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Serra Gaúcha: onde os bebês pulam Carnaval!

Canyon Itaimbezinho – Parque Nacional Aparados da Serra

Eu não sei o que vou fazer no próximo fim de semana, mas sei que nosso Carnaval do ano que vem será na Serra Gaúcha mais uma vez. Nem foram tantas viagens assim, mas já foi o suficiente para perder a conta.

No caso da família GiraMundo, ir para a Serra Gaúcha no Carnaval já está no automático. Se não surge um gancho forte para nos levar a outras paragens, surtimos daquilo que batizei como “convergência perfeita de desculpas” que nos faz desembarcar no RS todo ano na época do Carnaval. Simplesmente não dá para não ir.

Dá uma olhada:

  • Temos amigos na região que adoramos visitar. O padrinho da Clara, meu grande amigo Marcelo, é gaúcho de Bento Gonçalves e tem a família toda lá. O churrasco à gaúcha e o papo em família estão sempre garantidos.
  • Pode não parecer, mas a variedade de programas e paisagens é bem grande e nada é longe demais. Afora Gramado e Canela que são mais famosas, o Vale dos Vinhedos e a região dos Campos de Cima, lá para os lados dos canyons do Itaimbezinho e Fortaleza formam o tipo de paisagem que mais nos impressiona. São tantas as opções que todo ano tem um lugar ou algo novo para descobrir.
  • Pinto Bandeira
    Distrito de Pinto Bandeira em Bento Gonçalves

  • O bolso também explica. Como não somos adeptos de brincar o Carnaval literalmente como manda o figurino, eu não consigo convencer o escorpião que toma conta do meu bolso a pagar tarifa cheia mais 100% para viajar para outros destinos mais badalados nessa época. Acredite, não é tão difícil achar bilhetes com bons preços para o RS no Carnaval. Você já procurou saber quanto custa uma passagem para Porto Alegre no Carnaval? E para Caxias do Sul?
  • Os preços de hospedagem, refeições e mesmo o aluguel do carro são bem razoáveis nessa época do ano. No Carnaval, o fluxo de turistas na Serra é da própria região mesmo. Quase ninguém vem de fora.
  • Minha mulher adora vinhos e todos os seus assuntos derivados. Eu sou um ótimo acompanhante no assunto. Fevereiro é época de colheita e as parreiras estão carregadas de uva. A paisagem fica linda, as vinícolas estão a todo vapor, o que faz do Carnaval uma época ótima para visitas.

    Parreiras da vinícola Valontano no Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves

  • O tempo é sempre muito bom na região Sul durante o Carnaval. No Sudeste, já não dá pra garantir, eu nem arrisco mais. Lá na Serra (note a intimidade), no verão, costuma ser bem quente durante o dia, mas à noite sempre dá uma esfriada gostosa para dormir. Delícia!
  • É a maneira mais fácil de sair do Brasil no Carnaval, eu não conheço outro lugar onde a segunda feira de Carnaval ainda não foi emendada como feriado. Em Bento Gonçalves e região, o comércio abre normalmente, o feriado acontece apenas na terça e seu caráter é mesmo religioso 🙂 .

  • Pousada Don Giovanni na vinícola do mesmo nome em Pinto Bandeira, distrito de Bento Gonçalves.

    O engraçado é que a gente não havia se dado conta de que a Clara adoraria pular o Carnaval na Serra Gaúcha. A tranqüilidade dos passeios, a natureza, o ritmo, tudo é perfeito para uma viagem com bebês, ela adorou, mas já avisou…

    “Eu só vou com vocês até chegar à adolescência”

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    Passeio de bebê = passeio de adulto! E vice-versa.

    Pela inclusão dos bebês na vida social dos pais, eu reitero: para os bebês, o que importa é estar com os pais!

    Basta alguma adaptação e pronto, todo bom programa de viagem é um bom programa para a família toda!

    É só dar uma olhada…

    Nos restaurantes, sempre tem espaço para os pequenos!

    Mas se houver alguma emergência, basta correr no drive-thru para bebês!

    A regra é: cada um na sua e todos no mesmo programa.
    (Mais um pouquinho que o papai e a mamãe bebessem no Reveillon e a Clara trocaria a mamadeira pelo espumante!)

    Algumas vezes, são os filhos que levam os pais para passear de carrinho.

    Bebês adoram ver os peixes!

    Papais adoram aquários!

    E as pequenas surpresas são inesquecíveis para os dois!
    “Papai, acho que vi um tubarãozinho!”

