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“Tio”-filósofo Sócrates ensina a viajar com bebês

De repente, bateu uma insegurança:

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    “Será que nossa coragem em sair mundão afora passeando com a pequena Clara à tiracolo, ainda tão pequenininha, poderia ser explicada pelo nosso total desconhecimento sobre o universo infantil e seus riscos?”

A Clara, a gente sabe, não tem noção de perigo, mas será que os pais dela também não têm? Faz sentido, afinal, somos pais-em-treinamento, a inexperiência é a nossa marca!

Resolvi jogar duas palavrinhas, ignorância e coragem, no Google e achei esta frase forte num texto filosófico que debate as visões de Sócrates e de sofistas e que acabou por me devolver a auto-estima!!!

“Covardia é ignorância do temível, coragem é sabedoria”.

Não fui eu quem disse, foi o filósofo Sócrates! Sim, é verdade. Esse grego já sabia tudo sobre viagem com bebês. Coragem é uma virtude que se aprende com o conhecimento do que está por vir. Eu constatei rapidinho que os passeios que deram mais certo na viagem, foram justamente os mais planejados. Foram aqueles em que a gente sabia de todos os detalhes: a que hora sair, aonde ir, como e quando voltar.

A verdade é que passeios “Alegria, Alegria” normalmente não funcionam com bebês. Caminhando contra o vento, sem lenço sem documento

Em casa, com alguma experiência em viagens, a gente já havia conseguido antecipar várias situações, mas outras a gente aprendeu mesmo “na raça”. Foi a Clara que nos ensinou e mostrou os limites, inclusive para que chegássemos à conclusão de que tudo gira mesmo em torno da:

Lei Universal da Mamada

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    O ciclo de mamadas precisa ser respeitado para conforto do bebê. A vida dos pequenininhos gira em torno de comer, brincar, trocar fraldas (eca de novo!) e dormir.

    Este ciclo se repete várias vezes ao dia. Quando o bebê nasce, o intervalo das mamadas é de cerca de 3 horas e depois vai aumentando pouco a pouco, qualquer pai sabe disso.

    Na teoria, dá pra fazer todo o ciclo, uma ou várias vezes ao dia, fora de casa. Brincar/estimular o bebê é sempre possível e gostoso em qualquer lugar, mas mamar sempre num banco de praça, restaurante ou parque e dormir no carrinho o dia inteiro podem ser cansativos para o bebê e para os pais também. Com isso em mente, surgiram várias idéias:

Idas e vindas

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    Em Roma, qualquer saída do hotel já é um programão!

    É importante que os passeios sejam de curta duração e distância. Assim, entre eles, no hotel, a gente descansa um pouco, troca fralda, coloca o bebê para um cochilo, dá banho, etc.

Passeios sem escalas

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    Passear sem destino com bebês só funciona se o objetivo for esse mesmo, não chegar a lugar nenhum. Isso é uma delícia, devo dizer, mas se há algo que você queira ver, então é melhor ir direto ao ponto sem preliminares.

    O que você quer ver? “Eu quero ver o Coliseu”. Pois bem, então vá direto ao Coliseu com o bebê. Se der, depois de curtir o Coliseu, você estica o passeio dali para outro lugar, mas só se der! Garanta o seu passeio-objetivo original.

    Acho que vale a pena também tentar identificar um “ponto de escape”, um café, restaurante ou algum lugar no caminho ou no destino para usar como base em caso de necessidade. Se a coisa “apertar”, você corre pra lá, pede alguma coisa e se instala para cuidar do bebê. Assim, ninguém perde o passeio.

Vou de táxi…

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    Linda vista de Roma a partir do carrinho da Clara.

    Fizemos o uso do táxi sem medo de ser feliz para todos os lugares que não conseguimos chegar “de carrinho”. Algumas vezes fomos “de carrinho” e voltamos de táxi ou vice-versa.

    Táxi em viagem com bebês é o melhor exemplo de algo caro, mas que acaba saindo barato. Foi uma ótima surpresa. Todos os taxistas nos deram uma força com o carrinho, foram super pacientes, nenhum reclamou das curtas distâncias, valeu muito a pena.

