Arquivo da categoria: Suécia

Em Estocolmo também tem: “Piscinasen Hamos”

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Eu estava lá, sentado na praça, descansando do meu longo tour, pensando na vida e na morte da bezerra quando de repente comecei a acompanhar aquela cena… Bastou a temperatura subir um pouquinho da marca dos 20ºC para que aquelas crianças nórdicas que brincavam no Kungstradgarden pulassem na água. Mais um pouco, entra a mãe, tem um labrador no fundo da foto que começa a pular e espirrar água pra todo lado, sai da água, molha todo mundo. Uma cena daquelas…

Somos todos iguais, quanto mais eu viajo, mais eu me convenço.

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E finalmente São “Petersen” deu uma força!

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Era quase impossível acreditar no que eu estava vendo. Finalmente era verão!!! O verão chegou com um dia de atraso, mas em tempo de acompanhar a minha visita pela área central de Estocolmo.

Parecia que todo mundo tinha saído para a rua ou talvez todos os nativos tivessem voltado para a cidade, sei lá, o negócio era aproveitar sem questionar. Que feriado de Midsummer, que nada. Para fazer um passeio nota 10, basta ter sol! O dia seria de muitas fotos!

Havia um passeio lerê que eu queria muito fazer. Eu queria conhecer o Museu Vasaa. Trata-se de um museu criado especialmente para abrigar um barco viking de 1620, construído a mando de um rei megalomaníaco, o Gustav II, ou Gustavo Adolfo.

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O interessante dessa história é que apesar de ter sido construído para lutar com os vikings na guerra dos 30 anos, a embarcação é totalmente zero km. O barcão afundou ali na frente do Rei e sua Corte quando partia para sua batalha “inaugural” contra os católicos do sul da Europa. Vexame total!

Os técnicos afirmam que o Vasaa afundou porque a madeira utilizada era sólida demais, mas eu acho mesmo que era o ego que estava pesando além da conta na embarcação. O barco é espetacular, totalmente decorado com trabalhos enaltecendo o Guto Adolfo e sua supremacia sobre os plebeus escandinavos. Mesmo depois de 300 anos embaixo de água, quase tudo foi recuperado.

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Slussen, a região onde fica o Museu Vasaa é um bairro playground. Ali estão os principais museus da Suécia, o Skansen, um parque de diversões Tivoli (que deixa muito a desejar comparado com o seu primo rico de Copenhagen, vale dizer) e uma das principais áreas verdes da cidade, junto à baía. Num dia de sol daqueles, foi um prazer caminhar tudo aquilo até o ferry de Djurgarden que me levaria à Gamla Stan.

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Sim, resolvi dar uma chance à Gamla Stan pra ver se eu mudava minha percepção sobre a principal área turística de Estocolmo, uma vez que minha passada por lá no dia anterior não havia rendido muito.

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No caminho, olha o Elevador “Lacerdansen” ali na direita. Ok, ok, ele parecia mais com o Elevador Santa “Justansen” de Lisboa. Mas, como eu gosto de mirantes, resolvi arriscar o Katarinahissen para ver como seria a vista lá de cima. Conclusão, eu não me acerto com esses elevadores, eu paguei para subir, bati minhas fotos e na hora de descer, tive que pagar de novo. Não entendi e perguntei por que é que eles cobram por cada etapa se o elevador não liga lugar nenhum. O cara ficou me olhando… Diferentemente do Elevador Santa Justa em Lisboa que não me levou à parte alta da cidade, no Chiado, o Elevador da Katarina liga a parte alta de Sodermalm ao ferry. Teria sido muito útil se eu tivesse entendido isso ANTES de descer. Agora é que eu não subiria de novo.

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Cruzei para Gamla Stan e foi entrar por um lado e sair pelo outro, através do Palácio Real (onde os reis não vivem). Não achei nada de mais nessa área tão famosa da cidade. Qualquer guia ou reportagem sobre Estocolmo vai falar que é na Vasterlanggatan que turistas e suecos fazem compras e que o comércio da região histórica oferece… blá, blá, blá e que os melhores restaurantes e bares, blá, blá, blá.

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Confie em mim. Não oferece nada! Com sol de verão escandinavo na cabeça, a única coisa que me chamou a atenção foram as dezenas de turistas americanos com crachá de excursão que usavam aquele chapéu-souvenir viking com chifres. Alguém precisa explicar o que significa aquilo para eles aqui no Brasil. Ridículo! Eu descobriria mais tarde o endereço bacana de lojas, bares e restaurantes de Estocolmo. É só me acompanhar.