    No Museu dos Coches, todo mundo se diverte!

    E o Cadillac da Clara é bem mais bacana…

    Com um nome desse, dá até pra pensar em levar o bebê para o bar, mas só se for pra tomar uma bica!
    🙂 🙂

    Viagem com bebês: o último vôo no bercinho!

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    Clara GiraMundo (aos 8 meses e meio)

    Depoimento de uma bebê-viajante experiente:

    – Papai, caiu sua ficha agora? Eu não caibo mais no bercinho, entendeu?
    – Este foi o meu último vôo, ok? O meu bercinho está quase tão apertado quanto a sua poltrona;
    – Na próxima viagem longa, eu vou precisar de um assento só pra mim e duvido que seja tão confortável quanto o meu bercinho. Já tô com saudades.

    berco-de-ouro.JPG
    Clara GiraMundo (aos 3 meses)

    Depoimento de um pai-viajante, agora, experiente:

    – Se o bebê dorme bem a noite toda, não existe meio de transporte mais confortável do que o avião.
    – Estou convicto de que é muito mais simples voar com um bebê do que com uma criança de 2 anos. Não tenha receio. Comece a viajar cedo.
    – Sem o berço, tudo vai ser diferente daqui pra frente. Ainda bem que a gente aproveitou pelo menos duas vezes.
    – Os próximos vôos longos serão diretos e noturnos, sempre que possível!
    – Investirei, também, na compra de um assento para a Clara na próxima viagem. Sem o berço, não dá pra arriscar atravessar continentes com um bebê no colo. Ainda assim, duvido que será tão fácil.

    Veja também este post!

    Viagem com bebês: Roteiro

    globos-de-trastevere.jpg
    Precisei consultar todos os meus globos para definir esse roteiro! 🙂

    A definição de um roteiro segue preferências tão pessoais que muitas vezes podem parecer irracionais.
    Ao fazer nosso primeiro roteiro de viagem com a Clara ficou óbvio que não dava para fugir de fatores novos, todos bem racionais.

    O segredo parecia estar no alinhamento das expectativas do que conseguiríamos com a Clara, realizar apenas o que fosse possível e planejar bastante!

    Ok, tudo muito certinho, mas estava faltando uma pitada de emoção, de irracionalidade, a gente só não sabia bem onde.

    Começou assim, mas não deixe ver o prefácio desta história:

    Escopo:

  • Queríamos um lugar quente para a época do ano (Julho 2007);
  • Confesso que me desanimava ver os atrasos dos vôos domésticos e a loteria que era embarcar para um destino dependendo de Gol e TAM. Eu falava para os meus amigos que eu poderia chegar à Europa antes que conseguisse embarcar para Fortaleza. (parece que agora está melhor… quem sabe…);
  • Ao mesmo tempo, o USD estava na mínima contra o poderoso REAL. Tentação de aproveitar e ir para o exterior!
  • Buenos Aires parecia uma pedida fácil e convidativa, mas no inverno e com bebê, não fechava na nossa cabeça;
  • Destinos exóticos, ecoturismo ou países com problemas graves de segurança estavam absolutamente fora dos planos, lógico;
  • Não dava pra ser nada nos EUA porque a Clara não tem visto ainda e não daria tempo de tirar.
  • Resposta: Europa. A gente já sabia.

    Objetivo
    Escolher duas cidades européias para dividirmos em duas semanas de férias.

  • Não dava pra ter muitas trocas de hotel e precisávamos de poucos deslocamentos. O roteiro não poderia exigir grandes viagens de trem ou aluguel de carro. Cuidar da Clara seria a prioridade, eu não queria ter que me preocupar com caminho, estrada, horário de trem, etc;
  • Resposta: Isso limitou que a viagem seria restrita às cidades grandes ou médias.

  • O roteiro tinha que incluir cidades que fossem grandes suficientes para nos entreter e não nos entediar por uns bons dias, para que pudéssemos chegar, ficar e ver o que fosse possível;
  • Resposta: Quase todas as capitais européias entraram nessa lista.

  • Havia uma preferência por cidades com relevo baixo que facilitasse caminhar com um carrinho de bebê;
  • Resposta: Amsterdam, Viena, Paris, Berlim, Copenhagen.

