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Ilha da Madeira: Reveillon para bebês!


Vídeo feito da parte alta da cidade. Provavelmente a 600m de altitude.

O “gancho” que a gente precisava

Pra mim, todas as viagens têm que ter um “gancho”. Aquela desculpa que a gente arranja para justificar o estouro no cofrinho e sair correndo para o aeroporto. Sabe como é?

O gancho da viagem à Madeira foi o famoso Reveillon do Funchal. O maior espetáculo pirotécnico da Terra, segundo o Guinness 2007.

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Funchal, vista do porto.

Minha mãe, que é lusitana, sempre diz toda orgulhosa que os portugueses são famosos pelas festas com fogos de artifício. Eu sempre achei que havia algum exagero da parte dela até porque a única tradição portuguesa com fogos que eu conhecia eram as festas juninas da Portuguesa, no Canindé.

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Feliz Natal e Bom Ano Novo em Câmara dos Lobos

Confesso, também, que achei suspeitíssimo o prêmio Guinness, especialmente porque eu sempre achei que Copacabana merecia um prêmio desse porte e porque eu nunca havia lido ou visto referência sobre o Reveillon do Funchal, o que prova que o Brasil não tem mesmo muita informação sobre a Madeira (nem o Guinness sobre o Brasil!).

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Presépio de um restaurante do Funchal.

O fato é que as imagens da virada do ano de 2007 que a gente havia visto na RTP, logo no início de janeiro de 2007, não saíam da cabeça e esse virou um assunto recorrente durante o ano todo.

Como se vê, a viagem foi quase que por necessidade. Se a gente já tinha vontade conhecer a Madeira, agora a gente precisava conferir esse mega-evento de perto.

Para reforçar a desculpa e distrair o escorpião que toma conta do meu bolso, o argumento usado foi que nunca havíamos investido numa viagem bacana de Reveillon (vou descontar Copacabana que foi quase grátis) e que seria legal fazer isso na nossa primeira virada de ano com a Clara.

Com um “gancho” desses, o plano de viagem foi aprovado imediatamente e nem foi preciso apelar para as belezas da ilha, a simpatia do povo, os costumes, tradições e a deliciosa gastronomia madeirense. Isso tudo, a gente já esperava e comprovamos lá. O que a gente não esperava e se tornou um bônus foram duas surpresas que a Madeira guardava para nós.

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Câmara de Lobos

A iluminação de Natal: o gancho deles.

Foi o “gancho” que os madeirenses descobriram para esticar a temporada alta das festas de fim de ano até o final de janeiro. Que 5º Avenida, que nada! Em matéria de iluminação de Natal, nada se compara ao que se vê por lá.

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Sé do Funchal

Os madeirenses capricham. Fazem de toda a ilha um grande presépio iluminado. E mais do que uma atração para os turistas, é uma tradição dos moradores. Os detalhes e o bom gosto na iluminação enchem os olhos desde as ruas antigas do Funchal até o menor dos vilarejos do interior da ilha. Eu não estou exagerando.

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Centro do Funchal

O Reveillon deles é perfeito para bebês.

Os fogos da virada do ano são mesmo um show digno da fama. A geografia particular do Funchal colabora muito com o espetáculo.

A área central do Funchal está localizada numa pequena baía. A partir do centro antigo da cidade, que está junto ao mar e do porto, os bairros sobem os penhascos num formato de meia lua até uns 700m de altitude formando um semicírculo urbano envolvendo a baía.

À meia noite, os navios de cruzeiro dão o aviso que o show vai começar. Havia uns 9 ancorados bem perto do porto. Segundo os madeirenses é do mar que se tem a melhor vista do espetáculo.

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Vista da baía no amanhecer de 31/12/2007. Barcos com fogos em posicionamento para o show.

Os fogos são disparados de TODA a cidade, das montanhas, dos prédios, do mar, do porto. Impossível não conseguir apreciar. Eu penso que os fogos podem ser vistos de qualquer ponto, embora, certamente a visibilidade fique bem comprometida no Lido, um bairro mais novo que fica fora da baía central, já nos limites do Funchal.

Ainda assim, de forma geral, é uma festa pra todo mundo curtir. Todos os navios apitam juntos novamente no fim da queima de fogos. Lindo e emocionante.

Um detalhe: o espetáculo é de cores e sincronia dos lançamentos dos rojões, mas o show é particularmente silencioso. Eles não disparam aqueles ensurdecedores rojões que eu costumava ver quando moleque na Praia Grande. Eu achava que aquela seqüência de 3 tiros fazia barulho demais, mas a verdade é que o barulho contribui muito para a empolgação do espetáculo.

Eu senti falta deles. Mas a Clara, não.

Ela nem acordou. Levamos o Cadillac dela para o terraço do hotel, ficamos quase duas horas lá entre umas 500 pessoas bebendo champagne, comendo uva-passa (a tradição portuguesa diz que você deve comer 12 delas na virada do ano), os fogos estouraram e a pequena sequer se mexeu. Voltou para o berço tão quietinha quanto saiu.

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Terraço do CS Madeira

Se tivéssemos planejado, não teríamos conseguido. O Reveillon do Funchal é mesmo perfeito para bebês. A Clara adorou.