Eu deveria adicionar aos mandamentos Gira Mundo que quanto mais curta a viagem, mais se deve planejar. Eu havia lido numa matéria da Condé Nast Traveller (edição inglesa de Julho 2007) que o melhor smorgasbord de Estocolmo era servido aos domingos no Grand Hotel. Normalmente é pela barriga que as cidades acabam me conquistando e eu tinha grandes expectativas!

Existe um cerimonial para apreciar um bom smorgasbord. Você precisa começar com os pratos de peixes frios, passar pelos quentes e depois trocar os peixes pelos típicos pratos de carne. E os pratos precisam ser trocados a cada rodada, sempre! Foi assim que, em uns 4 ou 5 rounds, eu me servi de todo o tipo de arenque, começando pelos crus, passando para os defumados, cozidos até chegar às almôndegas suecas. Para terminar, muito açúcar, um café e uma conta equivalente a 40 Euros. Pode ser caro, mas na Escandinávia, tudo é tão caro que relativamente pela refeição memorável que eu tive, achei que foi bem justo.

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Eu gosto de conhecer Mercados. Em Londres, dois dias antes, eu havia conhecido o Borough Market e achei bem legal. Foi no meu mapa de ruas de Estocolmo que eu vi um anúncio do SaluHall. Fiquei bem interessado e comecei a caminhar naquela direção. Acabei descobrindo a verdadeira área bacana onde os suecos realmente freqüentam, fazem compras e vão aos bares: o entorno da rua Nybrogatan.

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Passei um bom tempo ali, finalmente consegui comprar um presente para a minha mulé e… dei de cara com a porta fechada do SaluHall. Pronto, era a primeira vez que o feriado do Midsummer atrapalhava a minha visita à Estocolmo. Pra piorar, na frente, eu li numa placa na porta que dizia que aquele mercado está entre os 10 melhores do mundo, segundo os entendidos de gastronomia. Pena!

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Bom, voltei caminhando em direção à Hotorget, a região do meu hotel. Fiz um desvio até a pequena ilha onde fica o Parlamento para tirar uma foto do Grand Hotel, cenário da minha melhor refeição em terras suecas, mas o exibidão aí não me deixou um ângulo livre para a foto.

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Bom, se eu pudesse ter ficado mais do que um fim de semana, eu teria continuado a minha viagem pela Escandinávia mais ou menos como o Breno acabou de fazer. Como na blogosfera tudo é possível e você não precisa nem de tempo, nem de dinheiro para viajar, tome aqui uma conexão imediata e vá lá ver o que ele aprontou!

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Sou um cidadão do mundo, a minha pátria é em todo lado…

No aeroporto, olha que mensagem interessante eu encontrei. Era pra mim, no meu idioma!

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Fui embora deixando para trás um anoitecer espetacular… Essa sim seria a noite mais longa do ano.

Banho de cultura escandinava!

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Estava tudo planejado! Só o São “Petersen” pisou na bola!

Com ou sem sol, eu sabia que o sábado em Estocolmo começaria devagar, quase parando. Afinal, na noite anterior, aquela que tinha sido a mais longa do ano, toda a Escandinávia havia comemorado o início do verão (Midsummer Holiday) e os suecos não teriam ido para a cama nem cedo, nem sóbrios.

Foi pensando nisso que eu havia tomado a decisão de não insistir em tentar circular pelas áreas centrais de Estocolmo naquela manhã.

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Eu investiguei as minhas opções num fórum do Trip Advisor. Lá, eu havia lido que no domingo do feriadão, a cidade começaria a voltar ao normal, então resolvi deixar o centro de Estocolmo para o domingo.

Havia lá, também, um comentário que indicava que em todos os anos no parque Skansen, os suecos celebram o sábado de Midsummer com danças e comidas típicas, imitando os costumes mais antigos do interior. Pensei numa quermesse… Gostei e anotei.

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Depois, li em algum outro canto do cyberspace que passear pelo arquipélago de Estocolmo era um programa bem legal. Imaginei que seria um bom programa-introdução para uma futura visita aos milhares de lagos finlandeses.

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No verão, dá para ir de barco através do arquipélago a uma dezena de pequenas cidades e atrações ao redor da capital. Havia muitas opções. Eu preferi escolher um programa fácil e não muito longo, pois não teria muito tempo. Resolvi pegar um barco até o palácio Drottningholm, a residência principal da família real sueca.

Pronto, eu já tinha programa para o dia inteiro! Ambos seriam ótimos programas à prova de Midsummer Holiday, afinal, não dependeriam de que nada na cidade funcionasse. Fiquei empolgado de novo.