  • Nem quente demais, nem frio demais, mas melhor que fosse um pouco mais para quente, o bebê sofre menos com o calor do que os pais, o importante MESMO é proteger do sol!
  • Resposta: Quem sabe Amsterdam, Berlim, Paris…

  • Tinham que ser lugares em que simplesmente “estar lá” fosse mais atraente do que visitar uma atração turística especial. Já pensou se a gente fosse até São Petersburgo e eu não conseguisse entrar no Hermitage?
  • Resposta: Passamos a considerar voltar a lugares que adoramos em outras viagens e aí entrou na lista: Roma, Paris, Lisboa e Milão (que embora a gente não conheça, fica na Itália e isso é suficiente para nós. A Itália é o nosso destino predileto!)

  • Voltar a um lugar que já havíamos visitado seria uma boa pedida, mas que tentação de ver um lugar novo…
  • Resposta: Eu não conhecia Viena e a Tati havia gostado muito de lá, a Tati não conhecia Amsterdam e eu havia gostado muito também da Holanda. Parecia que fechava bem em todos os aspectos, mas estava faltando alguma coisa…esse roteiro estava muito racional.

    roma.jpg

    O toque irracional que faltava

    Que tal passar na Itália, uma passadinha rápida só pra matar a vontade? Milão para fechar o roteiro?

    Beleza e assim acertamos, emitimos os bilhetes, reservamos os hotéis. Mas foi ele, o Giuseppe Raimondo, meu amigo italiano, que falou para eu trocar Milão por Roma. Foi assim, de última hora e por impulso, que eu segui o conselho do Zé concordando que como eu já havia estado em Roma antes e feito todo o tour lerê, Roma cairia bem melhor com o nosso objetivo.

    “Basta estar em Roma, Giorgio!”

    Receoso com o calor de Roma, com as ruas de paralelepípedo e com o relevo irregular, resolvemos arriscar ainda que parecesse um absurdo para nós mesmos. Nós visitamos Roma uma única vez, havia 10 anos na primeira viagem à Europa e havíamos feito tudo errado. Que isso não fosse um presságio. Não, não era!

    E assim, o roteiro ficou: Roma, Viena e Amsterdam. Não, eu não recomendo que se leve um bebê a Roma se essa for sua primeira viagem, mas que delícia foi ter levado a Clara à Itália na primeira viagem dela.

    Essa pitada de irracionalidade fez toda a diferença!

    Viagem com bebês: Prefácio

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    As pessoas nascem, crescem, vão pra escola, começam a trabalhar, se casam, têm filhos, continuam trabalhando, se aposentam e morrem.

    E pra fazer tudo isso, existe um script assim meio tácito que as pessoas são esperadas a cumprir em todas as fases da vida, em todas as situações.

    E quando elas tiram férias? A mesma coisa acontece. Sempre haverá quem diga que há uma viagem certa pra cada fase da sua vida.

    “Você já passou da fase de se hospedar em albergue.”
    “Você tinha que ter ido ao Carnaval de Salvador com 20 anos.”
    “Com 10 anos, a criança não aproveita isto ou aquilo, blá, blá, blá.”

    Alguém disse criança?

    Sim, porque quando as pessoas têm filhos, aí o que se espera é que elas não saiam de férias por um bom tempo, que a vida passe a girar ao redor das crianças e que quando comecem a viajar de novo, os novos destinos serão: um hotel-fazenda ou um lindo resort.

    Mas por que tem que ser assim? A resposta é não tem que ser assim.

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    Minha mulher e eu viajamos durante toda a gravidez da nossa primeira filha. A Clara foi concebida numa viagem. Nós adoramos viajar. É o nosso hobby, nosso esporte.

    Gostamos de alternar os tipos de viagem: uma vez praia, uma vez campo, uma vez turismo-urbano, uma vez dentro do país, outra vez fora.

    Um resort ou um hotel fazenda não nos atrai. Eu acredito que haja alternativas para viajar com crianças que fujam do script, do manual de instruções. E não estou falando de turismo pra adultos em que as crianças são arrastadas pelos pais sem que elas também tenham sua diversão.

    A Clara mudou nossa vida pra muito melhor ao passar a fazer parte de tudo o que fazemos e a vida dela será, também, fruto das experiências que ela passará conosco. Com bom senso e responsabilidade, dá pra fazer tudo!

    Foi pensando assim que resolvemos que nossa primeira viagem com a Clara seria para a Europa quando ela completasse 3 meses!

    Nós, pais, não esqueceremos jamais da experiência de passar tudo isso com nossa pequena do lado. Quem poderia esquecer, não é mesmo?