    Em Roma, onde usamos mais o táxi, as corridas custaram em média 8 Euros. Bebês adoram passear de carro! É legal tentar entender como funciona o serviço de táxis da cidade antes de usá-lo. Em Amsterdam quase não precisa, mas a gente só arrumou um quando pediu por telefone. Em Viena, usamos pouco, mas é fácil e há pontos espalhados. Em Roma, o serviço de telefone não funciona, há pouquíssimos pontos, mas de forma geral, os carros vazios circulam bastante.

Faça chuva ou faça sol

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    Que tem que levar carrinho, fralda e mamadeira, a gente já sabia. Mas também é fundamental levar uma capa de chuva para carrinho e uma sombrinha (que eu não levei e me arrependo).

    É difícil adivinhar o tempo em cada lugar, a gente não conhece. Em Amsterdam, o tempo estava bom, estávamos numa loja de brinquedos e ficamos uma meia hora lá dentro. De repente, quando saímos, o mundo estava para cair na nossa cabeça. Antes que pudéssemos chegar ao hotel, começou a chover e se não fosse a super-capa-de-chuva-Tabajara-para-carrinho-de-bebês, o nosso passeio teria sido um mega-desastre. Com a capa, a Clara chegou como se nada tivesse acontecido.

    Sem a sombrinha, em alguns dias, eu precisei ficar procurando o lado certo da rua para empurrar o carrinho para desviar do sol forte.

Jante com as galinhas

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    Se nós não fossemos latinos, este item nem precisaria existir mas como, na nossa cultura, o hábito é jantar tarde, eu preciso dizer que é complicado jantar fora com bebês. Normalmente, depois da última mamada, o bebê vai para o berço até o dia seguinte, então, é chato carregar o bebê para um restaurante e depois no “meio da noite” colocar no berço. Nós achamos duas opções que funcionaram:

    1) O famoso “jantar de supermercado” feito no quarto do hotel. Na Europa, é uma solução quase imbatível, um prazer. E é tão econômico quanto conveniente e gostoso numa viagem com bebês. Dá pra arriscar um room service também, se disponível no seu hotel;

    2) Jantar “com as galinhas”: escolha o restaurante e faça uma reserva por volta das 6 da tarde. Avise que você estará com um bebê e sua mesa será especialmente colocada para estacionar o carrinho. Você vai pegar o restaurante antes de encher e quando o jantar terminar, você volta para o hotel, dá de mamar e coloca o bebê para dormir.

Vacina contra antipatia

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Esta senhora, muito simpática, bateu um papão com a Clara, só elas se entenderam… em Alemão…

    Há coisas que só um bebê faz por você e esta é uma delas… Uma das grandes delícias da viagem com bebês é descobrir o quanto você é simpático e não sabia.

    Não há cara amarrada ou mal humor que resista ao sorriso, olhar ou a simples presença de um bebê. Todo mundo dá uma força, você conseguirá ajuda e será bem recebido em todos os lugares.

O Mundo sorri para os bebês.

Viagem com bebês: Roteiro

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Precisei consultar todos os meus globos para definir esse roteiro! 🙂

A definição de um roteiro segue preferências tão pessoais que muitas vezes podem parecer irracionais.
Ao fazer nosso primeiro roteiro de viagem com a Clara ficou óbvio que não dava para fugir de fatores novos, todos bem racionais.

O segredo parecia estar no alinhamento das expectativas do que conseguiríamos com a Clara, realizar apenas o que fosse possível e planejar bastante!

Ok, tudo muito certinho, mas estava faltando uma pitada de emoção, de irracionalidade, a gente só não sabia bem onde.

