Viagem com bebês: Triatlon no aeroporto!

É difícil gastar menos de 3 horas entre sair de casa e entrar no avião. Quem tem bebê em casa sabe exatamente o que isso significa: um intervalo de uma mamada.

Depois que a Clara nasceu, nós passamos a contar o tempo em uma unidade de tempo diferente: mamadas/dia.

No dia da viagem, estávamos cientes de que teríamos problemas se ela ficasse com fome entre o táxi e a poltrona do avião.
Combinamos com o taxista o horário de saída com antecedência, observando o horário do nosso vôo e os horários de mamada da Clara. O esquema foi fazer uma conta de chegada para ajustar a última mamada em casa aos últimos instantes antes da partida. Para isso, deixamos tudo pronto, tudo mesmo, inclusive malas e chaves na porta, demos de mamar para o bebê nos instantes que antecederam à partida e… Fomos!

Foi mamar e correr para a prova de triatlon que nos aguardava:

    Check-in
    Imigração/controle de segurança
    Embarque


Check-in

Esta é uma prova traiçoeira porque apesar de parecer fácil, há um detalhezinho novo que pode acabar com a sua viagem logo ali, antes de começar.

Quando fiz o passaporte da Clara, já no novo formato do novo passaporte brasileiro, eu notei que o documento não apresenta mais a filiação do titular. Isso significa que o novo passaporte brasileiro da Clara não contém o meu nome, nem o da minha mulher. Lá na Polícia Federal, fui informado de que eu não precisaria me preocupar porque a filiação e “outros detalhes” (minha pergunta era: como provar que sou pai da Clara para alguma autoridade que me parar mundo afora?) estão codificados no campo hachurado logo abaixo da data de expedição e vencimento do passaporte. Entendeu a pegadinha?

Seria preciso que toda “otoridade” do mundo tivesse uma maquininha para ler o tal campo se precisasse comprovar que somos os pais da Clara. Será que alguém achava mesmo que isso funcionaria? Quem teve essa brilhante idéia? Por quê?

Se eu já não gostava da cor do novo passaporte brasileiro, eu havia encontrado um motivo sério para odiá-lo. Ele simplesmente não resolve como documento de viagem. Você precisa viajar com a certidão de nascimento do bebê se não quiser ter problemas. NÃO PODE ESQUECER. Ainda bem que não confiei na informação que recebi do oficial da Polícia Federal porque a certidão de nascimento foi a primeira coisa que o atendente do check-in pediu ao ver o novo passaporte brasileiro da Clara. Lógico, ele não tem maquininha nenhuma…

Com ou sem cartões de milhagem estrelados, viajando na classe econômica ou primeira classe, se você viajar com um bebê, você terá prioridade sempre. Aproxime-se do balcão e seja atendido prontamente, mas não deixe de levar a certidão de nascimento do bebê, hehehe.

Imigração/Controle de segurança

Essa prova é complicada, pois requer equilíbrio com o bebê, atenção com a bagagem, agilidade no abrir-fechar-colocar-tirar-do-raio-X e acima de tudo, muuuuuito jogo de cintura.

É também a etapa menos previsível. Os juízes da prova ou agentes de segurança aplicam as regras conforme o humor no dia, então, o nível de exigência varia muito ao redor do mundo:

Inexistente, condescendente, quase imprudente: Amsterdam.
O agente nos deixou embarcar com mais de 1 litro de água mineral, detergente, esponja, sucos, vários cremes e toda a sorte de itens “perigosos” que nós simplesmente havíamos esquecido de tirar da mala de mão. Ele me chamou de lado e me disse: “Olha, eu vi no Raio X que sua mala tem um monte de coisa que eu não poderia deixar você levar, mas como você está com um bebê e família, vou deixar você levar, mas disfarce, não deixe ninguém ver, pois posso ter problemas se alguém pegar que te deixei entrar assim”.

Profissional e simpático: Guarulhos e Viena.
Os agentes foram exigentes na verificação da bagagem de mão mas, ao menos, todo mundo nos ajudou a carregar e segurar as mochilas, abrir e fechar as bolsas. A Clara conseguiu cativá-los facilmente;

Cômico, mas eficiente: Roma.
Em Roma, o detector de metais disparou quando minha mulher passava com a Clara nos braços. Com isso, a agente quis revistá-la e eu achei que devia então segurar a Clara para colaborar. Mas não, eu não podia, a agente queria revistar as DUAS. Tadinha da Clara, tudo bem que a fotinho dela no passaporte com os olhos quase fechados parece mesmo de uma bebê “perigosa e procurada” mas, daí a achar que ela carregaria uma arma nas fraldas, foi hilário.

