Arquivo da tag: via dell’amore

Itália: Parque Nacional de Cinqueterre

manarola.jpg
Manarola

Eu estava comentando outro dia com um amigo que trabalha comigo, o Giuseppe Raimondo (um italiano com nome de cearense), sobre a minha tese de que as favelas da Zona Sul do Rio de Janeiro serão para a Humanidade daqui a 500 anos o que Cinqueterre ou, quem sabe, a Costa Amalfitana representam hoje.

Primeiro, ele me olhou e negou veementemente. Depois, ele pensou e concluiu que a tese faz sentido. Os fatos mostram que os primeiros passos nessa direção estão aí. As favelas vieram para ficar e, pouco a pouco, a infra-estrutura vem chegando. Já existem os favela-tours e a hospedagem alternativa do Favelinha… Essa profecia ainda vai se realizar um dia.

Tomara que dê certo no caso do Rio e que, assim como aconteceu com a Cinqueterre, somente sejam mantidas aquelas características que a tornaram um lugar tão precioso: as construções sobre os precipícios, a vista inacreditável dos vilarejos pendurados sobre o lindo mar azul turquesa. As chagas de outrora foram eliminadas: o excesso de habitantes, a falta de mínima infra-estrutura e de condições sanitárias.

A Cinqueterre é hoje um Parque Nacional. Um trecho de cerca de 8 quilômetros que se pronuncia sobre o mar entre La Spezia e Genova e que compreende as 5 famosas localidades que constituem o parque. São elas: RioMaggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterosso.

vernazza.jpg
Vernazza

Talvez alguém note que eu descrevo as 5 vilas na ordem contrária ao padrão do parque, mas é porque eu entendo que é nessa seqüência que se aproveita melhor a Cinqueterre e eu vou explicar no próximo post.
Não se chega de carro à região, mas ainda assim, o acesso é facílimo. Dá para chegar de trem em todos 5 vilarejos a partir de Genova e das cidades que dão suporte à Cinqueterre: Rapallo e Santa Marguerita Ligure.

Se não é difícil de chegar, mais legal ainda é saber que esta região da Ligúria fica bem no caminho entre Lombardia, Piemonte e a Toscana, ou seja, é perfeito para quem está fazendo aquele giro de carro pela Itália que eu acho JÓIA.

Hospedar-se ou não em Cinqueterre é uma decisão que deve envolver o tempo de permanência, perfil, orçamento e o roteiro de cada viajante. Se você tiver apenas 1 ou 2 dias para explorar, não recomendo a hospedagem nos vilarejos. Fará mais sentido montar base em Rapallo ou Santa Marguerita Ligure que são simpaticíssimos balneários. Um lugar gostoso para conhecer o dia a dia de uma autêntica cidade da Ligúria. Nem de longe há aqui a relação Mestre com Veneza. Rapallo e Santa Marguerita são passeios gostosos em si e podem ser sua base também para explorar outro recanto imperdível da região conhecido pelos seus preços altos: Portofino. Ou seja, o viajante econômico consegue montar uma base e escolher um bom hotel para estacionar o seu carro e sua bagagem sem precisar ficar trocando de hotel com freqüência, o que é bem chato.

corniglia.jpg
Corniglia

A hospedagem dentro da Cinqueterre é limitadíssima e relativamente cara pelo que oferece. Não é fácil conseguir reservar um quarto com banheiro que valha a pena por menos de 100 Euros. Se você viajar com muita bagagem então, vai ter que caminhar vila acima e abaixo até encontrar sua hospedagem. Não é nada fácil. Diferentemente de Capri – onde eu acho que é tão gostoso curtir a noite quanto o dia e por isso sempre recomendo que se durma ao menos uma noite lá – na Cinqueterre você pode pegar o trem em qualquer das 5 estações até a meia noite de volta para Rapallo e assim não se perde nada.

No próximo post, continuo na Cinqueterre descrevendo a caminhada pela Via dell’Amore, a trilha que liga os 5 vilarejos e que é a melhor forma de se conhecer a região.

via-dellamore.jpg