Começou assim, mas não deixe ver o prefácio desta história:

Escopo:

  • Queríamos um lugar quente para a época do ano (Julho 2007);
  • Confesso que me desanimava ver os atrasos dos vôos domésticos e a loteria que era embarcar para um destino dependendo de Gol e TAM. Eu falava para os meus amigos que eu poderia chegar à Europa antes que conseguisse embarcar para Fortaleza. (parece que agora está melhor… quem sabe…);
  • Ao mesmo tempo, o USD estava na mínima contra o poderoso REAL. Tentação de aproveitar e ir para o exterior!
  • Buenos Aires parecia uma pedida fácil e convidativa, mas no inverno e com bebê, não fechava na nossa cabeça;
  • Destinos exóticos, ecoturismo ou países com problemas graves de segurança estavam absolutamente fora dos planos, lógico;
  • Não dava pra ser nada nos EUA porque a Clara não tem visto ainda e não daria tempo de tirar.
  • Resposta: Europa. A gente já sabia.

    Objetivo
    Escolher duas cidades européias para dividirmos em duas semanas de férias.

  • Não dava pra ter muitas trocas de hotel e precisávamos de poucos deslocamentos. O roteiro não poderia exigir grandes viagens de trem ou aluguel de carro. Cuidar da Clara seria a prioridade, eu não queria ter que me preocupar com caminho, estrada, horário de trem, etc;
  • Resposta: Isso limitou que a viagem seria restrita às cidades grandes ou médias.

  • O roteiro tinha que incluir cidades que fossem grandes suficientes para nos entreter e não nos entediar por uns bons dias, para que pudéssemos chegar, ficar e ver o que fosse possível;
  • Resposta: Quase todas as capitais européias entraram nessa lista.

  • Havia uma preferência por cidades com relevo baixo que facilitasse caminhar com um carrinho de bebê;
  • Resposta: Amsterdam, Viena, Paris, Berlim, Copenhagen.

  • Nem quente demais, nem frio demais, mas melhor que fosse um pouco mais para quente, o bebê sofre menos com o calor do que os pais, o importante MESMO é proteger do sol!
  • Resposta: Quem sabe Amsterdam, Berlim, Paris…

  • Tinham que ser lugares em que simplesmente “estar lá” fosse mais atraente do que visitar uma atração turística especial. Já pensou se a gente fosse até São Petersburgo e eu não conseguisse entrar no Hermitage?
  • Resposta: Passamos a considerar voltar a lugares que adoramos em outras viagens e aí entrou na lista: Roma, Paris, Lisboa e Milão (que embora a gente não conheça, fica na Itália e isso é suficiente para nós. A Itália é o nosso destino predileto!)

  • Voltar a um lugar que já havíamos visitado seria uma boa pedida, mas que tentação de ver um lugar novo…
  • Resposta: Eu não conhecia Viena e a Tati havia gostado muito de lá, a Tati não conhecia Amsterdam e eu havia gostado muito também da Holanda. Parecia que fechava bem em todos os aspectos, mas estava faltando alguma coisa…esse roteiro estava muito racional.

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    O toque irracional que faltava

    Que tal passar na Itália, uma passadinha rápida só pra matar a vontade? Milão para fechar o roteiro?

    Beleza e assim acertamos, emitimos os bilhetes, reservamos os hotéis. Mas foi ele, o Giuseppe Raimondo, meu amigo italiano, que falou para eu trocar Milão por Roma. Foi assim, de última hora e por impulso, que eu segui o conselho do Zé concordando que como eu já havia estado em Roma antes e feito todo o tour lerê, Roma cairia bem melhor com o nosso objetivo.

    “Basta estar em Roma, Giorgio!”

    Receoso com o calor de Roma, com as ruas de paralelepípedo e com o relevo irregular, resolvemos arriscar ainda que parecesse um absurdo para nós mesmos. Nós visitamos Roma uma única vez, havia 10 anos na primeira viagem à Europa e havíamos feito tudo errado. Que isso não fosse um presságio. Não, não era!

    E assim, o roteiro ficou: Roma, Viena e Amsterdam. Não, eu não recomendo que se leve um bebê a Roma se essa for sua primeira viagem, mas que delícia foi ter levado a Clara à Itália na primeira viagem dela.

    Essa pitada de irracionalidade fez toda a diferença!