Cri-cri, antipático, ineficiente e sem bom senso: Lisboa.
Os agentes de segurança nos fizeram abrir toda a bagagem de mão sozinhos, abriram até as pomadas “íntimas” da Clara e nos fizeram experimentar o resto de água da garrafinha térmica pra mamadeira que o agente suspeitava ser nitroglicerina.

O melhor é usar o bom senso e bom humor. Levar água, comida e mantimentos justificáveis para o tempo do seu vôo. Se for um vôo intercontinental, eu levaria o suficiente para até 24 horas de mamadas e trocas de fraldas. Dessa forma, problemas de verdade, você não vai ter, bastará agüentar os eventuais “malas”.

A etapa da imigração comprova a ineficiência do nosso novo passaporte brasileiro. O agente de imigração da Polícia Federal disse que ele não tinha a máquina de leitura do novo passaporte ali no balcão dele. Ele também pediu pra ver a certidão de nascimento!!!

Embarque

Esta prova exige apenas paciência. Procure um canto próximo ao portão e só embarque no finalzinho quando todo mundo já estiver instalado lá dentro.

Para conforto dos papais não marombados, o carrinho pode ser levado até a porta do avião. Lá, o funcionário despacha para o bagageiro pra você e quando desembarcar é só pedir que eles te entregam de volta na porta também. Demora uns 5 ou 10 minutos, mas ajuda muito em aeroportos gigantes mundo afora.

Se você passou incólume pelas provas anteriores, esta só será difícil se o vôo atrasar. Se atrasar, como aconteceu conosco em Guarulhos e em Lisboa, corra para a sala VIP mesmo que você não esteja viajando na classe executiva ou não tenha um cartão de milhagens estrelado.

Na hora do aperto, vale apelar para “estou com o bebê precisando dormir um pouquinho, meu vôo está atrasado, posso usar seu sofá um pouquinho?” Afinal, se o vôo atrasou, provavelmente a culpa foi da própria companhia aérea, então use qualquer argumento para entrar. Só não vai falar que você quer trocar a fralda lá dentro … ainda que seja essa a primeira coisa que você tenha pensado em fazer lá. 🙂

20 Respostas para “Viagem com bebês: Triatlon no aeroporto!

  1. Jorge, além de vocês serem corajosos, o bom humor é impressionante!😀
    Adorei o texto e a Clara tá a coisa mais fofa do mundo!😀

  2. A Clara é linda, parabéns!
    E precisa ter muita paciência mesmo nessas horas…
    Abraços!

  3. Jorge

    Parabéns pelas aventuras, pela mais nova viajante do pedaço. Acho que voce pode levar este seu texto para a Viagem & Turismo, é muito intessante, e cheio de informações úteis.

  4. Jorge Gira, que delicia de relato, e que bom humor heim

    E a Clara esta lindissima, vc nao aperta ela nao? Ai que gostosura🙂

  5. Oh gente, eu já sou corujão e vcs falando assim…, mas ela é uma gatinha mesmo…

  6. Jorge B,
    O post é divetidíssimo.
    Me ha encantado: Imigraçâo/Controle de segurança.
    Una experiencia de ese tipo es para recordarla toda la vida. Se lo podrás explicar a Clara cuando sea mayor y verá que las aduanas son como la vida misma, un despropósito!!!.

    No necesitas hacer mucho deporte, con esas malas ya ha hecho pesas para todo un año.

    Beijos.

    P.D: Clara es dulce.

  7. Clara é linda!!!
    Adorei o post abordando os assuntos mais práticos!!! Fundamental!

  8. Ô bonita…ela está mesmo um chuchuzinho😀
    Estou espantada como são vários detalhes na ‘to do list’…mas pelo jeito vocês fizeram tudo do melhor jeito. Excelente!
    E concordo com o Ernesto…acho que nunca vi uma matéria em revista tão detalhada sobre como viajar com bebês.

  9. Eu concordo que seria uma matéria e tanto para uma revista de turismo… Aliás, vou subir um tópico na comunidade da VT no Orkut com o link… Vai que daí eles te descobrem, né?

    E a Clarinha tá a cada dia mais linda!!!😀

  10. Jorge,

    A Clara é uma lady… Ela é muito fofa e impressionante como parece, pela foto, que a viajem foi mesmo tranquila. O meu Vitor tem 2 anos e meio e acredito que não seria muito tranquilo. Mas posso te falar uma coisa? Quando ele tinha três meses também não era muito sossegado. Tinha cólicas e não dormia muito de dia como todos os bebês fazem. Dessa forma, até as viagens de carro, com duas horas de duração, foram difíceis. Acho que a Clarinha nasceu para isso….

