o Hyde Park, entre Mayfair e Belgravia), direto pelo Green Park até chegar à casa da minha vizinha mais ilustre, a Rainha e seu humilde palácio.

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Nesse dia, ela com certeza estava em casa, a bandeira estava hasteada e os jornais davam os detalhes de como tinha sido o cerimonial de troca de Primeiro-Ministro menos formal de todos os tempos. (Diferentemente do filme A Rainha, parece que o Gordon Brown não precisou se curvar e beijar a mão da Majestade, azar do Blair que beijou).

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Da casa da Rainha, eu cruzei o The Mall e segui pelo St James Park em direção a Westminster.

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Quando eu vi o Big Ben e percebi que a primeira coisa que eu havia pensado era que estava ficando tarde para minha reunião e que precisava tomar o metrô logo, caí na real e vi que a brincadeira de ser nativo não tinha graça nenhuma, eu queria mesmo era ser turista e poder continuar caminhando e cantando e seguindo a canção do meu mp3… Resignado, mas feliz, peguei o metrô apressadamente ali em Westminster, li meu jornal, em pé, como todo mundo… Como todo mundo?

Não, já não era mais como todo mundo, eu já tinha começado o meu dia com um belo programa e com bom humor!!!

Veja também na série “Viagem a trabalho”:

* Aproveitando o pouco tempo livre
* Onde se hospedar
* Londres-viajando a trabalho