    É verdade, a Clara não lembrará que esteve em Roma ao lado do Coliseu, ela não percebeu quanto Viena e Bratislava, apesar de vizinhas, são tão diferentes e nem mesmo notou a simpatia das pessoas em Amsterdam.

    Mas isso não importa, porque pra ela o importante nesta fase é estar conosco onde quer que estejamos, com segurança, proteção e… recebendo estímulos.

    Pois aí é que eu pergunto: Quer estímulo maior do que mostrar o Mundo para um bebê?

    As aventuras da Clara com o novo passaporte brasileiro

    Ele era bem mais bonito quando era verde. Por que é que a gente tinha que mudar de cor de passaporte? Também acho que chega a ser patética a referência ao Mercosul… Como se esse acordo ainda existisse…Ridículo!
    Ridículo, mas indispensável e ao menos mais seguro, ponderei.

    Nós pretendemos viajar com a Clara no final de Julho. Ao ver as reportagens sobre as filas no posto da Polícia Federal em São Paulo, eu comecei a achar que não daria tempo.
    Eu não sou louco de levar um bebê recém-nascido para uma fila louca dessas. Eu gosto de viajar, mas não sou um pai insano. Comecei a pensar em alternativas…

    Vasculhei o site da Polícia Federal em busca de informações, eu queria saber se havia algum procedimento excepcional para idosos, gestantes e crianças de colo. Bom, eu não achei nada específico sobre atendimento, parece haver um telefone em que você consegue agendar o atendimento em Guarulhos, mas é lógico que só dá ocupado.

    Enfim, uma coisa de cada vez. Resolvi tratar do que dava para ser feito sem traumas. Preenchi o formulário on-line, imprimi a guia de recolhimento e li todas as instruções sobre como emitir o passaporte para menores de idade: pai, mãe e criança presentes, pais assinam juntos ou então mandam procurações, etc e tal.

    No dia seguinte, resolvi almoçar no Shopping Ibirapuera para dar uma espiada como andava o posto da Polícia Federal lá já que todas as reportagens que eu havia lido cobriam o posto da Polícia lá na Lapa, onde não há distribuição prévia de senhas e eles atendem “on a first come, first served basis”.

    Fiquei surpreso com: 1) a porta fechada e; 2) a fila não muito grande do lado de fora.

    Comecei a trocar idéia com os primeiros e vitoriosos cidadãos da fila.

    – Olá, tudo bem? Por favor, que horas vocês chegaram para pegar senha?
    – Eu cheguei às 4 da manhã de ontem e dormi na porta do shopping. Quem chegou às 5:30 da manhã não pegou mais senha. Dormimos no frio de 6ºC e ficamos com fome e sede.
    – Que terrível! Será que existe algum atendimento especial para gestante, idosos e crianças pequenas?
    – Parece que tem que agendar, mas para daqui a um mês e a situação só vai piorar, respondeu uma mulher detentora da senha 36 que parecia adorar tragédias.

    Sem dúvida, as coisas estão complicadas, mas eu percebi que eles queriam valorizar a noite não dormida para me assustar. Eu conheço isso, consegui me manter impassível para a surpresa deles.

    – Como é que falo com alguém? Perguntei ao rapaz de olhos vermelhos de sono que era o mais legal.
    – Daqui a pouco eles abrem a porta e você pergunta para a mulher.

    Resolvi esperar um pouquinho para ver no que daria. Resolvi ser solidário com o sofrimento alheio e comecei a concordar com tudo e todas as reclamações que faziam…”Esse país é uma lástima”. “Assim, não dá, a gente só paga imposto e nada”, praguejavam eles.
    Ainda que seja tudo verdade, normalmente odeio esse tipo de papo. Ali, naquela situação, eu só concordava.

    Enfim a porta se abriu e a funcionária foi atenciosíssima para minha surpresa.

    – O senhor pode agendar para daqui a um mês, está de posse do documento da menina?

    Não, eu não havia trazido o documento da pequena Clara e não consegui agendar, mas o objetivo de sacar como andava o atendimento estava cumprido. Fui embora, mas não antes sem perguntar aos que estavam no final da fila o que eles faziam ali, já que com certeza eles não tinham senha para atendimento naquele dia e no site dizia expressamente que o atendimento é restrito a 40 pessoas por dia.