  11. Olá Carmen, eu notei que vc está de blog novo, não é isso? SoloBrasil.blogspot.com ? Legal! Seus comentários são sempre muito simpáticos, obrigado.

    Carla, eu vi que você é a “dona” da Viagem do orkut, que legal! E andei olhando lá, o assunto viajar com bebês ficou polêmico, hahahaha

    Marina, Emília, ainda terão muitos posts práticos. Só preciso de um tempo pra preparar tudo.

    Chris, pois é, a Clara teve pouquíssimas cólicas. Ela é realmente uma criança calma. Essa viagem foi muito conversada e só deu certo porque papai e mamãe compraram a idéia juntos!

  12. Dois comentários:
    Na Inglaterra eles não devolvem o carrinho na porta do avião. Questão de segurança. Um porre.
    Em Lisboa eles realmente não têm absolutamente nenhuma gentileza com família que viaja com criança pequena. A gentilíssima atendente da TAP marcou nossos assentos separados. Ela realmente esperava que uma criança de 2 anos viajasse sozinha, sem pai ou mãe do lado, né? A TAP ganhou a minha eterna antipatia depois disso, mas o Lucas ama o aviaozinho de pelúcia, hehehe…

  13. Olá Jorge!
    Adorei seu blog. Também tenho uma filha bebezinha (hoje ela tem 11 meses) e também sou viajante do mundo! Adorei seus posts sobre os aeroportos, também já passei por tudo isso que vc falou, especialmente o problema do passaporte no modelo novo, da minha pequena… Ah, e apenas para contribuir: em Madrid, bebê significa atendimento VIP no aeroporto. Meu marido já havia viajado para lá sozinho, e pode comparar a diferença na gentileza e presteza dos funcionários do aeroporto e das cias aéreas nas duas circunstâncias.
    Parabéns pela filhota, ela é linda!
    Um abraço,
    Livia
    “Mãe Viajante” de Primeira Viagem

  14. Adorei o site.Parabens!
    Me ajudou muito nos pequenos e detalhes, q sao importantes, dicas valiosissimas, mas q ninguem fala.
    Vou para Mexico sozinha com minha filha de 7 meses.

  15. Pingback: A volta dos que não foram… » Idas e Vindas

  16. Oi Jorge, AMEI seu blog. Estou com um filho de 3 meses e já vamos começar nossas andanças pelo mundo🙂
    Fiquei curiosa com uma coisa, qual é a marca/modelo desse carrinho que vcs usaram na viagem. Estamos atrás de um carrinho prático pro Caio poder andar tranquilo nas viagens.
    []’s.

  17. Também viajo muito com meu bebê desde que ele tinha 5 meses! Para evitar problema no raio-x eu nunca levo água e nem nada. Eu peço água quente no avião pro leite (só levo o pó) e tbm nem levo papinha, pois a cia aérea tem disponível! Em alguns aeroportos a gente (grávida ou com bebê) não tem preferência…já tive que pegar filas absurdas! Em Madrid eu estava grávida de 7 meses e não me deram preferência! Com bebê nem me arrisquei a ir para lá! Em Portugal (Porto) fomos muito bem recebidos. Os funcionários do aeroporto são muito gentis (estavamos fazendo conexão para Londres). Claro que sempre passamos por situações meio chatinhas viajando pelo mundo com nossos bebês, mas vale muuuuuito a pena!!!! E realmente…esse passaporte novo é um absurdo! Agora nossa próxima parada é NY, EUA. Vamos ver rs! Abs!

  18. Vi o comentário da Daniela! A TAP tbm marcou nossos assentos separados!!! Não sei vc, mas nós fomos de executiva. Gastamos um dinheirão e ainda assim marcaram a gente separado! Na ida e na volta! Tivemos que “pedir” para outro passageiro para trocar de lugar, pois os comissários não podiam fazer nada! Fora isso, foram super simpáticos quanto às outras coisas que precisamos! E na Inglaterra, devolveram nosso carrinho no avião…estranho isso ter acontecido com vc! Vai ver isso muda de tempos em tempos. Fomos para Inglaterra em outubro de 2009!

  19. gostei demais do seu jeitinho brasileiro essas dicas vão ser de grande ajuda obrigado . Narita – Guarulhos 24 horas de voo vou me preparar

  20. Pingback: A volta dos que não foram… | Idas e Vindas - Crônicas de Viagem

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