O primeiro fim de semana de verão amanheceu lindão assim. Eu só não fiquei com pena dos suecos porque eu estava mesmo era com pena de mim. Lamentável, um fim de semana, eu pego feriado e tempo ruim. Cadê o São Pedro, protetor do Gira Mundo?

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Haja disposição! Firme e forte, peguei um barco ao lado da prefeitura. À medida que o barco começou a cruzar os canais e lagos, deixando a área central da cidade, eu me dei conta de que aquele passeio, acima de qualquer coisa, mostraria muito sobre o modo de vida e cultura escandinava.

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Os escandinavos não têm alma urbana. Nota-se que há um grande gosto pela vida no campo, pelo contato com a natureza, eles valorizam muito a vida a céu aberto. Todos querem estar na beira da água, perto de um lago, ter uma pequena casa no campo. Um tempo ruim daquele e a galera nos barcos!!!

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Além do city tour cultural que o passeio garante, a paisagem não decepciona. Vale dizer que Estocolmo já tinha muito potencial para ser uma cidade bacana desde que foi fundada no século XIII. A área metropolitana está distribuída entre dezenas de ilhas entre o lago Malaren e o mar Báltico. Um lindo cenário, sem dúvida.

É bem nas margens da ilha de Gamla Stan (área central e histórica) que a água salgada encontra a doce num pequeno estreito. É mais fácil pensar que a ilha funciona quase como uma rolha tapando a comunicação do grande lago com o mar. Tanto na direção interior, lago adentro, quanto em direção ao Báltico, há centenas de ilhas e canais que formam o Arquipélago de Estocolmo.

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Como eu poderia ter previsto, o palácio Drottningholm é bem menor do que se poderia imaginar de uma residência real. Não poderia ser diferente nesta terra socialmente inteligente e resolvida que é a Escandinávia. Ainda que os suecos apreciem o luxo e conforto, eles fazem isso com muita discrição. Não existe muita suntuosidade, não espere ver nada de ostentação. Muito pelo contrário. Achei bem interessante o fato de que quase todo o palácio está aberto para visitação, embora a família real viva ali, a apenas alguns cômodos de onde eu circulava. O guarda me falou que os reis estavam em casa. Se a segurança se distrair, vai ter gente que vai abrir alguma porta errada e pegar a Rainha Sílvia de camisola!
Não sei, mas fiquei com a impressão de que a família real vive em dependências quase prosaicas!

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Estas foram as casas mais suntuosas que vi em Estocolmo! Chique é ser iluminado!

De volta à cidade, eu resolvi seguir direto para o Skansen. No caminho, eu cruzei rapidamente a famosa Rua Vasterlangattan em Gamla Stan (centro histórico) e fiquei pessimamente impressionado. Um lugar cheio de lojas de souvenir barato onde eu não consegui encontrar um lugar simples e gostoso para comprar algo típico para comer, só havia restaurante “tipo-italiano-pega-turista” e lojas de conveniência. Preferi passar fome a me render, então segui reto para o ferry para Slussen, planejando matar um urso para comer quando chegasse lá.

Outro mundo me aguardava do outro lado da baía. Em Slussen, eu passei a encontrar os nativos no caminho. O parque estava logo ali.

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Loiro casa com loira.

O Skansen é programão para crianças e adultos e eu curti pra caramba. E dessa vez eu acertei, no Midsummer Holiday o parque ficaria com cara de quermesse. Quermesse de escandinavo vale dizer.

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pequena casa de veraneio no campo retratada em Skansen

O parque é uma mistura de museu a céu aberto de cultura escandinava (ou seja, tudo a ver com eles) com zoológico de animais da região. A área que mais gostei (lógico) é aquela onde em cada casa você pode experimentar um prato ou guloseima viking. Delicioso! Há também artesanato local feito ali na sua frente.

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Programei minha visita para almoçar e assistir às apresentações folclóricas. Achei um restaurante digno de Blue List. Comida local, bom, bonito e barato. Nota 10!!!

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Eu queria comer um smorgasbord (buffet típico sueco), mas confundi com smorgasar (sanduíche). No final, a atendente me sugeriu o especial do dia e eu aceitei. Espetacularmente bem servido e delicioso, perfeito para quem curte um salmão e com pão sueco ficou demais. Já pensou se eu tivesse me saciado lá no centro da cidade?

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Tomei um refrigerante de peras meio estranho e fiquei me divertindo tentando decifrar o que aquelas duas lindas pequenas suecas falavam enquanto os pais delas escolhiam quinquilharias na loja de dentro do restaurante. Disfarçando ao bater a foto para que ninguém achasse que eu fosse um maníaco.