    – Estamos no tudo ou nada. Quem sabe eles terminam antes das 18 horas com os 40 e resolvem nos atender, respondeu um homem bastante paciente. Fazia sentido, eram 14 horas e eles já haviam atendido mais de 30 das 40 pessoas…

    No dia seguinte, combinei que iria agendar o atendimento para quando fosse possível e convidei a Tati para almoçar no shopping comigo. Ela levaria a Clara. Antes de sair do escritório, resolvi pagar a guia de recolhimento e levar o comprovante do preenchimento on-line comigo também. Achei que valeria arriscar e…. não é que deu certo!!!!!

    No dia seguinte, a fila estava menor do que no dia anterior, o atendimento das 40 pessoas estava andando bem e com certeza mais do que as 40 pessoas poderiam ser atendidas.
    Quando a porta se abriu, outra funcionária, também atenciosa atendeu minha esposa e quando ela voltou com o papel para anotar o agendamento, eu lancei a isca:

    – Senhora, por gentileza, estou aqui com minha esposa, o bebê já está aqui, o formulário está preenchido, a guia de recolhimento paga, a certidão na mão, será que vocês nos atenderiam hoje mesmo? Eu espero um pouquinho se for preciso”.
    – Vou verificar, ela respondeu. Em seguida, abriu a porta e nos pediu para entrar.

    Como é bom ser pai de criança pequena!!!! Todo mundo quis conhecer a Clara e os funcionários foram super simpáticos. O clima foi cortado na hora em que a supervisora perguntou se eu havia trazido foto.

    – No site diz que a foto é tirada aqui, eu argumentei. Ela respondeu que deveriam ter escrito que eles não conseguem tirar foto de criança de um mês e meio.

    Em seguida, ela me falou para eu ir ao Fotos Paulo, no andar de baixo, e tirar a foto e eles me atenderiam assim mesmo.
    Era o meu dia de sorte. Fomos muito bem atendidos no Fotos Paulo, onde tivemos que nos esforçar muito para acordar a Clara e tirar uma foto dela com os olhos abertos. Ela mal abriu os olhos, o rapaz bateu a foto e ela voltou a dormir. Deve ter pensado: “ok, papai, vamos tirar passaporte, mas me deixa dormiiiiir!”
    Voltamos ao posto da polícia com a foto. O photoshop arrancou o fundo todo da foto, minhas mãos que seguravam a Clara e deixou tudo branquinho. A foto ficou bem engraçada, parece a foto de uma nenê perigosa e procurada (Wanted!). O olho meio abertinho, meio dormindo. Coitada da Clara!!!! Esses pais que ela arrumou.

    Bom, tiramos o passaporte sem grandes transtornos e já temos a primeira história de viagem com nossa filha. Vi também que os funcionários da Polícia Federal estão fazendo o que podem para atender as pessoas, são prestativos, simpáticos e atenciosos. Eles estavam atendendo quem aparecesse, mesmo depois das 40 senhas com muita presteza. Fiquei feliz em saber que nem tudo está perdido no serviço público. O processo é mesmo muito seguro, mas muito lento, vai demorar muito tempo para o atendimento se acomodar. Se você pretende viajar e o passaporte vence em 6 meses, é melhor resolver com antecedência. Eu apareceria no posto do shopping lá pelas 16:30hs e arriscaria. Acho melhor do que amanhecer lá na Lapa.

    Se servir de consolo, veja neste post do Ricardo Freire, no VNV, que não é só aqui que a situação está complicada na emissão de passaportes.

    Atualizado: estive hoje, 14/06/07, na Polícia Federal do Shopping Ibirapuera para retirar o passaporte. Não fiquei nem 10 minutos lá dentro. Eles não estão mais distribuindo as 40 senhas, estão atendendo por ordem de chegada. No site, diz que eles atendem 100 pessoas por dia, mas a verdade é que atendem bem mais. Estão atendendo 150 ou 160 pessoas por dia. Estou convencido de que ninguém precisa amanhecer lá para ficar na fila. Arriscar mais tarde é bem melhor. O funcionário disse que todo mundo tem dormido na porta da DPF na Lapa e que quando chega às 16hs não tem mais ninguém para atender na fila… e eles atendem até às 18horas!!!!!

    Atualizado II: Não deixe de levar a certidão de nascimento na viagem. O novo passaporte brasileiro não mostra a filiação do bebê e segundo os agentes da Polícia Federal, essa informação está no campo hachurado dos dados pessoais do titular do passaporte, entretanto, esse campo só pode ser legível com uma máquina. Ou seja, para provar que vocês são os pais do bebê, você precisa da certidão de nascimento!!!