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Em seguida, fui ver os shows folclóricos. Foi engraçado. A “quadrilha” que eles dançavam não tinha nada de especial, mas os casais-dançarinos estavam curtindo tanto a apresentação que deu gosto de ver. Eles pareciam não estar nem aí para a platéia.

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No caminho de volta, eu tomei um bonde “de época” em frente ao Skansen. Bonito pra caramba! Bati a foto e ele veio me cobrar… A foto? Não, o bilhete.

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Embora eu estivesse muito satisfeito com o passeio (foi bem mais legal do que eu pensei), já não dava mais para negar que aquela seria a minha segunda e última noite em Estocolmo e eu não veria mais o sol das onze da noite.

Fui para a cama torcendo apenas por algum raio de sol para o dia seguinte. Sim, porque bastava que tivesse sol. E já que eu embarcaria às oito da noite do domingo, era melhor que tivesse sol só de dia, já pensou se abrisse o sol só perto das onze da noite?

Não, São “Petersen” não iria me aprontar uma dessa…

Pior que um dia encoberto é um dia encoberto que não acaba!

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Assim que o avião passou para o lado de baixo das nuvens, eu comecei a ver o que aguardava por mim lá embaixo. Que tempo horrível! Eu não acredito, só vou ter duas noites na terra do sol das onze da noite e a primeira vai ser assim, que falta de sorte!

Em São Paulo, por exemplo, você pode passar um dia horrível de tempo cinzento, mas quando a noite cai, fica tudo escuro e as luzes da cidade ficam bem interessantes.
Em Estocolmo, no verão, não seria assim, o que eles chamam de noites brancas, seriam noites-cinza para mim.

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Kungsgatan às 22horas da sexta feira, dia 22/06.

Concluí que eu não havia feito certo o meu pedido. Tudo o que peço acontece, mas às vezes, a gente erra no como pedir. Eu havia errado o pedido. Eu tinha que ter pedido que gostaria de conhecer Estocolmo no dia mais longo e iluminado do verão. Eu me conformei ali na porta do avião, combinei que ao descer, eu não me penitenciaria mais e iria traçar meu plano de contingência para curtir o fim de semana com ou sem sol.

O meu pedido alternativo passou a ser: basta não chover!

Eu tive duas primeiras impressões sobre Estocolmo:

1) Vou passar fome nesta terra: com todas as lojas e lanchonetes do aeroporto fechadas na noite do Midsummer Holiday (tão importante quanto noite de Natal para os suecos), eu achei que não acharia onde comer, eu havia pensado em comprar um lanche no aeroporto, mas pelo visto, eu iria passar fome…e não vai ter ninguém para me aguentar mal humorado!

2) Que aeroporto bacana. Que bom gosto! Na terra do piso Pergo, o que mais eles poderiam utilizar para forrar o assoalho do terminal? Gostei do toc-toc abafado dos sapatos dos passageiros, ficou legal.

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Para chegar à cidade, eu precisava pegar o Arlanda Express. Um trem rápido que atravessa os 50 km entre Arlanda e o centro de Estocolmo em menos de 20 minutos. Um show a 200km/h.
Sabe qual foi a primeira mensagem do alto falante do trem assim que ele partiu do aeroporto?

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“Arlanda Express: não existe forma mais ecologicamente correta de se chegar ao centro de Estocolmo”.

Foi só depois disso que eles passaram informações sobre a viagem, tempo de percurso, etc.

Isso se repetiria várias vezes ao longo do fim de semana. Tudo deve ser ecologicamente correto em Estocolmo, fiquei com a sensação de que os suecos já resolveram todos os seus problemas e agora estão empenhados em salvar a Terra.
Não deixa de ser um ótimo contra ponto para aqueles povos que primeiro conquistam a Terra e agora tentam resolver seus problemas 🙂

Porém, eu não podia deixar de pensar na incoerência ecológica de colocar um trem daquele a 200km/h para levar praticamente um passageiro por vagão. Se eles tivessem colocado uma limusine, teríamos emitido menos carbono.

Saindo do papo ativista, eu preciso indicar o excelente Rica Hotel Kungsgatan.

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Note que a decoração é “powered by Ikea“. Lógico!

A duas quadras da estação do Arlanda Express no Centro, este é um hotel bom, bonito e bem barato para padrões suecos. Os reviews no Trip Advisor são excelentes e eu consegui um quarto por USD 70 o que é uma barganha para eles. Mas para isso, o quarto só não teria janela. Li todos os reviews de quem se hospedou nos quartos sem janela e as pessoas acharam que valia muito a pena economizar 25% da diária por conta da janela, especialmente no verão quando o sol ou o dia nublado chega às 3 horas da manhã…Super silencioso, ótimo chuveiro, bem localizado, café da manhã completíssimo e o atendimento muito atencioso.

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Eu não consegui reclamar de nada. Muito menos da falta de janela. Meu quarto mesmo sem janelas era mais claro que o dia lá fora. Eu sou capaz de apostar um arenque e um aquavit que não existe nada melhor por esse preço naquela localização de Estocolmo.

Eu me instalei por volta das 22:30 hs no hotel. A essa hora, já cansadão, eu só pensava em comer e dormir, rezando para o dia amanhecer melhorzinho.

Não, não passei fome, mas naquele horário, a única caça que consegui foi um MacacoDonald’s em frente ao hotel.

Ao menos quando apaguei a luz do meu quarto-cela-solitária (até a porta abre para fora), a noite ficou escura de verdade. Ri sozinho e caí no sono.

O fim de semana só estava começando, daria tempo para dar a volta por cima.

Em busca do sol das onze da noite…

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Desde que ganhei o meu primeiro globo terrestre aos 7 anos eu penso em conhecer a Escandinávia. Na época, eu tinha três grandes sonhos: Egito, Austrália e Escandinávia.

Eu quero ler mais sobre o Egito antes de planejar essa viagem. A viagem da Austrália eu me dei de presente quando terminei a faculdade e a Escandinávia…, bem a Escandinávia eu tenho comido pelas beiradas.

Este ano, eu viajei a Londres a trabalho e passaria dois finais de semana lá. Coincidentemente, um deles seria o mais longo do ano no Hemisfério Norte (23 e 24 de Junho).

Imediatamente, eu me lembrei da Escandinávia, do sol da meia noite…

Numa viagem anterior à Londres, também no verão, eu estiquei a Copenhagen, meu debut por terras escandinavas.

Um final de semana não seria suficiente para eu explorar os fiordes da Noruega (como o Breno fez), nem os lagos da Finlândia, mas uma escapada à capital sueca, isso dava pra fazer.

Tão empolgado que fiquei, saí buscando um bilhete barato para Estocolmo a partir de Londres… O meu amigo Rodrigo Purisch teria ficado orgulhoso de mim, eu corri para o Skyscanner até porque Londres é a capital das cias low fare. Quase todas as européias operam lá, mas… Peraí, um fim de semana e eu vou de low fare, será que vale?

Não, não vale. Tinha passagem de ida e volta por 50 libras com taxas, mas a esse preço, eu precisaria descer em um de dois aeroportos a 100 kms de Estocolmo (Vasteras ou Skavsta) e partiria de Luton ou Stansted que ficam também muito longe do centro de Londres. Se eu não precisasse voltar certinho no domingo à noite e sair na sexta depois do trabalho, eu talvez tivesse arriscado, mas como não era o caso, eu busquei a melhor oferta possível entre os aeroportos internacionais mais centrais: Heathrow e Arlanda que estão conectados ao centro de suas respectivas capitais pelos modernos Heathrow Express e Arlanda Express.

A empolgação foi tanta que eu gastei USD 300.00 no bilhete sem raciocinar direito. Só depois que comprei o mico-ticket não reembolsável e que não permitia alterações é que eu me dei conta que no final de semana mais longo do ano na Escandinávia é também um feriado prolongado, até porque sol lá é luxo e eles celebram o evento como nós celebramos o Ano Novo, com festa, pouco trabalho, todo mundo no campo, exatamente como eu havia lido no juvenil “Mundo de Sofia”. Epa, sabe o que isso significava?

Não vai ter ninguém em Estocolmo, vai estar tudo fechado!!!!

Bom, eu gelei, corri para o Trip Advisor e estava lá um nativo relatando: se vier a Estocolmo e quiser conhecer suecos, não venha durante o Midsummer Holiday. Pareceu mais mico que pular Carnaval na Serra Gaúcha.

Mas que droga, eu passei a vida querendo conhecer esse lugar e quando surge uma boa oportunidade parece que fiz a pior das escolhas.

Agora, não tem jeito, eu vou ter que ir e ver no que vai dar…

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Era exatamente nisso que eu pensava enquanto o avião da Scandinavian se aproximava para baixar em Arlanda…até que…

– Ei, não pousa não! Pelamordedeus! Segue reto mais um pouco, tem muita nuvem lá embaixo, vai esconder o sol das onze da noite, segue mais um pouco aí comandante!!!!